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Autuação foi no assentamento Tamarineiro II, em Corumbá (MS)
Se condenados, assentados podem pegar de um a dois anos de reclusão.

Policiais Militares Ambientais (PMA) autuaram e multaram dois assentados, de 52 e 74 anos, em R$ 2,5 mil por uso ilegal de motosserras e por exploração de aroeira nessa noite de sexta-feira (15) no assentamento Tamarineiro II em Corumbá, a 415 quilômetros de Campo Grande.

Segundo informações da PMA, eles derrubaram as árvores de espécie protegida por lei com as máquinas que não possuem Documento de Porte e Uso (LPU). A LPU é uma licença ambiental obrigatória para o transporte e utilização do equipamento.

As atividades foram interditadas. Os infratores responderão por crime ambiental, e se condenados, podem pegar pena que varia de um a dois anos de reclusão. O corte também é proibido em desmatamentos autorizados.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) proíbe o corte da aroeira e de outras madeiras nobres sem plano de manejo, que também precisa ser aprovado por órgãos ambientais.

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Região inundada por desastre ambiental no Pantanal do MS, equivale a quase quatro vezes o município de SP, segundo a Embrapa.

Rompimentos do Rio Taquari já inundaram 600 mil hectares de terra, segundo a Embrapa.
A margem esquerda do rio na região, conhecida como Nhecolândia, também já foi atingida.

Navegando pelo leito principal do rio Taquari, é possível ver uma curva que seguiria pelo curso normal em uma direção, mas acabou tomando um novo rumo, rompeu a margem e invadiu fazendas. É o mais recente arrombamento que o Rio Taquari sofreu nas últimas décadas.

A pastagem, bem no ponto onde a boca estourou, é da família do produtor rural Daniel Marinho. Dos 15 mil hectares, 10% ficou debaixo d’água. “Na hora em que a água vai para o campo ela vai perdendo velocidade. Dessa maneira, ela vai parando no meio do capim e aí é como se fosse uma mangueira furada em um jardim: a água para e vai inundando uma área gigantesca”, afirma Marinho.

Daniel coordena a ONG SOS Taquari, que reúne produtores rurais, pescadores e barqueiros que buscam uma solução para amenizar os prejuízos com as mudanças no rio. “O Pantanal está morrendo, está acabando tudo – tanto o pantaneiro como o Pantanal também”, lamenta Daniel.

Se por um lado tem pessoas sofrendo com os alagamentos, quem depende do leito principal do Rio Taquari para sobreviver, agora enfrenta a seca. Onde era um corixo, como os moradores chamam os canais que recebem água do rio, atualmente não tem nada de água. Os pequenos agricultores não conseguem mais produzir.

O Taquari, que mudou a vida de muitas pessoas, também sofreu alterações na sua foz. Como não tem mais uma calha só, encontra diferentes caminhos para chegar ao Rio Paraguai. A foz original é pelo Porto da Manga. Essa foz ficou seca por muito tempo – no ano passado a água até voltou, mas com bem pouco volume.

Seu Armando Lacerda é o dono da área por onde passa o corixo. Na beira do Rio Paraguai, ele e a mulher, dona Marli, abriram uma pousada para explorar o turismo ecológico. Foi o jeito de continuar por ali. A fazenda de 30 mil hectares está desativada. “Esta foi a maneira de continuar com parte das nossas atividades”, afirma Armando.

No local, o lugar onde há mata nativa na margem e aves, também foram encontrados muitos peixes. Os cardumes e a vegetação exuberante no fim de rio são uma exceção. Na imensidão de alagamentos permanentes provocados pelos arrombamentos, a vida aquática é escassa.

A chefe da Embrapa Pantanal, a bióloga Emiko Resende, explica por que o Pantanal depende do ambiente de enchente e depois de seca.  “Quando vem a seca, parte da vegetação morre e serve de adubo para a vegetação terrestre que vem. Quando vem a cheia, a vegetação terrestre é alagada, não suporta inundação e vira matéria orgânica que os peixes comem e outros insetos. Isso refaz a cada ano a cadeia alimentar”, conta.

“Quando isso não acontece e enche o ano inteiro, não tem essa renovação. Então, muito embora tenha muita água, tem pouco alimento dentro dessa água. Aí passa a funcionar como se fosse um enorme deserto aquático”, completa Emiko, que trabalha há 25 anos no Rio Taquari e considera muito grave o que está acontecendo.

O sobrinho do escritor Manoel de Barros, Luciano de Barros, sofre só de pensar em um dia ter que abandonar sua fazenda na Nhecolândia, perto do Rio Taquari. “O que é o Pantanal para nós? É a nossa vida”, diz ele.

Fonte: Globo Rural

Mato Grosso do Sul deu o primeiro passo para auxiliar o Brasil a atingir as metas estabelecidas para a redução das emissões de carbono e contenção dos efeitos do aquecimento global, firmadas no documento final da Conferência Mundial do Clima (COP 21) realizada em dezembro do ano passado em Paris. O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico (Semade) realizaram na segunda-feira (15), a primeira reunião do Grupo de Trabalho sobre Mudanças Climáticas e Biodiversidade.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck, “o GT está no ambito do PPA (Plano Plurianual) da Semade e integra as ações do ProClima, programa idealizado para discutir e propor políticas públicas sobre o tema. O objetivo inicial desse grupo é o de apresentar ao final de 2016 um Plano Estadual para as Mudanças Climáticas e oferecer contribuições efetivas para as metas brasileiras firmadas na Carta de Paris”.

