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24/05/2016 – Gilson Cavalcante / Governo do Tocantins

  • Fernando Alves/Governo do Tocantins

Técnicos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e das empresas Geoconsult e SCCON estiverem reunidos nesta terça-feira, 24, para discutir sobre o mercado de sequestro e comércio de carbono (CO2), na Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). Ao final da primeira parte da reunião, Virgílio Gibbon, da FGV, apresentou a proposta para a implantação da metodologia para a mensuração das reduções de emissão de carbono por desmatamento, o que se denomina de crédito de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd).

A proposta elaborada pela FGV e a empresa Geoconsult, compreende três eixos: a mensuração por meio da metodologia; a certificação, que é submeter esse trabalho a organizações internacionais que vão validar se esses créditos, de fato existem e se são de boa qualidade; e a terceira, que é a fase de comercialização, cujos créditos são oferecidos ao mercado comprador, principalmente pelos países desenvolvidos.

De acordo com Virgílio Gibbon, é uma operação que promete no futuro ser um mercado bastante expressivo, porque os créditos de Redd são os únicos que apresentam um volume significativo capaz de contribuir para a redução do custo das emissões de carbono dos países desenvolvidos. “Sem os créditos de Redd, os países desenvolvidos não vão conseguir arcar com os custos necessários à redução de emissão que eles terão que fazer”, sustentou.

As duas primeiras etapas do projeto, só para elaboração, demorariam um ano, depois a certificação, que levaria mais um ano. “Mas a comercialização pode começar tão logo seja feita essa mensuração e seja submetida à certificação, uma vez que se pode vir a comercializar a créditos futuros”, observou o técnico da FGV.

No início dos trabalhos, Rodrigo Sabino, da Seplan, apresentou o Inventário Florestal do Estado do Tocantins, documento que servirá de base para a elaboração da metodologia de sequestro e comercialização de carbono. No mês de junho, técnicos do Grupo de Trabalho do Tocantins irão ao Acre conhecer detalhes sobre a experiência implantada naquele estado.

Protocolo de Quioto

Cada tonelada de CO2 não emitida ou retirada da atmosfera por um país em desenvolvimento pode ser negociada no mercado mundial. O mercado de créditos de carbono, que surgiu a partir do Protocolo de Quioto, acordo internacional que estabeleceu que os países desenvolvidos deveriam reduzir, entre 2008 e 2012, suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) 5,2% em média, em relação aos níveis medidos em 1990.

O Acre foi o primeiro estado a receber compensação por resultados na redução de emissões pelo desmatamento. A entrega da certificação REDD+SES (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal com Benefícios Socioambientais) foi feita em Paris, durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 21).

“Só foi possível por todo apoio e cooperação que tivemos na construção desse processo com as organizações e também a participação social, com todos os direitos sociais e ambientais das comunidades salvaguardados”, destacou Virgílio Gibbon, para quem os padrões ou salvaguardas socioambientais formam um conjunto de mecanismos de controle e monitoramento de riscos e de cumprimento de direitos.

Reunião

Participaram da reunião, além da secretária de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Meire Carreira; o subsecretário da pasta, Fábio Lelis; o diretor, Rubens Brito; Maurício Braga, da Geoconsult; Maurício Schavozin, da SCCON; Virgílio Gibbon, da FGV; Luiz Gylvan Meira, do Instituto de Estudos Avançados da USP; e de membros do Grupo de Trabalho (GT) do Governo do Estado, composto por representantes de vários órgãos.

Fonte: Portal Tocantins

Área sob responsabilidade dos produtores rurais tem papel fundamental para o sequestro e formação de estoques de carbono

SÃO PAULO – A vegetação nativa dentro das propriedades rurais privadas soma193 milhões de hectares na forma de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal (RLs) e desempenham um papel fundamental no sequestro e formação de estoques de carbono, já que esta extensão territorial corresponde a 53% do total de floresta original protegida do País.

Ou seja, os produtores rurais são responsáveis por mais da metade do território brasileiro coberto por mata nativa, o que dá ao agricultor e/ou pecuarista o protagonismo positivo no esforço que o Brasil tem a cumprir, sob o guarda-chuva do Acordo da ONU de Paris, de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEEs).

Isso porque a área rural, coberta por vegetação nativa, sob controle do segmento privado, é capaz de sequestrar e formar um estoque de aproximadamente 17 bilhões de toneladas de CO2eq,  o que é crucial para que o Brasil cumpra a meta de redução de emissões de GEEs de 37% até 2025 e de 43% até 2030, com base nos níveis registrados em 2005. O CO2eq [equivalente de dióxido de carbono] é a medida tradicionalmente mais aceita mundialmente nos cálculos de mitigação das emissões de GEEs.

