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Educação ambiental pode passar a ser uma disciplina obrigatória para alunos de todas as séries dos níveis fundamental e médio, caso a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB — Lei 9.394/1996) seja modificada. É o previsto no PLS 221/2015, de autoria do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).

O projeto foi acolhido nesta terça-feira (29) na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e segue para votação na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).

Atualmente, as escolas são orientadas a abordar princípios de educação ambiental de forma integrada a outros componentes curriculares, como explica o autor do projeto, senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), na justificação da matéria. O parlamentar, no entanto, considera essa estratégia insuficiente para que os estudantes tenham formação sobre as diferentes dimensões da sustentabilidade e sobre práticas como reciclagem e reúso de água.

O relator na CMA, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), apontou avanços na sociedade em termos de atitudes em favor da preservação ambiental e de conscientização da população, enfatizando, no entanto, que os esforços devem continuar.

— Através das escolas, dos meios de comunicação, das mídias e redes sociais, vamos chegar a 100% de consciência ambiental — declarou.

Na discussão da matéria, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) observou que especialistas em Educação desaconselham a incorporação de novas matérias aos currículos escolares, frente ao grande número de disciplinas obrigatórias.

— A ideia de questões ambientais serem tratada em outros conteúdos, de maneira transversal, não diminui e sim amplia a preocupação com o meio ambiente, na medida em que se forma na criança e no jovem a ideia de analisar a proteção ambiental em diversas áreas do estudo escolar — disse Lídice.

O senador João Capiberibe (PSB-AP) compartilha da opinião e considera que a discussão sobre a inclusão de educação ambiental como disciplina obrigatória, como prevê o PLS 221/2015, poderá ser aprofundada quando o projeto entrar na pauta da Comissão de Educação.

Fonte: Agencia Senado

No clássico Meu Pé de Laranja Lima, o escritor José Mauro de Vasconcellos conta a história de amizade de um menino com sua planta, que fala e expressa sentimentos. É algo bastante irreal, coisa de ficção mesmo. Mas… E se as árvores pudessem ter um documento de identidade de verdade? A ideia não só existe, como já saiu do papel e vem rendendo bons dividendos para Rodolfo Sousa Ramos, 31 anos, CEO da Anubz Innovative Solutions, com sede em Campinas (SP). Ele desenvolveu o Mais Verde, um sistema de identificação de árvores plantadas em projetos de compensação ambiental.

É uma forma de grandes empresas que fazem reflorestamento garantirem — e mostrarem — a legitimidade destas ações. Funciona assim: a Anubz produz uma pequena placa, que Rodolfo chama de “tag”, com um QR Code. Cada árvore plantada recebe uma dessas (no caso de mudas, elas são amarradas, na planta adulta elas são pregadas ao tronco e há a possibilidade de instalar as tags em pequenos totens ao lado da árvore).

A leitura do QR Code leva o usuário à plataforma digital Mais Verde, que mostra todas as informações possíveis sobre a árvore em questão: idade, espécie, habitat, georreferenciamento e, é claro, quem são seus “pais” (a empresa responsável pelo seu plantio). Também dá para verificar o quanto de carbono foi compensado por aquela única planta, bem como por todo o projeto da qual ela é integrante.

Os dados do reflorestamento ser acessados de celulares ou tablets, atualizados em tempo real pela Anubz.

O caminho inverso também é possível. Em vez de identificar o QR Code, o usuário (que pode ser qualquer pessoa – pois o sistema é totalmente aberto) entra diretamente no site e visualiza o mapa das compensações, podendo acessar as informações de qualquer árvore com um clique no mouse.

De certa forma, o sistema chega a ser lúdico, mas não foi exatamente a diversão que motivou Rodolfo a criá-lo. Em 2003, a Prefeitura de Campinas publicou uma lei que determina o controle digital das áreas de reflorestamento fruto de compensações ambientais. E, em 2009, o governo paulista editou medida similar. Em tese, a regra deveria ser seguida por todas as cidades paulistas, mas não havia tecnologia para isso. Não havia até Rodolfo desenvolver esta solução.

“Passou a ser exigido o cumprimento das leis a partir do momento em que passou a existir uma forma de viabilizar o cumprimento delas”, conta ele, e afirma que isso tem provocado uma verdadeira corrida de clientes pelo produto. Entre os clientes da Anubz estão a Pirelli, o Grupo Pão de Açúcar, a construtora Cyrela e a concessionária CCR. Em 2014 a Anubz faturou 234 mil reais, e a previsão era triplicar este valor em 2015. Além de Rodolfo, a empresa conta com três programadores.

