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Bruxelas, 02 – A ONG Greenpeace alegou nesta segunda-feira que as discussões em torno do Acordo Transatlântico de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês), negociado entre os Estados Unidos e a União Europeia, ignoram a agenda ambiental.

A ONG divulgou em seu site um documento de 248 páginas com um trecho da última negociação do TTIP, ocorrida em Nova York, em abril. Aspectos do acordo comercial levantaram preocupações dos ambientalistas sobre os níveis de proteção ao consumidor, segurança dos alimentos e do meio ambiente.

O trecho vazado representa quase metade do texto discutido nesta última reunião. De acordo com o Greenpeace, em nenhum ponto do documento há indicação ou preocupação com a agenda climática, por exemplo.

“Está na hora de colocar uma luz sobre essas negociações. O progresso ambiental está sendo trocado a portas fechadas”, afirmou Faiza Oulahsen, representante do Greenpeace na Holanda.

A comissária de Comércio da União Europeia, Cecilia Malmström, respondeu rapidamente a essas preocupações, alegando que o bloco europeu não diminuirá o nível de proteção que oferece aos consumidores acerca da segurança alimentar e do meio ambiente. Para ela, as contestações alarmantes do Greenpeace não passam de uma “tempestade em copo d’água”.

“Nenhum acordo da União Europeia jamais diminuirá os níveis de proteção do consumidor ou segurança dos alimentos e do meio ambiente”, disse Malmstrom.

Os dois maiores blocos econômicos têm discutido sobre o tratado desde 2013. O Acordo pretende colocar próximo de zero algumas tarifas de comércio, além de remover ou simplificar uma série de regulamentações que vão desde o comércio de automóveis até a indústria química.

O vazamento de documentos acontece uma semana após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, tentarem acelerar a assinatura do Acordo para que uma possível resistência dentro dos dois países pudesse fechar a janela de possibilidade para a consolidação do TTIP. Fonte: Dow Jones Newswires.

Fonte: Jornal O Estado de Minas

Usar produtos feitos de cortiça ajuda a remover da atmosfera os gases com efeito estufa. Além de ser um dos grandes contributos da economia portuguesa, a cortiça é “um reservatório de carbono”, o que contribui para que este elemento seja retirado da atmosfera, conclui um estudo desenvolvido na Universidade de Aveiro, pela investigadora Ana Cláudia Dias.

“O setor de cortiça é um sumidouro efetivo de gases com efeito de estufa, uma vez que o sequestro de dióxido de carbono da atmosfera é bastante superior às emissões desses gases emitidos ao longo do setor, desde a floresta até ao destino final dos produtos de cortiça”, explica Ana Cláudia Dias, investigadora do Departamento de Ambiente e Ordenamento e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro (UA) e coordenadora do estudo que pretendeu avaliar a pegada de carbono do setor da cortiça em Portugal.
A investigação da (UA) foi a primeira em Portugal a quantificar a pegada de carbono do setor da cortiça e confirma o contributo ecológico do sobreiro e do ecossistema que o envolve. “Por cada tonelada de cortiça produzida, o montado sequestra mais de 73 toneladas de dióxido de carbono, o equivalente às emissões daquele gás libertadas para percorrer cerca de 450 mil quilómetros de automóvel”, revela uma nota divugada pela UA.

Experiência em Coruche
Na Herdade da Machuqueira do Grou, em Coruche, o Instituto Superior de Agronomia (ISA), parceiro da UA neste estudo, realizou uma experiência ao longo dos últimos sete anos, que registou a quantidade de dióxido de carbono retirada da atmosfera por um ecossistema de montado (formado por sobreiros, solo e toda a restante vegetação característica dos montados) com uma média de 177 árvores por hectare.
Os investigadores avaliaram ainda a quantidade de gases com efeito de estufa emitida pelo setor nacional da cortiça, “desde a floresta até ao destino final dos produtos feitos à base de cortiça, incluindo o respetivo processamento industrial”, informa a UA, revelando que “o saldo é extremamente positivo para o meio ambiente”.

