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São Paulo – As florestas ocupam 22% do território daÍndia. É pouco, mas vale muito: nada menos do que US$ 1,7 trilhões, quase o PIB do próprio país, e mais que o do Canadá. A estimativa vem de um relatório produzido por uma painel de cientistas do Instituto Indiano de Pesquisa e Gestão Florestal da Índia.

Em 2013, a pedido do governo indiano, eles calcularam o Valor Presente Líquido (VPL) das florestas indianas para uma situação hipotética em que toda a cobertura vegetal fosse convertida para atividades econômicas.

Como nossas sociedades têm dificuldade de enxergar valor em coisas que não circulam dentro do tradicional sistema de preços — quanto custam as árvores, as águas de um manacial ou até mesmo o ar que se respira? — a valoração ambiental tem atraído atenção de governos, que buscam de alguma forma legitimar a importância da preservação dos ecossistemas naturais.

No caso indiano, a legislação determina que quando terrenos florestais são convertidos para uso industrial, o desenvolvedor do projeto tem que pagar uma quantia determinada para a arborização compensatória e o Valor Presente Líquido (VPL) da floresta, para compensar a perda de ecossistema.

Neste mês, o ministro de Meio Ambiente daquele país aprovou o relatório apresentado em 2013, que a partir de agora servirá de base para calcular o valor de compensação florestal por áreas que vierem a ser desmatadas. As taxas de cobrança foram fixadas em 2008, mas a nova revisão de valores deve duplicar essas taxas, segundo o Hindu Times.

O desmatamento, seja ele legal ou ilegal, é um ciclo vicioso. Na Índia, a perda de cobertura florestal está associada, principalmente, à agricultura, exploração de madeira, mineração e construção indiscriminada de projetos hidroelétricos. Para agravar, o país ainda tem uma população em crescimento constante e uma urbanização desordenada, o que aumenta a pressão sobre as áreas verdes.

O saldo da perda de floresta é sempre desastroso, e inclui erosão do solo, secas e enchentes extremas. Um estudo recente do Indian Institute of Science de Bangalore estimou que o desmatamento em grande escala poderia, até mesmo, mudar a direção das chuvas de monção para o sul do país, o que reduziria a precipitação na Índia em quase um quinto, segundo os cientistas.

Na prática, com a aplicação das novas taxas pelo Ministério do Meio Ambiente, a Índia vai aumentar a sua arrecadação junto aos industriais e talvez frear novas investidas do setor sobre as áreas florestadas remanescentes.

Apesar das aparentes boas intenções da nova abordagem, as autoridades deixaram de fora cerca de 400 milhões de pessoas que dependem direta ou indiretamente dos recursos florestais para sua sobrevivência.

Ao contrário do que propunha o relatório do Instituto Indiano de Gestão Florestal e Pesquisa Florestal da Índia, as comunidades florestais não serão contempladas pelo fundo de compensação por desmatamento. Então quando uma floresta for desmatada para fins econômicos, as comunidades tradicionais afetadas não serão compensadas e tampouco participarão do processo de decisão inicial.

Historicamente, a Índia herdou uma infraestrutura de governança florestal colonial que trata as florestas como propriedade do Estado. Essa situação gerou nos últimos anos uma grande mobilização nacional exigindo direitos locais sobre as florestas e culminou em 2006 com a criação da Lei de Direitos Florestais.

Mas as autoridades indianas ainda falham em reconhecer os direitos coletivos territoriais dos grupos tribais. A falta de direitos legalmente reconhecidos deixa as comunidades vulneráveis à perda de suas terras, o que, por tabela, também reduz a proteção das florestas, um problema que extrapola as fronteiras indianas.

Globalmente, existem pelo menos 513 milhões de hectares de florestas comunitárias, reconhecidas legalmente. Estudos mostram que esses terrenos, mantidos coletivamente por populações rurais ou indígenas, revelam-se aliados na luta pela preservação ambiental e no combate às mudanças climáticas.

Nesse sentido, fortalecer os direitos das comunidades florestais e expandir suas áreas é uma oportunidade para os governos cumprirem suas metas climáticas ao mesmo tempo em que protegem o meio ambiente.

