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   Para descobrimos se o Mogno Africano é a melhor opção de investimento em se tratando de Florestas Plantadas e, principalmente, de madeiras nobres, devemos ter em mente dois principais aspectos: primeiro, o seu valor comparado as demais madeiras e, segundo, a sua taxa de desenvolvimento.

 

O Valor de Mercado

    O quadro comparativo abaixo exemplifica que, o Mogno Africano, assim como qualquer outra madeira Nobre, possui alto valor de mercado. Os valores estão em reais por metro cúbico de madeira:

    Vemos que seu valor se iguala ao Jatobá, sendo inferior, somente ao Ypê. Contudo, observamos também, que as madeiras nobres possuem um preço por metro cúbico expressivamente maior que o pinus e o eucalipto.

  Segundo a ITTO (The International Tropical Timber Organization – Organização Internacional das Madeiras Tropicais), o país de Gana exportou o metro cúbico da madeira serrada de Mogno Africano em 2014 a 629 Euros, conforme a tabela acima apresenta.

     A cotação de novembro de 2015 apresenta, ainda, uma alta dos preços. A madeira serrada de Mogno Africano da espécie Khaya Ivorensis foi exportada a 989 euros por m³. 

 O Desenvolvimento

  O Fuste de uma árvore é o comprimento do tronco que pode ser aproveitado em madeira serrada. Conforme demonstrado nas figuras abaixo, a taxa de crescimento do Mogno Africano é, em média, 1 metro de Fuste por ano.

     O DAP é o diâmetro do tronco medido na altura do peito, que no Mogno Africano evolui, em média, 5 cm por ano.

      Dessa forma, aos 10 anos, obtemos um Fuste de 10 metros e um DAP de 50 cm. Isso resulta em um volume de mais de 1,9 m³ de madeira por árvore.

  Podemos usar como parâmetro de comparação o Ipê-roxo, que somente aos 20 anos atinge, em média, um volume de 0,4 m³, conforme tabela abaixo¹.

     Esse desempenho volumétrico baixo não é exceção do ipê, mas pode ser verificado em diversas outras espécies de madeira nobre, tais como mogno brasileiro, teca, jatobá, cumaru, guanandi, entre outros.

     Conclusão

      Ao final dessas análises, concluímos que em termos de valor de mercado, o Mogno Africano se assemelha as demais madeiras nobres. Contudo, seu diferencial consiste em sua elevada taxa de crescimento, que é sensivelmente maior. Sendo, portanto, a melhor opção de investimento.

¹Ciência Florestal, v. 10 , n. 2, 2000, pág 96.

Fonte: Poupança Verde Mudas

O governo do presidente em exercício, Michel Temer, deverá implementar, ainda este ano, medidas de estímulo à produção agrícola e à pecuária, disse, nesta terça-feira (12), o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, durante almoço com Temer organizado pela Frente Parlamentar da Agropecuária.

Além de Maggi, participaram de almoço os ministros Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações).

Durante o encontro, Maggi mencionou os desafios de comandar a área que mais contribui com o Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ministro, bastante elogiado pelos parlamentares presentes no encontro, mencionou sua trajetória no setor. “Vivo esse negócio, conheço esse negócio”, frisou Maggi.

Ele mencionou que, caso o processo do impeachment passe pelo Senado, o governo do presidente em exercício, Michel Temer, apresentará medidas direcionadas para estimular o crescimento do agronegócio e melhoria das condições para exportação.

“Nós vamos sugerir algumas iniciativas importantes, mas vamos aguardar nos tornamos um governo definitivo”, disse.

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Ele também mencionou, ainda, que as as medidas não trarão novas imposições legais para o setor, que, na avaliação dele, já sofre com excesso de leis, normativos e decretos regulatórios.

“Ninguém gosta de entrar o ano com uma política e, virando o ano, já ter outra política. Tem uma série de áreas que precisam da atenção política, que precisam de cuidado. Áreas que precisam que o governo olhe para elas, e não que atrapalhe.”

Fonte: Portal Planalto 

 

O desmatamento ilegal da Floresta Amazônica avança a despeito da importância que a comunidade científica mundial e a sociedade atribuem ao bioma e ao impacto de sua destruição no clima do planeta. Em Mato Grosso, a região noroeste abriga o último maciço da floresta no estado e sofre forte pressão para exploração madeireira e ocupação de novas áreas para a produção agropecuária.

