Tag: Khaya Ivorenses

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Visando o melhor entendimento sobre as diferenças entre as espécies de mogno africano cultivadas como floresta para extração futura de madeira no Brasil, compartilhamos este artigo de pesquisa de campo realizado pelo senhor Milton Frank, associado da ABPMA (Associação Brasileira dos Produtores de Mogno Africano) com relação ao estresse hídrico nas espécies.

Observa-se que a espécie Khaya Ivorenses apesar de possuir madeira mais uniforme e retilínea é menos resistente a seca, principalmente no período pós plantio.

Outra dificuldade relatada em outros artigos na internet é que é mais vulnerável a broca (lagarta que apodrece a madeira) no período adulto.

Já a espécie Khaya Senegalenses possui madeira mais arrepiada, com mais galhos, porem sua resistência é surpreendentemente maior  que a Ivorenses na seca e sem incidência de broca na idade adulta, demandando apenas um maior cuidado na ralhação de galhos. Confira o artigo:

O ESTRESSE HÍDRICO É BENÉFICO PARA O MOGNO IVORENSIS E SENEGALENSIS

Aqui no Mato Grosso em Diamantino no ano passado choveu cerca de 2.100 mm. Foi um ano atípico, pois o normal é um índice em torno de 1.600 mm. Acontece que durante os meses de abril, maio, junho, julho e agosto não caiu uma gota de chuva aqui na região. Veio a chover no dia 29 de setembro de 2014 e mesmo assim apenas 10 mm. A chuva só firmou agora dia 23 de outubro de 2014.

Com este cenário de seca tive o seguinte resultado nos plantios de Mogno Ivorensis e Senegalensis:

MOGNO IVORENSIS:

1-     De uma população de 8.000 mudas plantadas de mogno ivorensis apenas 73 mudas secaram e morreram. 1609 mudas ficaram sem folhas, pois elas caíram em sua totalidade, As demais mudas apenas sentiram a seca com os seguintes sintomas: algumas folhas caíram, algumas folhas ficaram amareladas, algumas folhas secaram nas suas pontas, e algumas folhas murcharam de dia se recuperando à noite.

2-     Logo depois das primeiras chuvas todas as mudas de mogno ivorensis retomaram o crescimento e soltaram brotos. O que me chamou a atenção é que o crescimento médio do mogno ivorensis depois das primeiras chuvas foi de 46,36 cm até hoje dia 29/10/2014. As árvores vão continuar a crescer e vou torná-las a medir quando o período chuvoso terminar no final de março de 2015.

3-     Replantei as 73 mudas que morreram logo após a queda da primeira chuva e elas estão vigorosas.

MOGNO SENEGALENSIS:

1-     De uma população de 8.000 mudas plantadas de mogno senegalensis apenas 6 mudas secaram e morreram. Nenhuma muda ficou sem folhas, As demais mudas não sentiram absolutamente nada.

2-     Logo depois das primeiras chuvas todas as mudas de mogno senegalensis retomaram o crescimento e soltaram brotos. O crescimento médio do mogno senegalensis depois das primeiras chuvas foi de 18,36 cm até hoje dia 29/10/2014. As árvores vão continuar a crescer e vou torná-las a medir quando o período chuvoso terminar no final de março de 2015.

3-     Replantei as 6 mudas que morreram logo após a queda da primeira chuva e elas estão vigorosas.

COMPARATIVO DAS DUAS ESPÉCIES:

1-     O Mogno Senegalensis cresceu mesmo durante a seca. Durante o período de seca o mogno senegalensis cresceu 22,8 cm em média.

2-     O Mogno ivorensis também cresceu na seca, mas seu crescimento médio foi de 1,34 cm.

3-     O mogno senegalensis não sentiu a seca tanto num solo argiloso quanto num solo arenoso com 16% de argila.

4-     O mogno ivorensis não sentiu a seca no solo argiloso, porém ele sentiu a seca num solo arenoso com 16% de argila.

5-     No geral a seca não prejudicou o plantio de nenhuma das duas espécies de mogno.

6-     O mogno ivorensis teve um índice de mortalidade de 0,9125% o que é excelente em silvicultura.

7-     O mogno senegalensis teve um índice de mortalidade de 0,075% o que é espetacular a nível de silvicultura.

MANEJO DESTES DOIS PLANTIOS – SILVICULTURA A MODA ANTIGA USANDO NOVAS TECNOLOGIAS:

1-     Foi dado dois ferros de grade 36 no solo.

2-     Foi jogado 2 toneladas de calcário calcítico por hectare

3-     O solo foi nivelado

4-     Foi aplicado os defensivos SOLARA e SAVANA. A dose foi de 1,5 litros por hectare.

5-     Foi feito uma cova de 60 cm de profundidade para o plantio

6-     No fundo da cova foi colocado 300 gramas de adubo 9%  de nitrogênio, 2% de fósforo, 9% de potássio, 5%de enxofre, 1% de boro, 1% de zinco e 0,5% de manganês.

7-     Depois de depositado no fundo este adubo cobrimos a cova com 30 de terra.

8-     Depois disso plantamos a muda com muito cuidado e manualmente no chão.

9-     Para combater formiga usamos DINAGRO-S que mostrou uma eficiência de 100%, pois nenhuma muda sofreu ataque de formigas. Nosso combate foi feito da seguinte forma: Combate total duas semanas antes do plantio diretamente nas trilhas das formigas e nas intermediações dos olheiros. Quantidade de formicida calculada conforme instruções do fabricante. Depois do primeiro combate fizemos de 3 em 3 meses o combate sistemático.

10-  Não fizemos ainda nenhuma capina ou roçada. O que fizemos foi um coroamento depois do sexto mês de plantio apenas nas mudas que apresentaram mato competição. Após o coroamento aplicamos FORDOR com pulverizador costal na área do coroamento feito.

11-  Aplicamos no pé das mudas no mês de fevereiro e março (antes da seca) o produto REDIRENOVARE que é um produto a base de turfa. Este produto age na facilitação da liberação dos nutrientes que estão no solo. Nossa intenção foi fortalecer as mudas a fim de que elas ficassem aptas para enfrentar a seca.

12-  Usamos também o produto REDISTART que é um bioativador florestal, também considerado um fertilizante líquido e sua aplicação é folear. Este produto foi aplicado em dezembro, de dois a três meses após o plantio. Aplicamos com pulverizadores costais.

OBSERVAÇÃO: Os produtos REDINOVARE e REDISTART foram fornecidos gratuitamente pela REDI FERTILIZANTES que em troca solicitou o acompanhamento dos resultados práticos e a passagem deste resultado para eles.

Milton Frank, associado da ABPMA

Fonte: ABPMA

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