Fonte: Revista Exame

O desmatamento ilegal da Floresta Amazônica avança a despeito da importância que a comunidade científica mundial e a sociedade atribuem ao bioma e ao impacto de sua destruição no clima do planeta. Em Mato Grosso, a região noroeste abriga o último maciço da floresta no estado e sofre forte pressão para exploração madeireira e ocupação de novas áreas para a produção agropecuária.

Entre os meses de agosto e dezembro de 2015, 419 quilômetros quadrados de Floresta Amazônica desapareceram do mapa no estado, de acordo com dados do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), operado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) com base em imagens de satélite gerados pela plataforma Google Earth Engine (EE).

A derrubada da mata nativa faz de Mato Grosso o único estado da Amazônia Legal a ampliar a área desmatada nos últimos cinco meses de 2015, com aumento de 16% no corte raso da floresta em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do SAD.

Entre janeiro e março de 2016, período de chuvas na região amazônica, as nuvens dificultam a visualização do desmatamento e da degradação florestal. O Boletim de Desmatamento da Amazônia Legal referente a janeiro de 2016, do Imazon, informa que Mato Grosso apresentou 63% de seu território coberto por nuvens, impedindo o cálculo do desmatamento no período.

Análises de imagens de satélite mostram que a tendência de retomada do desmatamento no estado começou em 2013. Segundo a especialista do Instituto Centro de Vida (ICV) de Mato Grosso Alice Thuault, o desmatamento total detectado de agosto a dezembro de 2015 é 670% maior do que o registrado no mesmo período em 2013.

“O padrão do desmate no estado mudou nos últimos 15 anos, provavelmente por causa dos satélites que dificultam que grandes áreas sejam derrubadas. Hoje, temos vários desmates pequenos, enquanto no passado eram mais comuns os grandes”, disse Alice. Segundo ela, o fato indica que novos pequenos proprietários continuam abrindo áreas, especialmente no noroeste do estado.

O chefe da Unidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) do município de Juína, responsável pela fiscalização de toda a região noroeste do estado, Evandro Selva, explica que o potencial econômico da madeira e das terras da região ameaçam o que resta da floresta.

“Há uma certa ganância pelos recursos madeireiros do último maciço florestal de Mato Grosso e que tem colocado em xeque a sobrevivência da floresta na região. O avanço da agricultura nas áreas de pecuária tem empurrado o gado ao norte, e essas florestas já enfraquecidas pela exploração madeireira vão cair, é uma conta matemática”, avalia.

A superintendente do Ibama em Mato Grosso, Livia Passos Martins, defende a mudança do modelo de desenvolvimento da região como o único caminho para pôr um ponto final no desmate ilegal. “Já existem tecnologias que permitem o avanço do agronegócio sem ser sobre áreas remanescentes. Precisamos rediscutir o modelo do estado para tentar entender porque há mais de 20 anos o estado avança no agronegócio mantendo o formato anterior de desmatamento da floresta.”

Livia Martins destaca que a ideia de que o desenvolvimento do agronegócio no estado e a proteção ambiental não podem andar juntas é ultrapassada, e que estudos mostram que se áreas desmatadas e degradadas do estado forem recuperadas não será preciso derrubar mais árvores. “Não dá para repetir os modelos antigos que têm demonstrado fracasso no país. Se os lucros do agronegócio retornassem para o estado com a redução da pobreza, por exemplo, ou o aumento do nível educacional, mas não é isso o que acontece. Infelizmente, a grande renda ainda está concentrada na mão de poucos”, avalia.

A secretária adjunta de Gestão Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Elaine Corsini, disse que o governo de Mato Grosso está cada vez mais preocupado em oferecer alternativas econômicas ao desmatamento no estado, especialmente para os pequenos produtores.

“Dar alternativas para não desmatar, para gerar uma renda, vender madeira como fonte de renda. É preciso fazer com que tenham incentivos para usar territórios que já foram abertos no passado que, em muitas situações, o Código Florestal considera como áreas consolidadas, abertas antes de 2008, mas que ele possa produzir nessas áreas e evitar a abertura de novas áreas. Pensar em alternativas para que essas pessoas possam se estabelecer, produzir e viver da produção em áreas que já foram abertas,” explica.

