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A adoção da integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) pode revolucionar o perfil das propriedades rurais. “Das grandes às pequenas, sem distinção”, enfatiza o pesquisador Carlos Eugênio Martins, da Embrapa Gado de Leite, de Juiz de Fora (MG). Em Minas Gerais, pequenos produtores, como o pecuarista Márcio José de Resende, de Coronel Xavier, viram mudar suas chácaras radicalmente. “Isso aqui era só grama e rabo de burro (erva daninha invasora de pastos)”, lembra. “Hoje, tenho pasto recuperado, pastagem farta e uma safra de madeira para ser aproveitada.”

Na propriedade de 26 hectares, familiar, a adoção da ILPF aconteceu na safra 2009/2010. Leonardo Calsavara, daEmater-MG, entidade que participou da implantação do sistema no sítio, lembra que, naquela época, o custo por hectare da ILPF foi de R$ 2.200. “No primeiro ano, só a produção de milho foi suficiente para cobrir os custos iniciais e gerou um resíduo de R$ 600 por hectare”, diz.

Na propriedade, foram plantados milho, braquiária e eucalipto. As vacas leiteiras passaram a produzir 600 litros de leite por dia após três anos de implantação. “Foi possível preservar a Reserva Legal, pois a madeira (originária da desrama) tornou a fazenda autossuficiente em madeira.”

Em Mar de Espanha (MG), o produtor Vicente Machado também adotou o sistema. “Compramos o sítio em 1979 e, com o uso intensivo dos pastos, ele ficou degradado e eu sem dinheiro para recuperar a área, de 120 hectares”, diz. “Com a ILPF, foi possível recuperar os pastos e ter solo adubado para plantar milho e braquiária. Hoje, a vaca vem comer capim na ponta, não é mais tratada no cocho. É ela quem escolhe o que quer comer, quando quer e quanto quer comer. Só foi preciso mudar nossos hábitos.”

Dúvidas frequentes

1.É possível adotar o sistema de integração lavoura-pecuária-floresta em pequenas propriedades?
A integração lavoura-pecuária-floresta é um sistema que adapta-se a qualquer tamanho de propriedade, desde que as condições edafoclimáticas (características do clima e solo) não sejam restritivas. É importante lembrar que o plantio consorciado de milho com capim (jaraguá e colonião), nas décadas de 1950 e 1960, foi prática comum na implantação manual de pasto nas “roças de toco”, portanto, pode ser adotada em pequenas áreas. Mas, em propriedades com uso intensivo de máquinas agrícolas e insumos, a escala de produção pode ser determinante da viabilidade econômica do sistema. É preciso ter planejamento eficiente, gestão competente e envolvimento de uma equipe multidisciplinar.

2.Existe um programa de financiamento ou linha de crédito para quem deseja adotar o sistema ILPF na propriedade?
A ILPF é uma das tecnologias incentivadas pelo Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Programa ABC), criado em 2010 pelo governo federal e que concede créditos para quem adota técnicas agrícolas sustentáveis. A taxa de juros é de 5,5% ao ano. O prazo de pagamento pode chegar a 15 anos. O Programa ABC também incentiva a adoção de plantio direto, fixação biológica de nitrogênio, recuperação de áreas degradadas, plantio de florestas e tratamento de resíduos animais.

3.Como selecionar a espécie florestal para compor o sistema? Existem outras espécies de árvores recomendadas para o sistema ILPF além do eucalipto?
As espécies arbóreas devem ser escolhidas de acordo com a adaptação ao local, arquitetura da copa, facilidade de estabelecimento, exigências do mercado, ritmo de crescimento, tipo de raiz, controle de erosão e escorrimento superficial de águas da chuva, sombra para animais e compatibilidade com pastagens e gado. A espécie de maior potencial de utilização em ILPF é o eucalipto, graças a seu rápido crescimento, oferta de clones adaptados a diferentes regiões, copa rala, elevado rendimento econômico e usos múltiplos com a produção de madeireiros e não madeireiros. Outras espécies sendo utilizadas são acácia, paricá, pinho cuiabano, mogno africano, cedro australiano, canafístula, grevílea ou pínus. Também há pesquisas com mogno brasileiro e teca.