Cortiça: um reservatório de carbono
Como a cortiça tem a capacidade de reter o carbono absorvido durante o crescimento do sobreiro, permite que esta árvore seja “um reservatório de carbono ao longo do seu ciclo de vida, garantindo que por cada tonelada de cortiça duas de dióxido de carbono sejam sequestradas da atmosfera”.
Sendo assim, “os produtos produzidos a partir de cortiça nacional constituem reservatórios crescentes de carbono, quer durante a sua utilização, quer quando são depositados em aterro, tendo acumulado entre 150 e 250 mil toneladas de dióxido de carbono por ano nos últimos 15 anos”, sublinha Ana Cláudia Dias. Os resultados da investigação indicam que “a utilização de produtos de cortiça contribui para a mitigação das alterações climáticas, quer pela sua capacidade de acumular carbono, quer pelo facto de substituírem produtos alternativos mais intensivos do ponto de vista energético”, acrescenta a cientista.
Financiado por fundos nacionais através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, através do Compete, o projeto desenvolveu um modelo de cálculo que permite que os produtos de cortiça passem a ser incluídos nos inventários nacionais de gases com efeito de estufa, tal como já sucede com os produtos de madeira.
Ana Cláudia Dias não tem dúvidas em afirmar que o estudo dotou o setor da cortiça de informação e ferramentas que ajudam à tomada de decisão “no que respeita a práticas que possam otimizar a pegada de carbono do setor” e reforçam o papel do setor “como elemento importante na mitigação das alterações climáticas”.
O montado é um ecossistema criado pelo homem e característico da região do Alentejo. São, na verdade, florestas de sobreiros que subsistem apenas no Mediterrâneo – sobretudo nas regiões a sul da Península Ibérica, Argélia e Marrocos. Portugal, onde o montado é legalmente protegido, tem a maior extensão de sobreiros do mundo e lidera as exportações, com uma quota que ronda os 65%.
Segundo a Associação Portuguesa de Cortiça (APCOR), Portugal concentra 34 por cento da área mundial de montado, o correspondente a uma área de 736 mil hectares e 23 por cento da floresta nacional. A  APCOR cita um estudo do ISA que refere que o montado pode fixar cerca de seis toneladas de carbono por hectare e ano, o que corresponde, no caso de Portugal, a mais de quatro milhões de toneladas de carbono por ano. Um sobreiro vive em média 200 anos.

Fonte: Mundo Português

Depois de mais de seis anos de negociações, e de uma antecipada mas pouco produtiva Cimeira do Clima de Paris, agência das Nações Unidas para a Aviação apresenta limites a serem implementados até 2028

Mais de seis anos depois do início das negociações com o setor da aviação comercial em todo o mundo, a agência da ONU para a Aviação apresentou esta semana uma proposta para limitar as emissões de dióxido de carbono dos aviões — mais um numa série de esforços globais para combater as alterações climáticas e reduzir, em larga medida, a emissão de gases com efeito de estufa.

Anunciadas em Montreal, no Canadá, pela agência das Nações Unidas na segunda-feira, as medidas deverão ser totalmente implementadas até 2028 em todos os novos aparelhos de aviação produzidos a partir de 2020.

As companhias aéreas são, neste momento, responsáveis por 2% das emissões globais de carbono, o equivalente à produção de CO2 pela Alemanha. Mas de acordo com especialistas e reguladores, esse número poderá triplicar até meados deste século devido ao crescimento das viagens aéreas previsto para as próximas décadas, aponta o “New York Times”.

MEDIDAS E CRÍTICAS

Uma das medidas propostas é a redução em 4% do combustível consumido por cada avião em velocidade cruzeiro em comparação com os níveis de 2015. Os aviões fabricados e/ou postos em circulação a partir de 2020 que não cumprirem este requisito até 2028 serão retirados de circulação, avisa a agência. Os limites apresentados pela Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO) não precisam de aprovação formal do conselho de aviação da organização, composto por 36 nações, para entrarem em vigor. Esta é a primeira vez que o setor da aviação é sujeito a limites de emissões como já acontece nos setores dos transportes terrestres e na indústria automóvel.

Ainda assim, os ambientalistas não estão satisfeitos com o acordo alcançado ao final de seis anos, criticando o facto de as medidas não se aplicarem aos aviões atualmente em uso. De acordo com o “New York Times”, organizações de defesa do ambiente criticam o facto de o acordo ter sido desenhado pela própria indústria de aviação civil, classificando-o como fraco e pouco abrangente.

A confirmar-se a implementação das medidas propostas pela ICAO, espera-se que as emissões de dióxido de carbono pelos aviões sejam reduzidas em mais de 650 milhões de toneladas entre 2020 e 2040, o equivalente a retirar 140 milhões de carros de circulação por ano. Os números são da Casa Branca, que em comunicado aplaudiu o novo acordo de redução de emissões de carbono.

O anúncio pela ICAO surge dois meses depois da Cimeira do Clima de Paris, que ensombrada pelos atentados de novembro na capital francesa e pela visível falta de vontade de alguns líderes, resultou num acordo apressado para substituir o Protocolo de Quioto.

Fonte: Expresso Sapo Portugal

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