Na última Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 21), sediada em Paris, em novembro de 2015, o governo federal assumiu o compromisso de acabar com o desmatamento ilegal da Amazônia até 2030. Em Mato Grosso, o governo estadual foi mais ousado e se comprometeu a acabar com o desmatamento ilegal no estado até 2020.

A estratégia apresentada pelo estado para acabar com o desmatamento ilegal foi desenvolvida em parceria entre todas as esferas do governo, especialistas de diversas organizações não governamentais e o setor produtivo.

O projeto prevê a substituição de 6 milhões de hectares de pastagens de baixo rendimento por cultivos de alta produtividade, sendo 3 milhões de hectares para grãos, como soja, milho e algodão, 2,5 milhões de hectares para a pecuária e meio milhão para floresta plantada. O projeto também prevê que 6 milhões de hectares de florestas nativas sejam licenciadas para manejo florestal sustentável, uma alternativa para explorar a madeira sem ameaçar a floresta.

A secretária Elaine Corsini destaca que o desmatamento no estado se concentra em poucos municípios que enfrentam questões fundiárias complexas, “cerca de 10”, o que torna difícil responsabilizar os culpados pelo desmate. “Precisamos fazer um esforço para efetivar a regularização nesses municípios”, disse. “Alguns municípios reclamam muito da questão fundiária. A regularização facilitaria, por exemplo, investimentos e acesso a crédito em muitas áreas.”, explica.

Elaine disse que as iniciativas para frear o desmatamento no estado estão previstas no Programa Municípios Sustentáveis. “O projeto vai captar recursos do Fundo Amazônia para fazer a regularização fundiária em diversos municípios. Teremos recursos para cadastrar os pequenos e fazer um levantamento de quem está no campo, produzindo o que, o que vai auxiliar no controle e planejamento para essas áreas”, disse Elaine, lembrando que o trabalho de combate ao desmatamento é conjunto e precisa envolver diversos órgãos.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), com o apoio técnico da Universidade de Brasília (UnB), está desenvolvendo um projeto em 126 assentamentos na região norte de Mato Grosso para fazer a regularização ambiental das áreas e um diagnóstico da produção nesses assentamentos. “Com esse diagnóstico, vamos saber mais sobre a realidade atual para sabermos como agir para resolver o problema”, explicou Elaine Corsini.

Regularização ambiental

A bióloga Alice Thuault, diretora adjunta do Instituto Centro de Vida, destaca que, além da problemática fundiária, o Brasil precisa avançar na regularização ambiental das propriedades rurais para combater desmates e queimadas ilegais.

Para Alice, a demora na implementação do Código Florestal Brasileiro gera uma expectativa de que a legislação não será colocada em prática. Além disso, dá a impressão de que novas áreas poderão ser regularizadas e consolidadas para a produção agropecuária e que a recuperação de passivos ambientais não será cobrada de quem está desmatando agora. “A gente está em 2016, o código foi aprovado em 2012, e poucos avanços aconteceram. Estamos numa situação em que todos estão duvidando que a política pública vai pegar e será colocada em prática”, disse.

Entre as regras previstas no Código Florestal está o Cadastro Ambiental Rural de todas as áreas rurais do país, documento em que o proprietário apresenta o mapeamento das propriedades e informa as áreas consolidadas para atividade produtiva, as áreas de reserva legal e os passivos ambientais que devem ser recuperados nos imóveis rurais.

Em seguida, cada estado vai validar os cadastros. A validação do CAR vai permitir ao estadosaber qual é o passivo ambiental de todas as propriedades rurais de acordo com a lei. A partir daí, os proprietários terão que apresentar uma proposta de regularização das áreas. Essa cobrança ainda não começou a ser feita em nenhum estado brasileiro.

Alice Thualth lamenta que a validação desses cadastros avance lentamente e teme a prorrogação do prazo, previsto para encerrar em maio de 2016. “Já deveríamos estar validando o CAR há quatro anos, mas essa atividade nem começou. Por isso tem muitos rumores sobre a prorrogação do prazo do CAR. Somos contra a prorrogação do CAR, mas sabemos que para ser feito o Estado precisa auxiliar os pequenos produtores a se cadastrarem. Esse, para mim, é um dois maiores fatores do desmatamento”, avalia.