4.Como determinar o espaçamento ideal de árvores e a quantidade de linhas e renques?
Existem arranjos diferentes, de acordo com perfil, localização e objetivos da propriedade. O arranjo mais simples e eficaz é o de aleias, em que as árvores são plantadas em faixas (linhas simples ou múltiplas) com espaçamentos amplos. A distribuição das faixas de plantio das árvores é realizada preferencialmente no sentido leste-oeste e deverá ser em curvas de nível, impedindo a erosão do solo e a perda de água por escoamento superficial.

5.Existem limitações físicas ou geográficas para a implantação do sistema ILPF, como geadas, seca ou terrenos declivosos, arenosos ou muito úmidos?
Em solos declivosos, a principal limitação é a mecanização, mas é possível o uso de implementos com tração animal e a distribuição das faixas de árvores deve ser realizada em curvas de nível. Nas demais situações, já existem conhecimento e tecnologias adaptadas para diferentes condições edafoclimáticas.

6.O produtor que adotar o sistema ILPF deve fazê-lo em toda a área?
Se o produtor não tem experiência com ILPF, recomenda-se começar em áreas menores para conhecer os processos e práticas necessárias e, além disso, minimizar riscos financeiros.

7.É verdade que o eucalipto retira muita água do sistema ILPF?
O eucalipto não consome mais água por unidade de biomassa produzida do que qualquer outra espécie vegetal. O consumo de água de uma floresta de eucalipto é em torno de 900 a 1.200 milímetros por ano.

8.O componente florestal (F) do sistema ILPF é obrigatório em todos os casos?
Não. O conceito de ILPF adotado pela Embrapa, por exemplo, engloba modalidades sem árvores (integração lavoura-pecuária) e com árvores.
9 Depois de quanto tempo é possível obter retorno econômico com a adoção da ILPF?
Em sistema de integração lavoura-pecuária, em dois anos é possível obter retorno positivo. Nos sistemas agrossilvipastoris, dependendo das práticas silviculturais adotadas, os retornos positivos podem ser obtidos entre quatro e oito anos.

Fonte: Embrapa via Globo Rural

O plantio consorciado de Ricardo Vilela, da Bela Vista Florestal, fica em Campo Belo (MG) e tornou-se um modelo bem sucedido no País

No Seminário Brasileiro sobre Sistemas de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta, o Integra iLPF – promovido pelo Painel Florestal -, que está sendo realizado dentro da Expotrês, em Três Lagoas (MS), um painel que chamou a atenção do público foi o de Ricardo Vilela, que é da Fazenda Bela Vista. Ele foi destaque no programa Globo Rural e tem uma experiência positiva com iLPF, porém, com a integração de café e cedro australiano.

Na fazenda mineira Bela Vista, de 200 hectares, essa integração ocorre e está tendo bastante investimento, sendo que o cedro australiano começou a ser plantado em 2004 e hoje ocupa 70 hectares. “Tem muitos estudos sobre cedro australiano. Temos que investir. Uns acham melhor só na pecuária, outros na floresta e outros arriscam, assim como eu, trabalhando na integração de cedro australiano e café”, afirma Vilela.

Otimista com os resultados alcançados, Ricardo Vilela diz que o cedro australiano é uma madeira de alta qualidade para o setor moveleiro e é destinada também para fins nobres. “É algo muito promissor. Eu trabalho apenas com o mercado interno e acredito muito. Já tive tratativas com outros países, todavia, eles não querem menos que dez containers. A madeira é igual quando matamos boi. Temos que tirar a melhor parte e a pior, além de vender tudo para não termos prejuízo. Tem que ser bem planejado, uma vez que vender tora é difícil devido à questão logística. Muitas vezes não compensa. A madeira serrada não prejudica o negócio e é melhor o retorno pensando em logística”, reforça.