A aventura da Anubz entre as árvores começou em 2012. A empresa trabalhava com o desenvolvimento de plataformas de ensino à distância, quando foi procurada por uma construtora para criar um site para a gestão das árvores que plantaria para cumprir um acordo de compensação. Rodolfo quis saber o porquê daquilo. E descobriu ali as legislações que tratam do tema:

“Pensei que, se uma empresa havia me procurado, outras também procurariam. E em vez de fazer um sistema para uma só, resolvi fazer um que pudesse atender outras também”

O papel da Anubz, além de criar e gerenciar o sistema, é produzir as tags – a instalação delas é feita pela empresa que faz o plantio. “Queríamos eficiência. Já que a empresa vai plantar, nada mais coerente que ela instale as tags também. Não faria sentido eu ter uma equipe só para isso. Processo em cima de processo encarece o produto”, diz Rodolfo.

UM PRODUTO À PROVA DE FRAUDES

As tags, aliás, são feitas com material ecológico e têm espaço para divulgação do logotipo da empresa investidora. O custo é de 1 real por mês para cada árvore (a legislação obriga a empresa compensadora a fazer a manutenção da área por dois anos). Mas há descontos progressivos, dependendo da quantidade plantada, que podem derrubar este valor pela metade.

O sistema também favorece a fiscalização do reflorestamento pelos órgãos públicos. Se antes o levantamento das informações de todo o plantio demorava até oito meses, agora é feito em apenas um. E os técnicos nem precisam ir a campo: basta checar o mapa no site.

A Anubz, de Rodolfo, também tem projetos paralelos de educação infantil, para conscientização ambiental.

Outra vantagem é que o sistema exclui a possibilidade de fraude nas compensações. “A empresa é obrigada a plantar 10 mil árvores. Quem vai contar? Agora, com a identificação de cada árvore, sabemos quantas exatamente são e onde estão”, diz Rodolfo. Como a legislação obriga a empresa compensadora a enviar uma foto da muda plantada com sua respectiva identificação, também não é possível criar uma “floresta de tags”. “Desenvolvemos um sistema onde é melhor fazer o certo do que tentar fraudar”, orgulha-se Rodolfo.

A boa aceitação do Mais Verde levou Rodolfo a um evento paralelo da COP21, a Cúpula do Clima, em Paris, no fim do ano passado. Na embaixada brasileira, a convite do governo paulista, ele apresentou seu projeto junto com mais 25 empresas inovadoras. “Fui o primeiro porque foi em ordem alfabética. Não tinha muitas pretensões além de mostrar meu produto. Mas quando terminei minha fala e sentei na cadeira, já tinha gente me cutucando e dizendo ‘não sai daqui sem falar comigo’”, conta.

Para Rodolfo, encarar esse tipo de situação exige 100% de confiança no seu produto. “Quem é Anubz perto de uma Natura, de uma Votorantim? Era esse pessoal que estava lá. Se você senta numa mesa dessas, para fazer esse pessoal tirar o escorpião do bolso, precisa ter o melhor produto do mundo, e é nisso que eu acredito”, afirma.

QUANDO O PROPÓSITO NASCE COM A EMPRESA

Fazer o certo, inclusive, está no DNA da Anubz. O nome da empresa remete ao deus egípcio responsável por julgar os mortos, e determinar se eles poderiam desfrutar do paraíso. Para isso, ele pesava de um lado o coração e de outro a sinceridade do defunto. O acesso ao céu só era permitido se o coração fosse mais leve que o conjunto de verdades da vida do morto. “É um senso de justiça pleno, de fazer o correto. Isso tem me guiado. E para equilibrar essa balança é preciso muita excelência”, diz Rodolfo.

Como muitos empreendedores, Rodolfo é inquieto por natureza. Passou por três faculdades – fez um ano de design, quatro anos de publicidade e propaganda e mais um ano de gestão de TI –, mas nunca terminou nenhuma. Autodidata, precisou montar uma empresa, a Software House, aos 16 anos, para atender a Compaq. “Eu via a teoria na faculdade e já sabia que na prática era tudo diferente. Havia esse conflito”, conta.

Na plataforma digital Mais Verde é possível ver quantas árvores cada projeto plantou.