No início de maio, o governo federal prorrogou por mais um ano o prazo para que os mais de 1 milhão de proprietários e posseiros de pequenas terras que ainda não fizeram o cadastro não sejam prejudicados no acesso aos benefícios previstos no Código Florestal. A prorrogação do CAR não vale para propriedades superiores a quatro módulos fiscais, o equivalente a 110 hectares. Nesse caso, os proprietários que não cumpriram o prazo vão perder o direito aos benefícios do Programa de Regularização Ambiental (PRA) e também ficarão sujeitos a restrições de crédito agrícola após 2017.

A secretária adjunta de Gestão Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Elaine Corsini, disse que, em Mato Grosso, a validação teve início em setembro e destacou que o estado está à frente dos demais. Segundo ela, a base de cadastros dobrou no último ano, passando de 43 mil para 87 mil propriedades. “Nós migramos os 43 mil cadastros que já tínhamos no sistema do estado para a base de dados do governo federal (Sicar) e em setembro do ano passado começamos a validar os cadastros, com um módulo feito pelo Serviço Florestal Brasileiro”, diz.

A superintendente do Ibama em Mato Grosso, Livia Martins, disse o Código Florestal pode ter influenciado o aumento do desmatamento. “Toda vez que se cria uma expectativa de mudança de legislação, cria-se uma certeza na mentalidade rural de que vai haver alguma facilitação, seja ela qual for. Até virar prátíca, a gente já perdeu uma boa parte da floresta. Então, sempre que há mudança de norma, é preciso haver uma estratégia de comunicação forte para que a gente possa atingir o entendimento daqueles que estão em locais distantes do estado.”

Livia defende que o CAR seja efetivado o quanto antes pois vai viabilizar ao Ibama identificar a regularização e os limites das propriedades onde há, por exemplo, sobreposição com terra indígena, por exemplo, se há reserva legal completa, se há área de preservação permanente conservada.

Ela avalia que, no momento, há uma lacuna entre a legislação estadual e federal, mas alerta os proprietários rurais a cumprirem as regras do código porque, segundo ela, não serãoflexibilizadas. “Até a norma virar prática e os proprietários se habituarem em como os órgãos de controle estão incorporando a legislação nos procedimentos leva um tempo, até que percebam como vai funcionar”, explica. “A ordem é: não vamos desembargar áreas com desmatamento recente. Desmatou recentemente, a área não vai ser desembargada”, afirma.

Problemas fundiários, fiscalização precária e violência são entraves no combate ao desmatamento da Amazônia

Área degradada no município de Colniza, noroeste de Mato Grosso. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Área degradada no município de Colniza, noroeste de Mato Grosso. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)Marcelo Camargo/Agência Brasil

As causas para a derrubada da vegetação nativa no noroeste de Mato Grosso são múltiplas. O desmatamento segue uma fórmula conhecida há décadas no estado, tanto nos assentamentos feitos por iniciativas de colonização privadas e públicas nas décadas de 60 e 80, quanto entre os que ainda chegam na região em busca de uma vida melhor. A madeira de alto valor econômico é extraída e depois se faz o corte raso da área, retirando toda a cobertura vegetal nativa para abrir espaço para pastagens ou plantações, em especial a monocultura da soja.

“A extração florestal, que é a parte inicial do desmate, dá o upgrade financeiro para manter o gado em cima, para fazer o pasto, fazer cercas, casas e estrada. É a madeira que dá esse aporte financeiro”, explica Evandro Selva, chefe da unidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de Juína, a 754 km de Cuiabá, responsável pela fiscalização de 11 municípios do noroeste do Mato Grosso.

A fiscalização ambiental na região é precária. Três fiscais do Ibama trabalham continuamente em campo em uma área de 150 mil km2. “A área é quase o estado do Paraná. Na unidade temos três fiscais ligados à fiscalização em campo. O pessoal da unidade não é suficiente, por isso nós temos o apoio da operação Onda Verde, que traz mensalmente fiscais de outras partes do país”, disse.

