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A adoção da integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) pode revolucionar o perfil das propriedades rurais. “Das grandes às pequenas, sem distinção”, enfatiza o pesquisador Carlos Eugênio Martins, da Embrapa Gado de Leite, de Juiz de Fora (MG). Em Minas Gerais, pequenos produtores, como o pecuarista Márcio José de Resende, de Coronel Xavier, viram mudar suas chácaras radicalmente. “Isso aqui era só grama e rabo de burro (erva daninha invasora de pastos)”, lembra. “Hoje, tenho pasto recuperado, pastagem farta e uma safra de madeira para ser aproveitada.”

Na propriedade de 26 hectares, familiar, a adoção da ILPF aconteceu na safra 2009/2010. Leonardo Calsavara, daEmater-MG, entidade que participou da implantação do sistema no sítio, lembra que, naquela época, o custo por hectare da ILPF foi de R$ 2.200. “No primeiro ano, só a produção de milho foi suficiente para cobrir os custos iniciais e gerou um resíduo de R$ 600 por hectare”, diz.

Na propriedade, foram plantados milho, braquiária e eucalipto. As vacas leiteiras passaram a produzir 600 litros de leite por dia após três anos de implantação. “Foi possível preservar a Reserva Legal, pois a madeira (originária da desrama) tornou a fazenda autossuficiente em madeira.”

Em Mar de Espanha (MG), o produtor Vicente Machado também adotou o sistema. “Compramos o sítio em 1979 e, com o uso intensivo dos pastos, ele ficou degradado e eu sem dinheiro para recuperar a área, de 120 hectares”, diz. “Com a ILPF, foi possível recuperar os pastos e ter solo adubado para plantar milho e braquiária. Hoje, a vaca vem comer capim na ponta, não é mais tratada no cocho. É ela quem escolhe o que quer comer, quando quer e quanto quer comer. Só foi preciso mudar nossos hábitos.”

Dúvidas frequentes

1.É possível adotar o sistema de integração lavoura-pecuária-floresta em pequenas propriedades?
A integração lavoura-pecuária-floresta é um sistema que adapta-se a qualquer tamanho de propriedade, desde que as condições edafoclimáticas (características do clima e solo) não sejam restritivas. É importante lembrar que o plantio consorciado de milho com capim (jaraguá e colonião), nas décadas de 1950 e 1960, foi prática comum na implantação manual de pasto nas “roças de toco”, portanto, pode ser adotada em pequenas áreas. Mas, em propriedades com uso intensivo de máquinas agrícolas e insumos, a escala de produção pode ser determinante da viabilidade econômica do sistema. É preciso ter planejamento eficiente, gestão competente e envolvimento de uma equipe multidisciplinar.

2.Existe um programa de financiamento ou linha de crédito para quem deseja adotar o sistema ILPF na propriedade?
A ILPF é uma das tecnologias incentivadas pelo Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Programa ABC), criado em 2010 pelo governo federal e que concede créditos para quem adota técnicas agrícolas sustentáveis. A taxa de juros é de 5,5% ao ano. O prazo de pagamento pode chegar a 15 anos. O Programa ABC também incentiva a adoção de plantio direto, fixação biológica de nitrogênio, recuperação de áreas degradadas, plantio de florestas e tratamento de resíduos animais.

3.Como selecionar a espécie florestal para compor o sistema? Existem outras espécies de árvores recomendadas para o sistema ILPF além do eucalipto?
As espécies arbóreas devem ser escolhidas de acordo com a adaptação ao local, arquitetura da copa, facilidade de estabelecimento, exigências do mercado, ritmo de crescimento, tipo de raiz, controle de erosão e escorrimento superficial de águas da chuva, sombra para animais e compatibilidade com pastagens e gado. A espécie de maior potencial de utilização em ILPF é o eucalipto, graças a seu rápido crescimento, oferta de clones adaptados a diferentes regiões, copa rala, elevado rendimento econômico e usos múltiplos com a produção de madeireiros e não madeireiros. Outras espécies sendo utilizadas são acácia, paricá, pinho cuiabano, mogno africano, cedro australiano, canafístula, grevílea ou pínus. Também há pesquisas com mogno brasileiro e teca.

4.Como determinar o espaçamento ideal de árvores e a quantidade de linhas e renques?
Existem arranjos diferentes, de acordo com perfil, localização e objetivos da propriedade. O arranjo mais simples e eficaz é o de aleias, em que as árvores são plantadas em faixas (linhas simples ou múltiplas) com espaçamentos amplos. A distribuição das faixas de plantio das árvores é realizada preferencialmente no sentido leste-oeste e deverá ser em curvas de nível, impedindo a erosão do solo e a perda de água por escoamento superficial.