O diagnóstico acima faz parte do estudo “O Acordo de Paris e o futuro do uso da terra no Brasil”, elaborado e recém-lançado pela organização Agroicone, o qual assinala que as contribuições brasileiras para o corte de emissões de GEEs têm íntima relação com a agenda de uso da terra, agropecuária e energias renováveis. De acordo com o documento, as obrigações de corte de emissões de GEEs presentes no Acordo de Paris farão com que o Brasil construa uma nova dinâmica de uso da terra nos próximos 20 anos.

Na avaliação de Rodrigo C. A. Lima, diretor da Agroicone e autor do estudo, as mudanças na utilização do solo no País, dentro deste contexto, envolverão “reduzir o desmatamento, implementar o novo Código Florestal, criar uma economia da restauração, dar escala às práticas de baixo carbono na agricultura, fomentar energias renováveis como biocombustíveis e biomassa, etc..” Segundo Lima, o desenho de novas políticas públicas que permitam aprofundar reduções de emissão e práticas de adaptação no setor de uso da terra e da agropecuária são vitais para o futuro do desenvolvimento sustentável no Brasil.

Novo Código Florestal

O estudo aponta, ainda, que o novo Código Florestal também tem significativo potencial de formação de estoques de carbono por meio da restauração e compensação florestal. Estima-se que o processo de regularização perante a nova lei enseje a restauração de cinco milhões de hectares de APPs e de ao menos 7,5 milhões de hectares de RLs, o que pode promover a formação de estoques de carbono da ordem de 4,5 bilhões de toneladas de CO2eq nos próximos 30 anos.

Fonte: InfoMoney

 

Um estudo divulgado esta segunda-feira pela Universidade de Aveiro conclui que por cada tonelada de cortiça produzida, o montado sequestra mais de 73 toneladas de dióxido de carbono.

O estudo coordenado pela Universidade de Aveiro (UA), o primeiro no país a quantificar a pegada de carbono do setor da cortiça, confirma os poderes ecológicos do sobreiro e do ecossistema que o envolve.

A capacidade da própria cortiça de reter o carbono absorvido durante o crescimento do sobreiro, permite que constitua um reservatório de carbono ao longo do seu ciclo de vida, garantindo que por cada tonelada de cortiça duas de dióxido de carbono sejam sequestradas da atmosfera.

Na Herdade da Machuqueira do Grou, em Coruche, o Instituto Superior de Agronomia, parceiro no estudo, registou ao longo dos últimos sete anos a quantidade de dióxido de carbono retirada da atmosfera por um ecossistema de montado (sobreiros, solo e toda a restante vegetação característica dos montados) com uma média de 177 árvores por hectare.

No âmbito do estudo, foi também avaliada a quantidade de gases com efeito de estufa emitida pelo setor nacional da cortiça, desde a floresta até ao destino final dos produtos feitos à base de cortiça, incluindo o respetivo processamento industrial, registando-se um saldo “extremamente positivo” para o meio ambiente.

“O setor de cortiça é um sumidouro efetivo de gases com efeito de estufa uma vez que o sequestro de dióxido de carbono da atmosfera é bastante superior às emissões desses gases emitidos ao longo do setor, desde a floresta até ao destino final dos produtos de cortiça”, garante Ana Cláudia Dias, investigadora do Departamento de Ambiente e Ordenamento e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA e coordenadora do trabalho.

Segundo Cláudia Dias, “os produtos produzidos a partir de cortiça nacional constituem reservatórios crescentes de carbono, quer durante a sua utilização, quer quando são depositados em aterro, tendo acumulado entre 150 e 250 mil toneladas de dióxido de carbono por ano nos últimos 15 anos”.

Os números sugerem que “a utilização de produtos de cortiça contribui para a mitigação das alterações climáticas, quer pela sua capacidade de acumular carbono quer pelo facto de substituírem produtos alternativos mais intensivos do ponto de vista energético”.

Financiado por fundos nacionais através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, através do Compete, o projeto desenvolveu um modelo de cálculo que permite que os produtos de cortiça passem a ser incluídos nos inventários nacionais de gases com efeito de estufa, tal como já sucede com os produtos de madeira.

Fonte: Jornal de Notícias – Portugal

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