Evandro Selva contou que os fiscais ambientais que atuam na região sofrem ameaças com frequência. O helicóptero do órgão não está fazendo sobrevoos em Colniza, município campeão do desmatamento no estado, porque o serviço de fornecimento de combustível para a aeronave foi interrompido depois de que o caminhão-tanque foi impedido de chegar ao local.

“Recentemente nosso caminhão de combustível foi impedido de permanecer na cidade e foi mandado de volta para Juína. Nossa logística para chegar com a aeronave lá depende de apoio policial para escoltar esse caminhão, para que as equipes possam trabalhar com mais eficácia. Isso não impede que o Ibama trabalhe, só dificulta o nosso trabalho e cria uma certa tensão com as pessoas locais e com os fiscais que são de fora, mas não impede o trabalho”, diz.

A bióloga Alice Thuault, do Instituto Centro de Vida (ICV), avalia que alguns desses municípios são terras sem lei. “A maior parte dos desmatadores sabem o que estão fazendo, são quadrilhas organizadas. Os municípios com maior desmatamento têm também altos índices de violência. É o faroeste, é longe, o acesso é difícil. O mundo político precisa ser renovado e o estado precisa chegar.”

A superintendente do Ibama em Mato Grosso, Livia Martins, concorda que a ausência do Estado pode contribuir para desmatamento. “O noroeste é uma área de difícil acesso, então, na prática, o acesso é via helicóptero. A própria presença reduzida do Estado faz com que a ação de desmatamento aumente”, diz Lívia Martins.

Evandro Selva disse que o Ibama de Juína e a operação Onda Verde estão “focados exclusivamente” na questão do desmatamento. “Sempre tem outros crimes aliados a isso, muitos que fogem da competência do Ibama, como trabalho escravo, formação de quadrilha, desvio de recurso público, mas o que a gente enfrenta e que é competência do Ibama é a investigação dos responsáveis pelo desmatamento”, explica.

Apoio do Poder Público local

O chefe do Ibama no noroeste de Mato Grosso, Evandro Selva, disse que o órgão só conta com o apoio logístico de três prefeituras da região para a retirada de bens apreendidos durante as operações, como toras de madeira e tratores. “São os municípios de Juruena, Castanheira e Juína.” Segundo ele, nos demais municípios, não há parceria. “Hoje não temos que tirar equipamentos apreendidos no interior da terra indígena porque as prefeituras não apoiam nosso trabalho na questão logística. Eles não têm obrigação de fazer isso, seria mais uma questão de cooperação. E o Ibama hoje depende desse tipo de apoio, pois não temos contrato de logística.”

Evandro Selva disse que o Ibama tem processos de licitação em andamento para contratos de logística nessas regiões e que, em algumas operações, contam com o apoio do Exército Brasileiro. “Mas são casos isolados. Precisamos ter uma ferramenta que o Ibama possa lançar mão sempre que necessário”, argumenta.

Fonte: Agencia Brasil

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Plantar árvores faz bem para os negócios, para o planeta. É esta garantia que palestrantes deixam evidente na terceira edição do seminário “Plantar Árvores em Rondônia é um Grande Negócio”, que iniciou nesta quinta-feira (12), no município de Vilhena.

Durante o evento, o governador Confúcio Moura sancionou a lei que regulamenta o cultivo de florestas para a exploração comercial. O seminário é realizado pelo Governo de Rondônia e tem como objetivo difundir uma nova vertente econômica. Uma iniciativa que apresenta ao setor produtivo as vantagens e o caminho para que a floresta plantada se popularize.

Para governador Confúcio Moura, no momento em que a economia nacional necessita de otimismo e caminhos para a estabilização, Rondônia faz ‘uma pregação profética’. “Estamos anunciando que há um caminho para preservar a natureza e ganhar dinheiro: plantar florestas”, disse.

Acadêmicos de vários cursos, empresários, pequenos produtores e parlamentares recebem, nas instalações da faculdade Avec, informações sobre as vantagens e os benefícios da floresta plantada. Palestrantes revelam iniciativas de sucesso e apontam caminhos que podem resultar em fracasso.

