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Usar produtos feitos de cortiça ajuda a remover da atmosfera os gases com efeito estufa. Além de ser um dos grandes contributos da economia portuguesa, a cortiça é “um reservatório de carbono”, o que contribui para que este elemento seja retirado da atmosfera, conclui um estudo desenvolvido na Universidade de Aveiro, pela investigadora Ana Cláudia Dias.

“O setor de cortiça é um sumidouro efetivo de gases com efeito de estufa, uma vez que o sequestro de dióxido de carbono da atmosfera é bastante superior às emissões desses gases emitidos ao longo do setor, desde a floresta até ao destino final dos produtos de cortiça”, explica Ana Cláudia Dias, investigadora do Departamento de Ambiente e Ordenamento e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro (UA) e coordenadora do estudo que pretendeu avaliar a pegada de carbono do setor da cortiça em Portugal.
A investigação da (UA) foi a primeira em Portugal a quantificar a pegada de carbono do setor da cortiça e confirma o contributo ecológico do sobreiro e do ecossistema que o envolve. “Por cada tonelada de cortiça produzida, o montado sequestra mais de 73 toneladas de dióxido de carbono, o equivalente às emissões daquele gás libertadas para percorrer cerca de 450 mil quilómetros de automóvel”, revela uma nota divugada pela UA.

Experiência em Coruche
Na Herdade da Machuqueira do Grou, em Coruche, o Instituto Superior de Agronomia (ISA), parceiro da UA neste estudo, realizou uma experiência ao longo dos últimos sete anos, que registou a quantidade de dióxido de carbono retirada da atmosfera por um ecossistema de montado (formado por sobreiros, solo e toda a restante vegetação característica dos montados) com uma média de 177 árvores por hectare.
Os investigadores avaliaram ainda a quantidade de gases com efeito de estufa emitida pelo setor nacional da cortiça, “desde a floresta até ao destino final dos produtos feitos à base de cortiça, incluindo o respetivo processamento industrial”, informa a UA, revelando que “o saldo é extremamente positivo para o meio ambiente”.

Cortiça: um reservatório de carbono
Como a cortiça tem a capacidade de reter o carbono absorvido durante o crescimento do sobreiro, permite que esta árvore seja “um reservatório de carbono ao longo do seu ciclo de vida, garantindo que por cada tonelada de cortiça duas de dióxido de carbono sejam sequestradas da atmosfera”.
Sendo assim, “os produtos produzidos a partir de cortiça nacional constituem reservatórios crescentes de carbono, quer durante a sua utilização, quer quando são depositados em aterro, tendo acumulado entre 150 e 250 mil toneladas de dióxido de carbono por ano nos últimos 15 anos”, sublinha Ana Cláudia Dias. Os resultados da investigação indicam que “a utilização de produtos de cortiça contribui para a mitigação das alterações climáticas, quer pela sua capacidade de acumular carbono, quer pelo facto de substituírem produtos alternativos mais intensivos do ponto de vista energético”, acrescenta a cientista.
Financiado por fundos nacionais através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, através do Compete, o projeto desenvolveu um modelo de cálculo que permite que os produtos de cortiça passem a ser incluídos nos inventários nacionais de gases com efeito de estufa, tal como já sucede com os produtos de madeira.
Ana Cláudia Dias não tem dúvidas em afirmar que o estudo dotou o setor da cortiça de informação e ferramentas que ajudam à tomada de decisão “no que respeita a práticas que possam otimizar a pegada de carbono do setor” e reforçam o papel do setor “como elemento importante na mitigação das alterações climáticas”.
O montado é um ecossistema criado pelo homem e característico da região do Alentejo. São, na verdade, florestas de sobreiros que subsistem apenas no Mediterrâneo – sobretudo nas regiões a sul da Península Ibérica, Argélia e Marrocos. Portugal, onde o montado é legalmente protegido, tem a maior extensão de sobreiros do mundo e lidera as exportações, com uma quota que ronda os 65%.
Segundo a Associação Portuguesa de Cortiça (APCOR), Portugal concentra 34 por cento da área mundial de montado, o correspondente a uma área de 736 mil hectares e 23 por cento da floresta nacional. A  APCOR cita um estudo do ISA que refere que o montado pode fixar cerca de seis toneladas de carbono por hectare e ano, o que corresponde, no caso de Portugal, a mais de quatro milhões de toneladas de carbono por ano. Um sobreiro vive em média 200 anos.

Fonte: Mundo Português

Um estudo divulgado esta segunda-feira pela Universidade de Aveiro conclui que por cada tonelada de cortiça produzida, o montado sequestra mais de 73 toneladas de dióxido de carbono.

O estudo coordenado pela Universidade de Aveiro (UA), o primeiro no país a quantificar a pegada de carbono do setor da cortiça, confirma os poderes ecológicos do sobreiro e do ecossistema que o envolve.

A capacidade da própria cortiça de reter o carbono absorvido durante o crescimento do sobreiro, permite que constitua um reservatório de carbono ao longo do seu ciclo de vida, garantindo que por cada tonelada de cortiça duas de dióxido de carbono sejam sequestradas da atmosfera.

Na Herdade da Machuqueira do Grou, em Coruche, o Instituto Superior de Agronomia, parceiro no estudo, registou ao longo dos últimos sete anos a quantidade de dióxido de carbono retirada da atmosfera por um ecossistema de montado (sobreiros, solo e toda a restante vegetação característica dos montados) com uma média de 177 árvores por hectare.

No âmbito do estudo, foi também avaliada a quantidade de gases com efeito de estufa emitida pelo setor nacional da cortiça, desde a floresta até ao destino final dos produtos feitos à base de cortiça, incluindo o respetivo processamento industrial, registando-se um saldo “extremamente positivo” para o meio ambiente.

“O setor de cortiça é um sumidouro efetivo de gases com efeito de estufa uma vez que o sequestro de dióxido de carbono da atmosfera é bastante superior às emissões desses gases emitidos ao longo do setor, desde a floresta até ao destino final dos produtos de cortiça”, garante Ana Cláudia Dias, investigadora do Departamento de Ambiente e Ordenamento e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA e coordenadora do trabalho.

Segundo Cláudia Dias, “os produtos produzidos a partir de cortiça nacional constituem reservatórios crescentes de carbono, quer durante a sua utilização, quer quando são depositados em aterro, tendo acumulado entre 150 e 250 mil toneladas de dióxido de carbono por ano nos últimos 15 anos”.

Os números sugerem que “a utilização de produtos de cortiça contribui para a mitigação das alterações climáticas, quer pela sua capacidade de acumular carbono quer pelo facto de substituírem produtos alternativos mais intensivos do ponto de vista energético”.

Financiado por fundos nacionais através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, através do Compete, o projeto desenvolveu um modelo de cálculo que permite que os produtos de cortiça passem a ser incluídos nos inventários nacionais de gases com efeito de estufa, tal como já sucede com os produtos de madeira.

Fonte: Jornal de Notícias – Portugal

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