Entre os meses de agosto e dezembro de 2015, 419 quilômetros quadrados de Floresta Amazônica desapareceram do mapa no estado, de acordo com dados do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), operado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) com base em imagens de satélite gerados pela plataforma Google Earth Engine (EE).

A derrubada da mata nativa faz de Mato Grosso o único estado da Amazônia Legal a ampliar a área desmatada nos últimos cinco meses de 2015, com aumento de 16% no corte raso da floresta em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do SAD.

Entre janeiro e março de 2016, período de chuvas na região amazônica, as nuvens dificultam a visualização do desmatamento e da degradação florestal. O Boletim de Desmatamento da Amazônia Legal referente a janeiro de 2016, do Imazon, informa que Mato Grosso apresentou 63% de seu território coberto por nuvens, impedindo o cálculo do desmatamento no período.

Análises de imagens de satélite mostram que a tendência de retomada do desmatamento no estado começou em 2013. Segundo a especialista do Instituto Centro de Vida (ICV) de Mato Grosso Alice Thuault, o desmatamento total detectado de agosto a dezembro de 2015 é 670% maior do que o registrado no mesmo período em 2013.

“O padrão do desmate no estado mudou nos últimos 15 anos, provavelmente por causa dos satélites que dificultam que grandes áreas sejam derrubadas. Hoje, temos vários desmates pequenos, enquanto no passado eram mais comuns os grandes”, disse Alice. Segundo ela, o fato indica que novos pequenos proprietários continuam abrindo áreas, especialmente no noroeste do estado.

O chefe da Unidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) do município de Juína, responsável pela fiscalização de toda a região noroeste do estado, Evandro Selva, explica que o potencial econômico da madeira e das terras da região ameaçam o que resta da floresta.

“Há uma certa ganância pelos recursos madeireiros do último maciço florestal de Mato Grosso e que tem colocado em xeque a sobrevivência da floresta na região. O avanço da agricultura nas áreas de pecuária tem empurrado o gado ao norte, e essas florestas já enfraquecidas pela exploração madeireira vão cair, é uma conta matemática”, avalia.

A superintendente do Ibama em Mato Grosso, Livia Passos Martins, defende a mudança do modelo de desenvolvimento da região como o único caminho para pôr um ponto final no desmate ilegal. “Já existem tecnologias que permitem o avanço do agronegócio sem ser sobre áreas remanescentes. Precisamos rediscutir o modelo do estado para tentar entender porque há mais de 20 anos o estado avança no agronegócio mantendo o formato anterior de desmatamento da floresta.”

Livia Martins destaca que a ideia de que o desenvolvimento do agronegócio no estado e a proteção ambiental não podem andar juntas é ultrapassada, e que estudos mostram que se áreas desmatadas e degradadas do estado forem recuperadas não será preciso derrubar mais árvores. “Não dá para repetir os modelos antigos que têm demonstrado fracasso no país. Se os lucros do agronegócio retornassem para o estado com a redução da pobreza, por exemplo, ou o aumento do nível educacional, mas não é isso o que acontece. Infelizmente, a grande renda ainda está concentrada na mão de poucos”, avalia.

A secretária adjunta de Gestão Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Elaine Corsini, disse que o governo de Mato Grosso está cada vez mais preocupado em oferecer alternativas econômicas ao desmatamento no estado, especialmente para os pequenos produtores.

“Dar alternativas para não desmatar, para gerar uma renda, vender madeira como fonte de renda. É preciso fazer com que tenham incentivos para usar territórios que já foram abertos no passado que, em muitas situações, o Código Florestal considera como áreas consolidadas, abertas antes de 2008, mas que ele possa produzir nessas áreas e evitar a abertura de novas áreas. Pensar em alternativas para que essas pessoas possam se estabelecer, produzir e viver da produção em áreas que já foram abertas,” explica.

Na última Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 21), sediada em Paris, em novembro de 2015, o governo federal assumiu o compromisso de acabar com o desmatamento ilegal da Amazônia até 2030. Em Mato Grosso, o governo estadual foi mais ousado e se comprometeu a acabar com o desmatamento ilegal no estado até 2020.

A estratégia apresentada pelo estado para acabar com o desmatamento ilegal foi desenvolvida em parceria entre todas as esferas do governo, especialistas de diversas organizações não governamentais e o setor produtivo.