Sobre o processo de plantação do cedro australiano, junto com o café, Ricardo Vilela diz que “tem alguns que fazem três linhas de café e outras de cedros. O ideal é ter 120 plantas de cedro por hectare, pois uma vez que tenho menos árvores por hectare, tenho um produto de maior valor. Com 50 de diâmetro eu já posso tirar e mandar para a serraria”, acrescenta.

Cultivo

Conforme matéria publicada no site da revista Globo Rural, edição de abril, onde a fazenda de Vilela foi destaque, o cedro australiano não é uma árvore rústica como o eucalipto. E para produzir bem exige uma série de cuidados. O primeiro ano de vida é a etapa mais delicada do desenvolvimento da planta. Além de caprichar na adubação, os agricultores precisam evitar o crescimento de mato nas entrelinhas e devem usar produtos pra combater um inimigo bem conhecido: a saúva. Nos primeiros anos de crescimento, um cuidado importante é fazer a poda dos galhos inferiores, que podem criar nós na madeira. Pelas contas da fazenda Bela Vista, considerando todos os gastos até o corte final da árvore, aos quinze anos, o cultivo exige um investimento médio de R$ 26 mil por hectare.

Quando chega aos três anos de vida, o cedro australiano precisa passar por um primeiro desbaste. O objetivo é cortar um quarto das árvores, para aumentar a entrada de luz, reduzir a competição e fazer uma primeira triagem. Com isso, o cultivo, que começou com 820 árvores por hectare vai ficar com cerca de 600. Nessa etapa, como as árvores são jovens, a madeira só pode ser vendida para lenha, o que gera em média, R$ 1 mil por hectare.

Quando chega aos oito anos de vida, o cedro australiano passa por um segundo desbaste. É uma operação de grande escala, que tem o objetivo de cortar metade das árvores de cada talhão. Os cedros retirados nessa etapa têm porte médio e rendem toras que podem ser aproveitadas em serrarias. Com isso, cada hectare que tinha 600 árvores, ficará apenas com 300. As árvores que permanecem na área vão crescer bastante até os quinze anos de vida. Depois é o corte final.

Fonte: Painel Florestal

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  • Roteiro Europa

    Neste início de segundo semestre de 2016, o Instituto Brasileiro de Florestas (IBF) estará em solo europeu para participar, prospectar e trazer soluções em negócios florestais para o Brasil, passando pela França, Alemanha e Suíça.

     

    Além da presença em 2 importantes eventos do setor florestal: Carrefour International Du Bois (França) e KWF-Tagung (Alemanha), o IBF estará em Zurique, na Suíça, para realização de visitas e reuniões com empresas do setor florestal.

  • Carrefour International Du Bois (França)

    O primeiro evento que o IBF participará será o do Carrefour International Du Bois, que acontece entre os dias 1 e 3 de junho, na cidade de Nantes, na França.
    Esta feira é organizada a cada 2 anos e conta com a presença dos principais grupos de madeira da Europa. Ao longo dos 3 dias, a feira conta com a participação de mais de 500 expositores e 10.000 visitantes oriundos de 60 países.
    Os participantes encontrarão todos os tipos de produtos, inovações e soluções disponíveis sob o mesmo teto.

     

    Os eventos desta feira (conferências, assembleias, reuniões) a transformaram em uma feira imperdível por todo o ciclo de negócios da madeira, sendo um termômetro do mercado.

  • KWF-Tagung (Alemanha)

    Paralelo a participação no Carrefour International Du Bois, o IBF também estará presente no KWF-Tagung, que acontece no período do dia 9 à 12 de junho, na cidade de Roding, na Bavária (Alemanha).

     

    Este evento é realizado a cada 4 anos e está na 17ª edição, sendo considerada a maior feira florestal de demonstrações do mundo, além de ser o encontro florestal mais importante do setor.

     

    Tradicionalmente, os encontros da KWF consistem em três elementos: Maquinário florestal e inovações, encontros a campo e congressos científicos.