Com mais um sócio, chegou a liderar uma equipe de 18 pessoas. “Meu sócio era mais velho. A gente ia nas reuniões e todo mundo se dirigia sempre a ele. Nas questões mais técnicas, ele falava ‘olha, é com ele ali que vocês têm que falar’, e apontava para mim”, conta Rodolfo. Além da Compaq, atendia a rede bancária 24h, Motorola e a Associação Comercial de Campinas, entre outros clientes. Mas Rodolfo abandonou a sociedade para criar a Anubz e as plataformas de ensino à distância. Hoje, diz que o carro-chefe da empresa é o Mais Verde e aprendeu algumas lições sobre empreendedorismo:

“Você tem que trabalhar de acordo com os resultados que almeja. Se quer um resultado mais ou menos, se empenhe mais ou menos. Agora, se quiser respeito entre os clientes, se quiser ser reconhecido pela excelência, aí bicho, aí o trabalho é grande”

Entusiasta dos porquês, criador nato e autocrítico ao extremo, Rodolfo diz que busca no esporte uma forma de, literalmente, esfriar a cabeça. “Gosto muito de pedalar. É um sincronia com corpo e mente, você não cansa. Também jogo tênis, que exige concentração total. Se pensar na conta para pagar, perde três pontos na hora.” Entre seus hobbies, Rodolfo ainda enumera a culinária e a música eletrônica. “Fui DJ por dez anos e hoje também atuo como produtor”, conta.

A paixão pelas árvores também não é coisa nova. Aos 5 anos, Rodolfo se mudou com sua família para um sítio, nos arredores de Campinas. “Tudo o que tinha para brincar era um quartinho de ferramentas e um pomar. Eu subia no pé para comer manga. Árvore era uma referência. As pessoas infelizmente perderam isso. Hoje cortam árvore por qualquer motivo. Fico feliz em estar ajudando a mudar isso.”

DRAFT CARD

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  • Projeto: Anubz Innovative Solutions
  • O que faz: Identifica árvores em projetos de compensação ambiental
  • Sócio(s): Rodolfo Sousa Ramos
  • Funcionários: 4 (incluindo Rodolfo)
  • Sede: Campinas (SP)
  • Início das atividades: 2012
  • Investimento inicial: NI
  • Faturamento: R$ 234 mil em 2014
  • Contato: talk@anu.bz

Fonte: projetodraft.com

Iniciativa é resultado de uma parceria entre Fundação Oswaldo Cruz e Ministério do Meio Ambiente.

De acordo com informações do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), é esperado um aumento da temperatura e redução das chuvas para a região Centro-Oeste do país e o bioma do Pantanal nas próximas décadas. Para entender melhor essa realidade e estimular o debate sobre as mudanças climáticas no Mato Grosso do Sul, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizarão uma visita técnica à Campo Grande, nos dias 17 e 18 de fevereiro.

Esta visita integra as ações do projeto Vulnerabilidade à Mudança do Clima, desenvolvido pela Fiocruz e Ministério do Meio Ambiente (MMA). O objetivo da iniciativa é avaliar os riscos gerados pelo aquecimento global às populações nas cinco regiões do país. Além de fomentar o diálogo sobre esse assunto, será criada uma ferramenta, um software, para mensurar a vulnerabilidade humana às mudanças do clima, conforme cada município.

A proposta do encontro é reunir gestores para a apresentação de dados preliminares no estado e mostrar o trabalho similar realizado no Espírito Santo, além da coleta de novas informações para o desenvolvimento de estudos sobre vulnerabilidade. No dia 17 de fevereiro, a equipe técnica do projeto visitará a sede do Instituto de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul (IMASUL) e no dia 18 será promovida uma reunião na sede da Fiocruz em Campo Grande, às 9h, com representantes das secretarias estaduais de Saúde e Meio Ambiente, Centro de Monitoramento de Tempo, do Clima e dos Recursos Hídricos de Mato Grosso do Sul (CEMTEC) e IMASUL.

Desenvolvimento do projeto

O projeto é executado em seis estados brasileiros: Espírito Santo, Pernambuco, Paraná, Maranhão, Amazonas e Mato Grosso do Sul, sendo este último o representante da região Centro-Oeste do país.

Para a realização desses estudos são consideradas informações de cada município referentes à preservação ambiental, a dados sobre a população, como saúde e condições socioeconômicas e a ocorrência de fenômenos extremos, a exemplo de tempestades e doenças relacionadas ao clima, entre elas, a dengue e malária. Por meio do cruzamento e análise dessas informações, é possível calcular o Índice Municipal de Vulnerabilidade aos Impactos de Mudança Climática.

Com o desenvolvimento do software, que permitirá a identificação das cidades do Mato Grosso do Sul mais vulneráveis à mudança do clima, gestores públicos com a participação da sociedade civil, poderão planejar e executar ações e medidas para reduzir os impactos das alterações climáticas nos municípios e aumentar a capacidade de adaptação da população a esta nova realidade.

Fonte: A Crítica CG

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