O projeto prevê a substituição de 6 milhões de hectares de pastagens de baixo rendimento por cultivos de alta produtividade, sendo 3 milhões de hectares para grãos, como soja, milho e algodão, 2,5 milhões de hectares para a pecuária e meio milhão para floresta plantada. O projeto também prevê que 6 milhões de hectares de florestas nativas sejam licenciadas para manejo florestal sustentável, uma alternativa para explorar a madeira sem ameaçar a floresta.

A secretária Elaine Corsini destaca que o desmatamento no estado se concentra em poucos municípios que enfrentam questões fundiárias complexas, “cerca de 10”, o que torna difícil responsabilizar os culpados pelo desmate. “Precisamos fazer um esforço para efetivar a regularização nesses municípios”, disse. “Alguns municípios reclamam muito da questão fundiária. A regularização facilitaria, por exemplo, investimentos e acesso a crédito em muitas áreas.”, explica.

Elaine disse que as iniciativas para frear o desmatamento no estado estão previstas no Programa Municípios Sustentáveis. “O projeto vai captar recursos do Fundo Amazônia para fazer a regularização fundiária em diversos municípios. Teremos recursos para cadastrar os pequenos e fazer um levantamento de quem está no campo, produzindo o que, o que vai auxiliar no controle e planejamento para essas áreas”, disse Elaine, lembrando que o trabalho de combate ao desmatamento é conjunto e precisa envolver diversos órgãos.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), com o apoio técnico da Universidade de Brasília (UnB), está desenvolvendo um projeto em 126 assentamentos na região norte de Mato Grosso para fazer a regularização ambiental das áreas e um diagnóstico da produção nesses assentamentos. “Com esse diagnóstico, vamos saber mais sobre a realidade atual para sabermos como agir para resolver o problema”, explicou Elaine Corsini.

Regularização ambiental

A bióloga Alice Thuault, diretora adjunta do Instituto Centro de Vida, destaca que, além da problemática fundiária, o Brasil precisa avançar na regularização ambiental das propriedades rurais para combater desmates e queimadas ilegais.

Para Alice, a demora na implementação do Código Florestal Brasileiro gera uma expectativa de que a legislação não será colocada em prática. Além disso, dá a impressão de que novas áreas poderão ser regularizadas e consolidadas para a produção agropecuária e que a recuperação de passivos ambientais não será cobrada de quem está desmatando agora. “A gente está em 2016, o código foi aprovado em 2012, e poucos avanços aconteceram. Estamos numa situação em que todos estão duvidando que a política pública vai pegar e será colocada em prática”, disse.

Entre as regras previstas no Código Florestal está o Cadastro Ambiental Rural de todas as áreas rurais do país, documento em que o proprietário apresenta o mapeamento das propriedades e informa as áreas consolidadas para atividade produtiva, as áreas de reserva legal e os passivos ambientais que devem ser recuperados nos imóveis rurais.

Em seguida, cada estado vai validar os cadastros. A validação do CAR vai permitir ao estadosaber qual é o passivo ambiental de todas as propriedades rurais de acordo com a lei. A partir daí, os proprietários terão que apresentar uma proposta de regularização das áreas. Essa cobrança ainda não começou a ser feita em nenhum estado brasileiro.

Alice Thualth lamenta que a validação desses cadastros avance lentamente e teme a prorrogação do prazo, previsto para encerrar em maio de 2016. “Já deveríamos estar validando o CAR há quatro anos, mas essa atividade nem começou. Por isso tem muitos rumores sobre a prorrogação do prazo do CAR. Somos contra a prorrogação do CAR, mas sabemos que para ser feito o Estado precisa auxiliar os pequenos produtores a se cadastrarem. Esse, para mim, é um dois maiores fatores do desmatamento”, avalia.

No início de maio, o governo federal prorrogou por mais um ano o prazo para que os mais de 1 milhão de proprietários e posseiros de pequenas terras que ainda não fizeram o cadastro não sejam prejudicados no acesso aos benefícios previstos no Código Florestal. A prorrogação do CAR não vale para propriedades superiores a quatro módulos fiscais, o equivalente a 110 hectares. Nesse caso, os proprietários que não cumpriram o prazo vão perder o direito aos benefícios do Programa de Regularização Ambiental (PRA) e também ficarão sujeitos a restrições de crédito agrícola após 2017.