5.Existem limitações físicas ou geográficas para a implantação do sistema ILPF, como geadas, seca ou terrenos declivosos, arenosos ou muito úmidos?
Em solos declivosos, a principal limitação é a mecanização, mas é possível o uso de implementos com tração animal e a distribuição das faixas de árvores deve ser realizada em curvas de nível. Nas demais situações, já existem conhecimento e tecnologias adaptadas para diferentes condições edafoclimáticas.

6.O produtor que adotar o sistema ILPF deve fazê-lo em toda a área?
Se o produtor não tem experiência com ILPF, recomenda-se começar em áreas menores para conhecer os processos e práticas necessárias e, além disso, minimizar riscos financeiros.

7.É verdade que o eucalipto retira muita água do sistema ILPF?
O eucalipto não consome mais água por unidade de biomassa produzida do que qualquer outra espécie vegetal. O consumo de água de uma floresta de eucalipto é em torno de 900 a 1.200 milímetros por ano.

8.O componente florestal (F) do sistema ILPF é obrigatório em todos os casos?
Não. O conceito de ILPF adotado pela Embrapa, por exemplo, engloba modalidades sem árvores (integração lavoura-pecuária) e com árvores.
9 Depois de quanto tempo é possível obter retorno econômico com a adoção da ILPF?
Em sistema de integração lavoura-pecuária, em dois anos é possível obter retorno positivo. Nos sistemas agrossilvipastoris, dependendo das práticas silviculturais adotadas, os retornos positivos podem ser obtidos entre quatro e oito anos.

Fonte: Embrapa via Globo Rural

O plantio consorciado de Ricardo Vilela, da Bela Vista Florestal, fica em Campo Belo (MG) e tornou-se um modelo bem sucedido no País

No Seminário Brasileiro sobre Sistemas de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta, o Integra iLPF – promovido pelo Painel Florestal -, que está sendo realizado dentro da Expotrês, em Três Lagoas (MS), um painel que chamou a atenção do público foi o de Ricardo Vilela, que é da Fazenda Bela Vista. Ele foi destaque no programa Globo Rural e tem uma experiência positiva com iLPF, porém, com a integração de café e cedro australiano.

Na fazenda mineira Bela Vista, de 200 hectares, essa integração ocorre e está tendo bastante investimento, sendo que o cedro australiano começou a ser plantado em 2004 e hoje ocupa 70 hectares. “Tem muitos estudos sobre cedro australiano. Temos que investir. Uns acham melhor só na pecuária, outros na floresta e outros arriscam, assim como eu, trabalhando na integração de cedro australiano e café”, afirma Vilela.

Otimista com os resultados alcançados, Ricardo Vilela diz que o cedro australiano é uma madeira de alta qualidade para o setor moveleiro e é destinada também para fins nobres. “É algo muito promissor. Eu trabalho apenas com o mercado interno e acredito muito. Já tive tratativas com outros países, todavia, eles não querem menos que dez containers. A madeira é igual quando matamos boi. Temos que tirar a melhor parte e a pior, além de vender tudo para não termos prejuízo. Tem que ser bem planejado, uma vez que vender tora é difícil devido à questão logística. Muitas vezes não compensa. A madeira serrada não prejudica o negócio e é melhor o retorno pensando em logística”, reforça.

Sobre o processo de plantação do cedro australiano, junto com o café, Ricardo Vilela diz que “tem alguns que fazem três linhas de café e outras de cedros. O ideal é ter 120 plantas de cedro por hectare, pois uma vez que tenho menos árvores por hectare, tenho um produto de maior valor. Com 50 de diâmetro eu já posso tirar e mandar para a serraria”, acrescenta.

Cultivo

Conforme matéria publicada no site da revista Globo Rural, edição de abril, onde a fazenda de Vilela foi destaque, o cedro australiano não é uma árvore rústica como o eucalipto. E para produzir bem exige uma série de cuidados. O primeiro ano de vida é a etapa mais delicada do desenvolvimento da planta. Além de caprichar na adubação, os agricultores precisam evitar o crescimento de mato nas entrelinhas e devem usar produtos pra combater um inimigo bem conhecido: a saúva. Nos primeiros anos de crescimento, um cuidado importante é fazer a poda dos galhos inferiores, que podem criar nós na madeira. Pelas contas da fazenda Bela Vista, considerando todos os gastos até o corte final da árvore, aos quinze anos, o cultivo exige um investimento médio de R$ 26 mil por hectare.