  • Participação em Feiras e Reuniões de Negocio:

    Por meio desta Missão Europa, o IBF buscará oportunidades de transferência de tecnologia florestal Europa/Brasil e Brasil/Europa. Assim sendo, realizará alguns encontros:

     

    01, 02 e 03/06/2016 (4ª, 5ª e 6ª feira)
    Carrefour International Du Bois
    Nantes | FRANÇA

     

    06, 07 e 08/06/2016 (2ª, 3ª e 4ª feira)
    Zurique | SUÍÇA

     

    09, 10/06/2016 (5ª, 6ª feira)
    KWF-Tagung
    Roding | ALEMANHA

     

    10/06/2016 – 6ª feira
    Roding | ALEMANHA
    Local: À definir
    Horário: À definir

     

    11/06/2016 – Sábado
    Stuttgart | ALEMANHA
    Local: À definir
    Horário: À definir

 

Fonte: IBF

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Um evento prático, com experiências compartilhadas, acertos e erros de quem adotou algum modelo do sistema de integração Lavoura, Pecuária e Floresta (iLPF) e obteve bons resultados em produtividade e, consequentemente, aumentou seus ganhos.

O INTEGRA iLPF – Seminário Brasileiro sobre Sistemas de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta vai reunir, no dia 22 de junho (quarta-feira), especialistas e produtores rurais que estão obtendo resultados com a prática.

Totalmente gratuito  e destinado a produtores rurais da região de Três Lagoas e Alta Paulista, o INTEGRA iLPF será no auditório do Sindicato Rural de Três Lagoas (MS) durante a 39ª Exposição Agropecuária de Três Lagoas (ExpoTrês).

O evento também marcará o lançamento da 3ª Feira da Cadeia Produtiva da Indústria de Base Florestal Sustentável da Região de Três Lagoas, o Três Lagoas Florestal que acontecerá nos dias 28, 29 e 30 de março de 2017.

Palestrantes de peso

Depois das boas vindas do presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, Marco Garcia, a primeira palestra será com o vice-presidente da STCP Engenharia de Projetos, Joésio Siqueira, que reúne mais de 37 anos de experiência na coordenação e elaboração de projetos de manejo florestal. Ele vai responder porquê o iLPF é um modelo viável para o agronegócio.

O painel “Resultados práticos dos principais experimentos do país” terá a presença de especialistas da Embrapa como Vanderley Porfírio da Silva, Chefe Adjunto da Transferência de Tecnologias da Embrapa Florestas e Valdemir Antônio Laura, Pesquisador da Embrapa Gado de Corte e também do renomado consultor Celso Medeiros.

Por fim, o INTEGRA iLPF trará a experiência de sucesso de William Marchió, diretor executivo da Rede de Fomento à Integração Lavoura, Pecuária e Floresta e consultor de um dos projetos modelos no país, a fazenda Santa Brígida, capa da revista Globo Rural do mês de abril.

Cláudia Cury, engenheira agrônoma e filha do Dr. Augusto Cury (um dos escritores brasileiros mais lido no mundo também vai compartilhar sua experiência. Sua família, desde 2014 se dedica à raça Senepol, aliando genética, cria de bezerros à um dos maiores projetos de Mogno Africano do Brasil, na fazenda Serra Branca, no município de Prata (MG)

Ricardo Vilela, que teve sua experiência com cedro australiano, recém exibida no programa Globo Rural (e destaque da revista também do mês de abril), falará sobre a integração da madeira nobre com café, atividade que exerce na propriedade da família em Campo Belo (MG).

Serviço:

Seminário Brasileiro sobre Sistemas de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta

22 de junho de 2016 – Quarta-feira – 07h30 às 12h30 – Três Lagoas – MS

Realização: Painel Florestal

Co-Realização: Sindicato Rural de Três Lagoas

Apoio: Abag | Reflore/MS | CNA | Câmara Setorial de Florestas Plantadas (MAPA) | Rede de Fomento à ILPF

Patrocínio Ouro: Arborgen | Innovatech Negócios Florestais

Patrocínio Prata: Mirex-S | DINAGRO

Patrocínio Bronze: Ellepot | Bayer

Inscrições: http://www.painelflorestal.com.br/integra

Informações: Painel Florestal

Fonte: Ar-Comunicação via Jornal dia a dia

Preservar as florestas é essencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa

 

O maior país da América Latina continua a perder áreas de floresta tropical equivalentes a dois campos de futebol por minuto, apesar das tentativas de frear o desmatamento ilegal e aprimorar os direitos territoriais locais, disse um ex-diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro.