O consultor Paulo de Souza Cardoso defendeu, na noite de quinta-feira, as florestas plantadas, mas advertiu que os produtores devem planejar bem, construir estrutura para o empreendimento e comunicar. Segundo ele, este tipo de projeto precisa ser conhecido para surtir os efeitos necessários.

Paulo Cardoso explicou ainda que a madeira está em tudo o que se faz no cotidiano e que as florestas plantadas são resposta eficaz para estas demandas, inclusive em relação aos efeitos ambientais positivos de que a natureza necessita. “A madeira está nos móveis, no trabalho, no carvão, na alimentação. Mas não nos damos conta disto”, exemplificou.

A deputada estadual Rosângela Donadon chamou de “poupança verde” o plantio de florestas e destacou que um projeto bem executado provoca impactos benéficos em diversos setores, alavancando a economia.

Após elogiar a lei sancionada momentos antes, que desburocratiza o plantio de florestas, Rosângela disse que um produtor da região extraiu 481 toneladas de resina bruta de ‘pinus’, o que rendeu R$ 1 milhão. “É possível, disse ainda, obter mais de 2 mil produtos da madeira e temos a China como destino certo para muitos deles”, concluiu.

“Temos uma legislação moderna, que veio da inspiração do produtor e dos engenheiros florestais. É o que há de mais moderno no país”, Confúcio Moura

Confúcio Moura lembrou que após o período em que a humanidade avançou à custa da destruição do próprio ambiente, lideranças mundiais se voltam para conter estes danos e a floresta plantada é uma das iniciativas mais promissoras neste campo.

O que Rondônia faz, agora, segundo o governador, é apresentar bases atrativas para o setor madeireiro, que já existe, mas precisa ser ampliado. “Temos uma legislação moderna, que veio da inspiração do produtor e dos engenheiros florestais. É o que há de mais moderno no país”, acrescentou.

Ele destacou também que há infraestrutura para atender a produção. “Temos boas rodovias, estradas vicinais trafegáveis e 600 máquinas para fazer os serviços necessários. Há, ainda, o rio Madeira como outra vertente para o transporte”, acentuou.

Palestrantes mostraram que Rondônia oferece condições que outras regiões não têm para o plantio de florestas. O sol abundante e a qualidade das terras, fazem com que a produtividade seja maior e precoce.

Os produtos resultantes de florestas de pinus e eucalipto foram apresentados aos participantes e produtores levaram, com o resultado de seu trabalho, o entusiasmo diante da lei que regula o setor.

Fonte: Rondoniagora

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É o que acredita o professor doutor Jorge Malinovski, diretor geral da Malinovski Florestal

O renomado professor doutor aposentado Jorge Malinovski participou do 4º Workshop Internacional do Mogno Africano, proferindo palestra sobre fatores que podem influenciar o plantio florestal. Diretor geral da Malinovski Florestal, ele explicou sobre o histórico da empresa e sua presença em outros países, além dos inúmeros eventos de sucesso, como a Expoforest e a recém-lançada Lignum.

Segundo Jorge Malinovski, o mogno africano tem 15 mil hectares plantados no Brasil. Ele acredita que este número deve aumentar, mas ainda é incipiente quando comparado ao eucalipto e pinus. Para isso, é necessário trazer valor agregado ao produto com os desbastes no momento certo, com espaço adequado, além da poda. Malinovski acredita que o sistema silvipastoril será oportuno para o mogno africano. “É preciso escolher bem o tipo de produto, com um foco para infraestrutura, porque com uma boa estrada evita-se perdas”, explicou.

De acordo com Jorge Malinovski, é necessário definir o negócio, ou seja, se será em chapas, serrarias ou laminação, para que, a partir daí, seja possível enfrentar os desafios e restrições. Para ele, os produtores rurais devem buscar mais informações sobre o plantio, além de procurar conhecer o código florestal, para saber o percentual de reserva legal, além do custo da terra, da mão de obra especializada e das pragas e doenças. “O segmento florestal é o que mais protege o meio ambiente”, destacou Maliinovski.