Quando chega aos três anos de vida, o cedro australiano precisa passar por um primeiro desbaste. O objetivo é cortar um quarto das árvores, para aumentar a entrada de luz, reduzir a competição e fazer uma primeira triagem. Com isso, o cultivo, que começou com 820 árvores por hectare vai ficar com cerca de 600. Nessa etapa, como as árvores são jovens, a madeira só pode ser vendida para lenha, o que gera em média, R$ 1 mil por hectare.

Quando chega aos oito anos de vida, o cedro australiano passa por um segundo desbaste. É uma operação de grande escala, que tem o objetivo de cortar metade das árvores de cada talhão. Os cedros retirados nessa etapa têm porte médio e rendem toras que podem ser aproveitadas em serrarias. Com isso, cada hectare que tinha 600 árvores, ficará apenas com 300. As árvores que permanecem na área vão crescer bastante até os quinze anos de vida. Depois é o corte final.

Fonte: Painel Florestal

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Um evento prático, com experiências compartilhadas, acertos e erros de quem adotou algum modelo do sistema de integração Lavoura, Pecuária e Floresta (iLPF) e obteve bons resultados em produtividade e, consequentemente, aumentou seus ganhos.

O INTEGRA iLPF – Seminário Brasileiro sobre Sistemas de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta vai reunir, no dia 22 de junho (quarta-feira), especialistas e produtores rurais que estão obtendo resultados com a prática.

Totalmente gratuito  e destinado a produtores rurais da região de Três Lagoas e Alta Paulista, o INTEGRA iLPF será no auditório do Sindicato Rural de Três Lagoas (MS) durante a 39ª Exposição Agropecuária de Três Lagoas (ExpoTrês).

O evento também marcará o lançamento da 3ª Feira da Cadeia Produtiva da Indústria de Base Florestal Sustentável da Região de Três Lagoas, o Três Lagoas Florestal que acontecerá nos dias 28, 29 e 30 de março de 2017.

Palestrantes de peso

Depois das boas vindas do presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, Marco Garcia, a primeira palestra será com o vice-presidente da STCP Engenharia de Projetos, Joésio Siqueira, que reúne mais de 37 anos de experiência na coordenação e elaboração de projetos de manejo florestal. Ele vai responder porquê o iLPF é um modelo viável para o agronegócio.

O painel “Resultados práticos dos principais experimentos do país” terá a presença de especialistas da Embrapa como Vanderley Porfírio da Silva, Chefe Adjunto da Transferência de Tecnologias da Embrapa Florestas e Valdemir Antônio Laura, Pesquisador da Embrapa Gado de Corte e também do renomado consultor Celso Medeiros.

Por fim, o INTEGRA iLPF trará a experiência de sucesso de William Marchió, diretor executivo da Rede de Fomento à Integração Lavoura, Pecuária e Floresta e consultor de um dos projetos modelos no país, a fazenda Santa Brígida, capa da revista Globo Rural do mês de abril.

Cláudia Cury, engenheira agrônoma e filha do Dr. Augusto Cury (um dos escritores brasileiros mais lido no mundo também vai compartilhar sua experiência. Sua família, desde 2014 se dedica à raça Senepol, aliando genética, cria de bezerros à um dos maiores projetos de Mogno Africano do Brasil, na fazenda Serra Branca, no município de Prata (MG)

Ricardo Vilela, que teve sua experiência com cedro australiano, recém exibida no programa Globo Rural (e destaque da revista também do mês de abril), falará sobre a integração da madeira nobre com café, atividade que exerce na propriedade da família em Campo Belo (MG).

Serviço:

Seminário Brasileiro sobre Sistemas de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta

22 de junho de 2016 – Quarta-feira – 07h30 às 12h30 – Três Lagoas – MS

Realização: Painel Florestal

Co-Realização: Sindicato Rural de Três Lagoas

Apoio: Abag | Reflore/MS | CNA | Câmara Setorial de Florestas Plantadas (MAPA) | Rede de Fomento à ILPF

Patrocínio Ouro: Arborgen | Innovatech Negócios Florestais

Patrocínio Prata: Mirex-S | DINAGRO

Patrocínio Bronze: Ellepot | Bayer

Inscrições: http://www.painelflorestal.com.br/integra

Informações: Painel Florestal

Fonte: Ar-Comunicação via Jornal dia a dia

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