O índice de desmatamento no Brasil, lar das maiores florestas tropicais do mundo, diminuiu significativamente entre 2004 e 2010, mas voltou a crescer nos últimos anos devido à falta de inovação e planejamento governamental, afirmou Tasso Azevedo à Thomson Reuters Foundation.

Preservar as florestas é essencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e combater a mudança climática, já que as árvores retiram gás carbônico da atmosfera. As florestas também abrigam centenas de milhares de pessoas que dependem delas para sua subsistência.

“Em alguns casos, estamos andando para trás”, alertou Azevedo, citando a pouca cooperação entre departamentos do governo que competem entre si e a sociedade civil brasileira.

“Isto não é um problema de um ministério – é um problema que diz respeito a como o governo tem se estruturado nos últimos dois anos”, disse.

Os órgãos estatais são menos inclinados a aceitar ajuda da sociedade civil, disse, e dentro das agências ambientais governamentais não existe muita abertura para novas ideias e estratégias.

Como parte de seu plano de ação nacional, submetido para o novo acordo de combate à mudança climática, o Brasil se comprometeu a eliminar o desmatamento ilegal e restaurar e replantar 12 milhões de hectares de terras, ambos até 2030.

A taxa de desmatamento na Amazônia brasileira caiu quase 80 por cento entre 2003 e 2013, de acordo com um estudo publicado no ano passado no periódico científico “Global Change Biology”, mas subiu novamente, aumentando 16 por cento no período de 12 meses encerrado em julho de 2015.

Hoje o país está perdendo cerca de 5 mil quilômetros quadrados de floresta amazônica anualmente, um dos maiores declínios em valores absolutos de qualquer nação, disse Azevedo.

Autoridades do governo brasileiro dizem que o país está trabalhando duro para reduzir o desmatamento e a mudança climática.

Cerca de 80 por cento do desmatamento em curso na Amazônia é resultado de atividades ilegais, observou Azevedo, citando estatísticas do próprio governo. As autoridades precisam melhorar suas técnicas de aplicação da lei para freá-las, acrescentou.

Fonte  http://www.forbes.com.br/negocios/2016/04/brasil-perde-area-de-floresta-igual-a-dois-campos-de-futebol-por-minuto/

 

A carência de madeira nobre no mercado ninguém discute. De forma predatória, estoques nativos foram exaustivamente explorados nos últimos séculos. Ipê, mogno, cedro… Foram muitas as espécies que acabaram num tipo de “extinção econômica”, com comercialização inviável. Muito se fala em preencher o vazio com cultivos em larga escala de espécies exóticas, que renderiam madeira de qualidade similar, de modo sustentável, com selo de origem.

De olho nesse mercado, a Fazenda Bela Vista Florestal, sediada no munícipio de Campo Belo (MG), decidiu apostar suas fichas no cedro australiano, que dá uma madeira leve, estável e muito parecida com a do nosso cedro-rosa. Para diminuir os riscos desse investimento alto e de longo prazo, a fazenda desenvolveu um amplo trabalho de pesquisa em melhoramento genético e manejo da espécie e já começa a atrair novos investidores.

O empresário Ilvio Azevedo é um dos que enchem a boca ao falar do novo empreendimento: uma área de 140 hectares plantada com cedro australiano, em Conceição da Barra de Minas (MG). Azevedo é um dos sócios do Grupo Seculus, um conglomerado empresarial que, desde 2009, investe também na produção de madeira em áreas de reflorestamento.

Ele conta que o grupo começou cultivando o eucalipto porque tinha um mercado estabelecido, pacote tecnológico, mas já no terceiro ano de projeto colocou o pé no freio para aprofundar os estudos em busca de uma madeira de maior valor. “Foi ai que conhecemos o cedro australiano e decidimos investir”. A meta do grupo é ambiciosa: chegar a 5 mil hectares plantados com a espécie em 10 anos. Para Azevedo, sem a pesquisa, dificilmente os olhos – e o dinheiro – do grupo teriam se voltado para o cedro australiano. “O melhoramento genético, as mudas clonadas, tudo isso dá uma segurança muito grande para nosso projeto”.

