Tag: Sustentabilidade Ambiental

Redução na conta de energia pode chegar a 95% por mês.
Investimento inicial se paga em torno de seis anos, diz especialista

O sol é uma fonte com potencial para produzir energia elétrica de forma econômica e sustentável e o Brasil tem um grande potencial fotovoltaico. De acordo com Luís Guilherme Campos de Oliveira, sócio proprietário de uma empresa de energia solar em São Roque (SP), a economia pode chegar a até 95% na conta de energia por mês.

“O painel solar produz mais ou menos energia de acordo com a radiação do local, mas todas as casas e empresas podem ter energia solar”, explica Oliveira. “A Alemanha foi uma das pioneiras nesse ramo e no local com menos sol no Brasil tem 30% a mais de potencial fotovoltaico do que no lugar com mais sol na Alemanha”, afirma.

O governo brasileiro vem estudando formas de impulsionar a geração solar fotovoltaica no país, conforme afirmou o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, na abertura de um evento relacionado ao tema. O Brasil deve integrar o ranking dos 20 maiores produtores de energia solar em 2018, segundo o boletim “Energia Solar no Brasil e no Mundo – Ano de Referência – 2015”, publicado pelo Ministério de Minas e Energia (MME). China, Estados Unidos e Alemanha são os países que têm mais potência instalada atualmente, segundo o Portal Brasil, do Governo Federal.

Sistema de energia solar (Foto: Divulgação)Sistema de energia solar (Foto: Divulgação)

O especialista explica que existem três estruturas básicas no sistema de energia solar: a de fixação, os painéis solares – que são compostos por células fotovoltaicas que recebem luz do sol e convertem em corrente continua – e o inversor, que transforma essa energia em corrente alternada, que é a usada em residências.

Há oito meses, o engenheiro eletricista Diego Branco, também de São Roque, usa energia solar em sua casa. Ele relata que a instalação dos painéis foi realizada em um dia. “É feito um projeto anterior para definir o ponto em que esses painéis serão instalados. Em chácaras ou lugares abertos, por exemplo, dá para colocá-los no chão, em áreas verdes. Dá para adequar o lugar onde as placas serão colocadas”, conta.

Diego conta que optou pela instalação do sistema solar depois da alta nos preços da energia elétrica tradicional. “Tive um investimento inicial em torno de R$ 15 mil com seis painéis e o inversor. Mas no fim do mês, a minha conta caiu de R$ 130  para cerca de R$ 30”, contabiliza.

“O investimento inicial se paga em torno de seis anos. Investir em energia solar é melhor que qualquer aplicação financeira no mercado porque a taxa de retorno do investimento fica em torno de 20%”, expõe Luís Guilherme.

O especialista explica que o sistema solar funciona como um sistema de crédito e débito. “Se a pessoa produzir mais energia do que consumir, ela vai para a rede da concessionária. Com as mudanças das leis da Agência Nacional de Energia Elétrica, a ANEEL, o que foi ela produziu e não consumiu pode abater conta de outras residências ou comércios que tenham o mesmo CNPJ ou CPF e que sejam atendidos pela mesma concessionária.”

“Uma pesquisa feita nos Estados Unidos revelou ainda que existe valorização de mais de 10% de imóveis que tem energia solar e esses imóveis são vendidos 30% mais rápido”, afirma Oliveira. “Durante o dia, a energia excedente que você produz é mandada para a rede da concessionária. A noite, ou em dias sem sol, você pega a energia que mandou para lá”, explica.

O especialista destaca também que durante apagões, por questões de segurança, a energia de locais com sistema solar também é cortada. Mas ele afirma que, se nesse período o dia estiver ensolarado, a energia ainda é produzida e enviada para a rede da concessionária.

Manutenção
Uma das vantagens que atraiu o engenheiro Diego Branco foi a baixa manutenção do sistema solar. Guilherme explica que ela é quase inexistente e ressalta que em apenas alguns casos é preciso uma limpeza simples com água e sabão.

O especialista ainda fala sobre outra vantagem. “É possível verificar a produção de energia do estabelecimento no computador ou tablet, através de um site específico. O sistema mostra quanto foi produzido no dia, no mês, no ano, além de saber quanto o local deixou de emitir de CO2.”

A preocupação com o meio ambiente também foi um fator decisivo para Diego Branco optar pela energia solar. “Se tivéssemos mais casas e empresas com solar, teríamos menos termoelétricas ligadas, que é uma fonte de energia mais cara e suja”, comenta. “A energia solar é totalmente limpa e, por causa da menor emissão de Co2 há uma redução do efeito estufa”, conclui Luís Guilherme.

É feito um projeto para definir onde os painéis solares serão instalados (Foto: Divulgação)É feito um projeto para definir onde os painéis solares serão instalados (Foto: Divulgação)
0 comments

Ele ministrou uma palestra sobre Sustentabilidade Ambiental e abordou questões como a conservação do solo, mudança do clima, evolução da agricultura e meio ambiente.

