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O ciclo da madeira foi um dos principais movimentos econômico ocorrido na história de Rondônia, nas décadas de 70 e 80, com a colonização e o desmatamento da floresta Amazônica, motivado pelo governo Federal. A realidade agora é inversa: a madeira a ser extraída vem da floresta plantada, que oferece atrativos geradores de renda, como o beneficiamento, a goma-resina e o sequestro de carbono.

Plantar floresta é fácil, porém é importante o acompanhamento técnico para obter os resultados desejados. “As espécies comerciais já estão definidas e devem ser plantadas conforme o tipo de solo na região. O eucalipto e o pinus, por exemplo, respondem melhor em solo mais arenoso, mais pobre em nutrientes. Já a teca e o pinho cuiabano são espécies bem exigentes em relação à fertilidade da terra”, detalhou o coordenador estadual de Floresta Plantada, o engenheiro florestal Edgar Menezes Cardoso da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam).

Atualmente plantar floresta é um excelente negócio em longo prazo e garante ganhos financeiros acima da média, especialmente ao pequeno produtor, que deve iniciar esse novo modelo econômico sem que a atividade desenvolvida no sítio seja afetada. Esta afirmação ecoa dos principais plantadores de floresta nas regiões de Pimenta Bueno, Vilhena, Ji-Paraná e Ouro Preto do Oeste, que buscam mais parceiros na construção de um cinturão verde nas áreas degradadas.

“É uma poupança verde. Além do ganho, o produtor rural não precisa desmatar, e contribui na recuperação de área degradada. É extremamente viável”, avalia o gerente Operacional, Gefeson Melo, do grupo Eletrogoes, empresa que vem pesquisando e selecionando o melhor da espécie em laboratório próprio, desde 2008, na região de Pimenta Bueno.

“Nossos estudos apontam o eucalipto com o melhor custo-benefício, tanto para o produtor quanto para a produção de energia renovável”, frisou o responsável pelo viveiro e floresta de eucalipto da Eletrogoes, o engenheiro florestal Carlos Alberto Soares Monteiro.

Toda a produção do eucalipto produzido na região tem endereço certo para venda: a usina termelétrica movida à biomassa, que deverá ser inaugurada ainda nesse semestre pelo grupo Eletrogoes.

“De uma forma geral, a floresta plantada gera muito mais do que a pecuária e a agricultura”, afirmou o engenheiro florestal Aparecido Donadoni, destacando que os maiores plantios das espécies eucalipto e pinus já são visíveis ao longo da BR-364, no trecho entre Pimenta Bueno e Vilhena.

Em Vilhena, o beneficiamento do eucalipto ocorre na cidade em forma de palanque para cercas, porteiras, madeiramento para construção civil, móveis, entre outras peças rústicas e decorativas. “O eucalipto é nosso carro-chefe, porém estamos beneficiando o pinus também”, anunciou o empreendedor, Anderson Zomer, de Vilhena, assinalando o aquecimento do mercado garantindo mais geração de emprego e renda direta e indiretamente.

As plantações de pinus no Cone Sul transformam as áreas totalmente degradadas em paisagem cinematográfica. Otimistas, os produtores avançam no negócio e já estão viabilizando a implantação na região de uma usina de beneficiamento da goma-resina, mais um lucrativo produto da espécie.

“Quando juntos atingirmos 15 mil hectares de floresta em pinus teremos matéria prima suficiente para instalar a resinadora”, animou o fazendeiro, Antônio Marques Pereira, detentor de uma das maiores áreas plantadas e um dos mais entusiastas do plantio do pinus em Rondônia.

As plantações do pinho cuiabano e da teca estão mais agrupadas nas regiões de Ji-Paraná e Ouro Preto do Oeste devido à exigência da planta quanto à qualidade do solo. “Parte da madeira produzida em Rondônia já está sendo exportada a partir do porto, em Porto Velho”, festejou Jaques Testoni, presidente da Associação Rondoniense e Floresta Plantada (Arflora).

Nessa consolidação do novo ciclo da madeira, o governo de Rondônia vem atuando quanto à legalização e o fomento de novos plantios de florestas. O objetivo é gerar desenvolvimento rural integrado a outras cadeias produtivas promovendo recuperação de áreas degradadas.

“Destacamos a sustentabilidade como a maior vantagem no plantio de floresta. As empresas lucram e geram empregos e renda causando o mínimo impacto ao meio ambiente”, encerra o engenheiro Edgar Cardoso, associando este padrão de floresta como fonte de energia renovável e na absorção do gás carbônico.

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Fonte: SEDAM

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