Ricardo Vilela, sócio-diretor da Bela Vista, conta que os seis clones lançados pela empresa no final de 2013 apresentam uma produtividade 200% maior em relação aos plantios feitos a partir de sementes, além de resistência à algumas das principais pragas e doenças da cultura. “Antes, não tínhamos segurança nenhuma. Em nossos primeiros plantios, feitos com semente, a gene conseguia, por ano, entre 12 e 13 metros cúbicos de madeira por hectare. As plantas não eram uniformes. Árvores lindas, outras nem tanto. Já a muda clonada eu sei que vai me garantir uma árvore idêntica à planta-mãe, com uma produtividade anual de 37 metros cúbicos por hectare”, diz ele.

fazenda bela vista cedro australiano 4

Para chegar a esses clones, a empresa percorreu um longo trajeto. Firmou uma parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e foi buscar na Austrália sementes de pelo menos 100 matrizes de cedro da espécie Toona ciliata (variedades australis), de 16 diferentes locais das costa australiana. “Para fazer um trabalho de melhoramento genético, nós precisamos de uma ampla variedade de plantas, a fim de ter como fazer a seleção. No Brasil, o cedo australiano vinha de uma única procedência e não representava bem a espécie ou o potencial no Brasil”, explica Eduardo Stehling, biólogo responsável pelo programa de melhoramento.
Para fazer seu projeto de reflorestamento com Cedro Australiano e Mogno Africano procure a FLORESTE (67)3331.1371 / 9230.8937

O ciclo da madeira foi um dos principais movimentos econômico ocorrido na história de Rondônia, nas décadas de 70 e 80, com a colonização e o desmatamento da floresta Amazônica, motivado pelo governo Federal. A realidade agora é inversa: a madeira a ser extraída vem da floresta plantada, que oferece atrativos geradores de renda, como o beneficiamento, a goma-resina e o sequestro de carbono.

Plantar floresta é fácil, porém é importante o acompanhamento técnico para obter os resultados desejados. “As espécies comerciais já estão definidas e devem ser plantadas conforme o tipo de solo na região. O eucalipto e o pinus, por exemplo, respondem melhor em solo mais arenoso, mais pobre em nutrientes. Já a teca e o pinho cuiabano são espécies bem exigentes em relação à fertilidade da terra”, detalhou o coordenador estadual de Floresta Plantada, o engenheiro florestal Edgar Menezes Cardoso da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam).

Atualmente plantar floresta é um excelente negócio em longo prazo e garante ganhos financeiros acima da média, especialmente ao pequeno produtor, que deve iniciar esse novo modelo econômico sem que a atividade desenvolvida no sítio seja afetada. Esta afirmação ecoa dos principais plantadores de floresta nas regiões de Pimenta Bueno, Vilhena, Ji-Paraná e Ouro Preto do Oeste, que buscam mais parceiros na construção de um cinturão verde nas áreas degradadas.

“É uma poupança verde. Além do ganho, o produtor rural não precisa desmatar, e contribui na recuperação de área degradada. É extremamente viável”, avalia o gerente Operacional, Gefeson Melo, do grupo Eletrogoes, empresa que vem pesquisando e selecionando o melhor da espécie em laboratório próprio, desde 2008, na região de Pimenta Bueno.

“Nossos estudos apontam o eucalipto com o melhor custo-benefício, tanto para o produtor quanto para a produção de energia renovável”, frisou o responsável pelo viveiro e floresta de eucalipto da Eletrogoes, o engenheiro florestal Carlos Alberto Soares Monteiro.

Toda a produção do eucalipto produzido na região tem endereço certo para venda: a usina termelétrica movida à biomassa, que deverá ser inaugurada ainda nesse semestre pelo grupo Eletrogoes.