Ele lembrou que o Brasil é o país ideal para investir em florestas, por ter clima e tecnologia para o setor. Malinovski disse, ainda, que há mercado, mas cada caso precisa ser estudado. Para ele, o mogno africano será um negócio lucrativo e rentável, embora a avaliação preliminar seja boa no sentido de mostrar-se como uma poupança no longo prazo. “É fundamental um planejamento detalhado”, acrescentou Malinovski.

Fonte: Painel Florestal

Área sob responsabilidade dos produtores rurais tem papel fundamental para o sequestro e formação de estoques de carbono

SÃO PAULO – A vegetação nativa dentro das propriedades rurais privadas soma193 milhões de hectares na forma de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal (RLs) e desempenham um papel fundamental no sequestro e formação de estoques de carbono, já que esta extensão territorial corresponde a 53% do total de floresta original protegida do País.

Ou seja, os produtores rurais são responsáveis por mais da metade do território brasileiro coberto por mata nativa, o que dá ao agricultor e/ou pecuarista o protagonismo positivo no esforço que o Brasil tem a cumprir, sob o guarda-chuva do Acordo da ONU de Paris, de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEEs).

Isso porque a área rural, coberta por vegetação nativa, sob controle do segmento privado, é capaz de sequestrar e formar um estoque de aproximadamente 17 bilhões de toneladas de CO2eq,  o que é crucial para que o Brasil cumpra a meta de redução de emissões de GEEs de 37% até 2025 e de 43% até 2030, com base nos níveis registrados em 2005. O CO2eq [equivalente de dióxido de carbono] é a medida tradicionalmente mais aceita mundialmente nos cálculos de mitigação das emissões de GEEs.

O diagnóstico acima faz parte do estudo “O Acordo de Paris e o futuro do uso da terra no Brasil”, elaborado e recém-lançado pela organização Agroicone, o qual assinala que as contribuições brasileiras para o corte de emissões de GEEs têm íntima relação com a agenda de uso da terra, agropecuária e energias renováveis. De acordo com o documento, as obrigações de corte de emissões de GEEs presentes no Acordo de Paris farão com que o Brasil construa uma nova dinâmica de uso da terra nos próximos 20 anos.

Na avaliação de Rodrigo C. A. Lima, diretor da Agroicone e autor do estudo, as mudanças na utilização do solo no País, dentro deste contexto, envolverão “reduzir o desmatamento, implementar o novo Código Florestal, criar uma economia da restauração, dar escala às práticas de baixo carbono na agricultura, fomentar energias renováveis como biocombustíveis e biomassa, etc..” Segundo Lima, o desenho de novas políticas públicas que permitam aprofundar reduções de emissão e práticas de adaptação no setor de uso da terra e da agropecuária são vitais para o futuro do desenvolvimento sustentável no Brasil.

Novo Código Florestal

O estudo aponta, ainda, que o novo Código Florestal também tem significativo potencial de formação de estoques de carbono por meio da restauração e compensação florestal. Estima-se que o processo de regularização perante a nova lei enseje a restauração de cinco milhões de hectares de APPs e de ao menos 7,5 milhões de hectares de RLs, o que pode promover a formação de estoques de carbono da ordem de 4,5 bilhões de toneladas de CO2eq nos próximos 30 anos.

Fonte: InfoMoney

 

A ONU declarou 2011 oficialmente como o Ano Internacional das Florestas, com o objetivo de sensibilizar a sociedade sobre a importância da preservação para uma vida sustentável. Além as iniciativas que cada cidadão deve tomar em seu dia a dia, é fundamental que a iniciativa privada se comprometa efetivamente com as questões socioambientais.

Diante do atual cenário global é importante destacar que as florestas plantadas do Brasil para celulose, papel, siderurgia e madeira absorvem quantidade significativa de dióxido de carbono da atmosfera por ano, reduzindo os efeitos do aquecimento global. O principal diferencial das empresas brasileiras de celulose e papel em relação à concorrência mundial são asflorestas plantadas, das quais se obtêm 100% da celulose e do papel produzidos no Brasil. Trata-se de uma significativa contribuição para a preservação da mata nativa e combate ao aquecimento global.