A produção agropecuária sustentável de Mato Grosso impressionou o pesquisador Rattan Lal, ganhador do prêmio Nobel da Paz em 2007 como membro do Painel Intergovernamental de Mudança do Clima (IPCC). Ele ministrou uma palestra sobre Sustentabilidade Ambiental e abordou questões como a conservação do solo, mudança do clima, evolução da agricultura e meio ambiente.
Rattan ficou surpreso com os dados apresentados pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) da produção agropecuária estadual. O pesquisador fez questão de dizer que a impressão que tinha em relação ao Brasil era de que a Amazônia estava sendo destruída. “Eu estou impressionado com a quantidade de área preservada na Amazônia. Acredito que as áreas degradadas podem ser recuperadas e devolvidas à natureza. O trabalho desenvolvido aqui deve ser levado para todo o mundo. O Brasil, em especial Mato Grosso, é exemplo de sustentabilidade”, disse Lal.
Para o pesquisador, a maneira com que Mato Grosso está conduzindo os trabalhos de preservação garante alimento para o mundo. “Do jeito que vocês estão preservando, vocês estão alimentando o mundo. Hoje eu mudei a minha visão sobre o Brasil. A Famato deveria escrever uma carta ou artigo para uma revista especializada de grande impacto sobre o uso sustentável de terras da Amazônia. E mostrar como estão aumentando suas produtividades e como estão preservando a biodiversidade. Acredito que todos deveriam saber sobre isso”, destacou.
A má impressão de que a Amazônia está sendo destruída tem que ser desmistificada. “Cabe às organizações ambientais, governo e entidades comprometidas com o meio ambiente esclarecer isso para o mundo. Assim como eu estou contente de conhecer a verdade, todos os pesquisadores, cientistas e sociedade mundial devem saber que aqui no Brasil o foco é preservação para uma produção ainda maior”, apontou.
Durante a palestra Lal sugeriu que o governo deve investigar e ampliar o potencial do estado no sequestro de carbono. Segundo ele, o fluxo de carbono do solo para a atmosfera é uma das causas do efeito estufa no planeta e é muito importante o envolvimento de Mato Grosso nesse projeto.
O gestor do Núcleo Técnico da Famato Guto Zanata acredita que enquanto não houver uma valorização do sequestro de carbono não haverá amadurecimento.
Zanatta disse ainda que o produtor de Mato Grosso, além de produzir grãos e carne, produz o carbono sequestrado. “Eu acredito que é possível. A Famato participa de discussões com o governo e entidades para valorizar e saber como gerenciar isso. Não é uma tarefa fácil, estamos a alguns anos trabalhando neste sentido. Precisamos transformar esse projeto em realidade e para isso tem que haver interesse político e comercial”, destacou Zanata.
Segundo Rattan, a valorização desse carbono estocado é uma das soluções para a conservação do meio ambiente. A preservação é benéfica para toda a sociedade, sendo assim não é justo que o setor agropecuário assuma a responsabilidade de forma isolada. O pesquisador citou como exemplo o CRP implantado no estado de Illinóis nos Estados Unidos, que remunera os produtores que deixam de produzir e mantém a área em recuperação ambiental durante 10 anos no valor equivalente ao arrendamento da terra. Levando em consideração que uma floresta sequestra uma quantidade maior de CO², é justo que o produtor receba por esse carbono estocado que beneficia toda a sociedade.
A ideia de Rattan é criar um programa no Brasil que visa a pesquisa e a capacitação de produtores para envolver Mato Grosso nas discussões sobre o carbono que é produzido. Existe a possibilidade de uma parceria entre a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Universidade de Ohi para intercâmbio e mobilidade de estudantes, pesquisadores e professores.
Na avaliação de Rattan os governos brasileiros deveriam implantar estudos específicos nas escolas e universidades sobre sistemas de produção agrícola, com o intuito de gerar discussões que provoquem o fortalecimento de políticas ambientais, econômica, técnica e social. “Sendo assim, será possível intensificar e qualificar a sustentabilidade da produção agrícola”, assegurou.
Técnicas sustentáveis – O pesquisador Daniel Carneiro de Abreu, professor do câmpus da UFMT de Sinop, disse que o que impressionou o pesquisador indiano foram às técnicas utilizadas em Mato Grosso. “Usamos aqui técnicas como plantio direto, integração lavoura-pecuária que aumentam a resistência e a eficiência, o que resulta em sustentabilidade”, disse Abreu.
Rattan destacou que o plantio direto utilizado no Brasil é uma técnica agrícola ambientalmente correta e sustentável que é capaz de eliminar as ações nocivas da erosão do solo e em troca mitigar os efeitos provocados pela emissão de gases e poluentes da atmosfera. O plantio direto sequestra o carbono, incrementa a biodiversidade e contribui positivamente para o ciclo hidrológico.
Na visão de Rattan o solo é o protagonista da preservação. “O solo é a resposta global para a conservação ambiental sustentável”. Ainda segundo o pesquisador, a tecnologia do plantio direto usado nas propriedades que percorreu em Mato Grosso não degrada o solo, mantém a qualidade da terra para os futuros plantios e garante a chance de introduzir novas culturas na mesma área. Isso significa um processo rotativo de plantio usado para conservar a saúde e a fertilidade da terra.
Curriculum  – Rattan Lal é Diretor do Centro de Gestão e Sequestro de Carbono da Universidade de Ohio, trabalha com conservação de solo, gestão sustentável, sequestro de carbono, mudança do clima e segurança alimentar. Seu currículo disponibilizado no site da universidade norte-americana contabiliza 1986 publicações, com mais de 20 mil citações na Web of Science.
Lal nasceu na Índia, em uma região hoje pertencente ao Paquistão. Graduou-se na Universidade de Agricultura de Punjab, fez mestrado em Nova Deli (Índia) e PhD em Ohio, onde é professor de ciências do solo desde 1987.
ae