“De uma forma geral, a floresta plantada gera muito mais do que a pecuária e a agricultura”, afirmou o engenheiro florestal Aparecido Donadoni, destacando que os maiores plantios das espécies eucalipto e pinus já são visíveis ao longo da BR-364, no trecho entre Pimenta Bueno e Vilhena.

Em Vilhena, o beneficiamento do eucalipto ocorre na cidade em forma de palanque para cercas, porteiras, madeiramento para construção civil, móveis, entre outras peças rústicas e decorativas. “O eucalipto é nosso carro-chefe, porém estamos beneficiando o pinus também”, anunciou o empreendedor, Anderson Zomer, de Vilhena, assinalando o aquecimento do mercado garantindo mais geração de emprego e renda direta e indiretamente.

As plantações de pinus no Cone Sul transformam as áreas totalmente degradadas em paisagem cinematográfica. Otimistas, os produtores avançam no negócio e já estão viabilizando a implantação na região de uma usina de beneficiamento da goma-resina, mais um lucrativo produto da espécie.

“Quando juntos atingirmos 15 mil hectares de floresta em pinus teremos matéria prima suficiente para instalar a resinadora”, animou o fazendeiro, Antônio Marques Pereira, detentor de uma das maiores áreas plantadas e um dos mais entusiastas do plantio do pinus em Rondônia.

As plantações do pinho cuiabano e da teca estão mais agrupadas nas regiões de Ji-Paraná e Ouro Preto do Oeste devido à exigência da planta quanto à qualidade do solo. “Parte da madeira produzida em Rondônia já está sendo exportada a partir do porto, em Porto Velho”, festejou Jaques Testoni, presidente da Associação Rondoniense e Floresta Plantada (Arflora).

Nessa consolidação do novo ciclo da madeira, o governo de Rondônia vem atuando quanto à legalização e o fomento de novos plantios de florestas. O objetivo é gerar desenvolvimento rural integrado a outras cadeias produtivas promovendo recuperação de áreas degradadas.

“Destacamos a sustentabilidade como a maior vantagem no plantio de floresta. As empresas lucram e geram empregos e renda causando o mínimo impacto ao meio ambiente”, encerra o engenheiro Edgar Cardoso, associando este padrão de floresta como fonte de energia renovável e na absorção do gás carbônico.

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Fonte: SEDAM

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Tasmânia em chamas. Fala-se de uma tragédia mundial.

Umas após outras, as árvores antigas da Tasmânia estão morrendo, reduzido a cinzas por causa do fogo. É a destruição de um ecossistema único.

As árvores das florestas da Tasmânia não evoluíram para sobreviverem ao ciclo natural do fogo e renovação. Se elas se queimarem, morrem, conforme relata o The Guardian.

A propagação do fogo é devida ao aquecimento global e às mudanças climáticas. O que está acontecendo exatamente? A seca, infelizmente, também atingiu as áreas que deveriam ser úmidas e protegidas dos incêndios, tais como as florestas e as turfeiras no Planalto Central da Tasmânia.

Eventos semelhantes já tinham acontecido no passado, mas ainda eram circunstâncias muito raras. David Bowman, professor de biologia ambiental da Universidade da Tasmânia, disse que um fenômeno semelhante acontecia talvez uma vez a cada milênio.

Infelizmente, na opinião do cientista, o nosso planeta mudou muito em relação ao passado e nós nos encontramos de cara com incêndios que aconteciam a cada mil anos. Em sua opinião, chegou a hora de percebermos que passamos dos limites e é hora de enfrentar as consequências das mudanças climáticas.

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Em todo o mundo, devido às alterações climáticas, casos de incêndios catastróficos vêm aumentando. Ao longo da última década, somente na Tasmânia, ocorreram pelo menos 30 incêndios florestais causados ​​por raios. Este tipo de incêndio, de acordo com os especialistas, é influenciado pelas mudanças climáticas.

As florestas da Tasmânia são patrimônio da UNESCO e são comparáveis ​​aos corais da Grande Barreira de Corais da Austrália. São assim consideradas seja pelo valor natural que agregam seja pela fragilidade e perigo em que se encontram.

Fonte: greenme

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