A sociedade necessita de produtos de base florestal para sua sobrevivência e conforto. Até pouco tempo, a necessidade de madeira era suprida quase que exclusivamente por meio das florestas nativas. O plantio de eucalipto é uma solução para diminuir a pressão sobre as florestas nativas, viabilizando a produção de madeira para atender às necessidades da sociedade em basessustentáveis.

Um hectare de floresta plantada de eucalipto produz a mesma quantidade de madeira que 30 hectares de florestas tropicais nativas. Árvore da maior importância, presente nos cinco continentes e em todos os estados brasileiros, o eucalipto possui grande capacidade de adaptação, rápido crescimento, produtividade e inúmeras aplicações em diferentes setores.

Estudos de conservação de solo atestam que áreas plantadas com eucaliptos por muitos anos, quando direcionadas para outras lavouras, não interferem na produtividade. Há evidências de que culturas agrícolas plantadas em áreas anteriormente ocupadas por eucaliptos podem produzir acima da média verificada em lavouras da mesma região. Prova-se facilmente que há menor erosão nas áreas florestadas, quando comparadas com lavouras ou mesmo pastagens manejadas inadequadamente.

Do eucalipto tudo se aproveita. Das folhas, extraem-se óleos e essências utilizadas em produtos de limpeza e alimentícios, em perfumes e até em remédios. A casca oferece tanino, usado para curtir o couro, o tronco fornece madeira para sarrafos, lambris, ripas, vigas, postes, varas, esteios para minas, mastros para barco, tábuas para embalagens e móveis. Sua fibra é utilizada como matéria-prima para fabricação de papel e celulose.

Estudos realizados pelo Instituto FNP, em 2005, revelaram que o eucalipto é mais rentável que a pecuária de corte, a cana, a soja e o milho. Estudos da Universidade Federal de Viçosa constatam que oeucalipto consome menos água que muitas plantas. Para se obter 1 kg de madeira, o eucaliptoconsome 350 litros de água, enquanto para se obter 1 kg de batata, a planta consome 2.000 litros de água. Para a mesma quantidade de milho, cana de açúcar e cerrado, são necessários 1.000, 500 e 2.500 litros de água respectivamente.

A implantação de monoculturas é um dos pontos que merecem a atenção da sociedade. Café, soja, cana-de-açúcar, pastagens, eucalipto ou qualquer outra cultura que seja feita sem critérios ambientais é extremamente prejudicial ao meio ambiente e ao homem. No entanto, todos os produtos resultantes desses cultivos são fundamentais à sociedade.

No caso do eucalipto, vários são os procedimentos adotados para integrar as plantas ao meio ambiente natural, mantendo ou aumentando a biodiversidade das áreas plantadas, por meio de planejamento técnico, estabelecimento de corredores de vegetação natural para movimentação da fauna, plantio de enriquecimento nas áreas de preservação e da adoção de práticas que garantam a sustentabilidade do sistema.

Nas propriedades destinadas ao cultivo do eucalipto são mantidas matas nativas para compor áreas de reserva legal. As nascentes também são protegidas. Em estudos realizados nas áreas da CENIBRA foram encontradas mais de 300 espécies de plantas convivendo com plantios de eucalipto, o que demonstra, claramente, não haver inibição da germinação de outras plantas nas áreas cultivadas.

Essas áreas protegem e fornecem alimentos para a fauna silvestre, entre outras funções. Além disso, a fauna silvestre utiliza as áreas de plantio de eucalipto para a construção de ninhos, locomoção e alimentação.

Plantações florestais não podem ter sua biodiversidade comparada com a das florestas nativas, às quais não visam substituir. Proporcionam madeira e produtos não madeireiros para os mais diversos usos, diminuindo a pressão sobre as florestas nativas, colaborando para a fixação do homem no campo e dinamizando a economia. Parcela considerável dos plantios comerciais é realizada por produtores rurais, via fomento. São as florestas sociais que geram circulação de riquezas, desconcentração fundiária, multiplicação de oportunidades e sustentabilidade da atividade florestal.

Fonte: http://www.cenibra.com.br

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