Técnicos do Imasul e da Semade integram o GT, juntamente com representantes de outros órgãos do governo do Estado, como a Defesa Civil, Secretaria de Produção e Agricultura Familiar (Sepaf) e Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação (Sectei). Serão realizados encontros periódicos para o nivelamento do conhecimento dos integrantes e levantamento de todo o know how de pesquisas e estudos existentes sobre o assunto em Mato Grosso do Sul.

“Trata-se de um novo paradigma a ser estabelecido em nosso Estado. Não podemos falar de Desenvolvimento Sustentável sem tratar de ações que contribuam para conter o aquecimento global. O GT vai nos indicar caminhos para estabelecer uma política pública de governo. Será um trabalho intenso e ousado, mas que vai nos possibilitar contribuir significativamente para o país e o mundo”, afirma o secretário-adjunto da Semade, Ricardo Senna.

Algumas ações concretas já serão realizadas ainda no primeiro semestre deste ano. “Vamos realizar um seminário com pesquisadores da área e instituições que tratam do tema. Temos uma proposta audaciosa que é a de criar o programa Estado de Mato Grosso do Sul Carbono Zero. Já possuímos um agricultura tecnificada e uma produção industrial com práticas sustentáveis. Nós acreditamos que podemos ser um Estado pioneiro e nos destacar nacionalmente sob o ponto de vista estratégico. Queremos liderar o processo de mudanças climáticas e mostrar que é possível um Estado ser Carbono Zero”, informou o titular da Semade e diretor-presidente do Imasul.

Além do secretário Jaime Verruck e do secretário-adjunto Ricardo Senna, também participaram da primeira reunião do GT Mudanças Climáticas e Biodiversidade a diretora de Desenvolvimento do Imasul, Thaís Azambuja Caramori, a gerente de Desenvolvimento e Modernização, Eliane Crisóstomo Dias Ribeiro, o superintendente de Ciência e Tecnologia da Sectei, Renato Roscoe, representantes da Sepaf, da Defesa Civil e fiscais, analistas e gestores ambientais do Instituto. Outras entidades poderão ser convidadas a participar do GT, que será coordenado pela Semade e pelo Imasul. (fonte: idest.com.br)

 

Iniciativa é resultado de uma parceria entre Fundação Oswaldo Cruz e Ministério do Meio Ambiente.

De acordo com informações do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), é esperado um aumento da temperatura e redução das chuvas para a região Centro-Oeste do país e o bioma do Pantanal nas próximas décadas. Para entender melhor essa realidade e estimular o debate sobre as mudanças climáticas no Mato Grosso do Sul, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizarão uma visita técnica à Campo Grande, nos dias 17 e 18 de fevereiro.

Esta visita integra as ações do projeto Vulnerabilidade à Mudança do Clima, desenvolvido pela Fiocruz e Ministério do Meio Ambiente (MMA). O objetivo da iniciativa é avaliar os riscos gerados pelo aquecimento global às populações nas cinco regiões do país. Além de fomentar o diálogo sobre esse assunto, será criada uma ferramenta, um software, para mensurar a vulnerabilidade humana às mudanças do clima, conforme cada município.

A proposta do encontro é reunir gestores para a apresentação de dados preliminares no estado e mostrar o trabalho similar realizado no Espírito Santo, além da coleta de novas informações para o desenvolvimento de estudos sobre vulnerabilidade. No dia 17 de fevereiro, a equipe técnica do projeto visitará a sede do Instituto de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul (IMASUL) e no dia 18 será promovida uma reunião na sede da Fiocruz em Campo Grande, às 9h, com representantes das secretarias estaduais de Saúde e Meio Ambiente, Centro de Monitoramento de Tempo, do Clima e dos Recursos Hídricos de Mato Grosso do Sul (CEMTEC) e IMASUL.

Desenvolvimento do projeto

O projeto é executado em seis estados brasileiros: Espírito Santo, Pernambuco, Paraná, Maranhão, Amazonas e Mato Grosso do Sul, sendo este último o representante da região Centro-Oeste do país.

Para a realização desses estudos são consideradas informações de cada município referentes à preservação ambiental, a dados sobre a população, como saúde e condições socioeconômicas e a ocorrência de fenômenos extremos, a exemplo de tempestades e doenças relacionadas ao clima, entre elas, a dengue e malária. Por meio do cruzamento e análise dessas informações, é possível calcular o Índice Municipal de Vulnerabilidade aos Impactos de Mudança Climática.

Com o desenvolvimento do software, que permitirá a identificação das cidades do Mato Grosso do Sul mais vulneráveis à mudança do clima, gestores públicos com a participação da sociedade civil, poderão planejar e executar ações e medidas para reduzir os impactos das alterações climáticas nos municípios e aumentar a capacidade de adaptação da população a esta nova realidade.

Fonte: A Crítica CG

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