A secretária adjunta de Gestão Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Elaine Corsini, disse que, em Mato Grosso, a validação teve início em setembro e destacou que o estado está à frente dos demais. Segundo ela, a base de cadastros dobrou no último ano, passando de 43 mil para 87 mil propriedades. “Nós migramos os 43 mil cadastros que já tínhamos no sistema do estado para a base de dados do governo federal (Sicar) e em setembro do ano passado começamos a validar os cadastros, com um módulo feito pelo Serviço Florestal Brasileiro”, diz.

A superintendente do Ibama em Mato Grosso, Livia Martins, disse o Código Florestal pode ter influenciado o aumento do desmatamento. “Toda vez que se cria uma expectativa de mudança de legislação, cria-se uma certeza na mentalidade rural de que vai haver alguma facilitação, seja ela qual for. Até virar prátíca, a gente já perdeu uma boa parte da floresta. Então, sempre que há mudança de norma, é preciso haver uma estratégia de comunicação forte para que a gente possa atingir o entendimento daqueles que estão em locais distantes do estado.”

Livia defende que o CAR seja efetivado o quanto antes pois vai viabilizar ao Ibama identificar a regularização e os limites das propriedades onde há, por exemplo, sobreposição com terra indígena, por exemplo, se há reserva legal completa, se há área de preservação permanente conservada.

Ela avalia que, no momento, há uma lacuna entre a legislação estadual e federal, mas alerta os proprietários rurais a cumprirem as regras do código porque, segundo ela, não serãoflexibilizadas. “Até a norma virar prática e os proprietários se habituarem em como os órgãos de controle estão incorporando a legislação nos procedimentos leva um tempo, até que percebam como vai funcionar”, explica. “A ordem é: não vamos desembargar áreas com desmatamento recente. Desmatou recentemente, a área não vai ser desembargada”, afirma.

Problemas fundiários, fiscalização precária e violência são entraves no combate ao desmatamento da Amazônia

Área degradada no município de Colniza, noroeste de Mato Grosso. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Área degradada no município de Colniza, noroeste de Mato Grosso. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)Marcelo Camargo/Agência Brasil

As causas para a derrubada da vegetação nativa no noroeste de Mato Grosso são múltiplas. O desmatamento segue uma fórmula conhecida há décadas no estado, tanto nos assentamentos feitos por iniciativas de colonização privadas e públicas nas décadas de 60 e 80, quanto entre os que ainda chegam na região em busca de uma vida melhor. A madeira de alto valor econômico é extraída e depois se faz o corte raso da área, retirando toda a cobertura vegetal nativa para abrir espaço para pastagens ou plantações, em especial a monocultura da soja.

“A extração florestal, que é a parte inicial do desmate, dá o upgrade financeiro para manter o gado em cima, para fazer o pasto, fazer cercas, casas e estrada. É a madeira que dá esse aporte financeiro”, explica Evandro Selva, chefe da unidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de Juína, a 754 km de Cuiabá, responsável pela fiscalização de 11 municípios do noroeste do Mato Grosso.

A fiscalização ambiental na região é precária. Três fiscais do Ibama trabalham continuamente em campo em uma área de 150 mil km2. “A área é quase o estado do Paraná. Na unidade temos três fiscais ligados à fiscalização em campo. O pessoal da unidade não é suficiente, por isso nós temos o apoio da operação Onda Verde, que traz mensalmente fiscais de outras partes do país”, disse.

Evandro Selva contou que os fiscais ambientais que atuam na região sofrem ameaças com frequência. O helicóptero do órgão não está fazendo sobrevoos em Colniza, município campeão do desmatamento no estado, porque o serviço de fornecimento de combustível para a aeronave foi interrompido depois de que o caminhão-tanque foi impedido de chegar ao local.

“Recentemente nosso caminhão de combustível foi impedido de permanecer na cidade e foi mandado de volta para Juína. Nossa logística para chegar com a aeronave lá depende de apoio policial para escoltar esse caminhão, para que as equipes possam trabalhar com mais eficácia. Isso não impede que o Ibama trabalhe, só dificulta o nosso trabalho e cria uma certa tensão com as pessoas locais e com os fiscais que são de fora, mas não impede o trabalho”, diz.

A bióloga Alice Thuault, do Instituto Centro de Vida (ICV), avalia que alguns desses municípios são terras sem lei. “A maior parte dos desmatadores sabem o que estão fazendo, são quadrilhas organizadas. Os municípios com maior desmatamento têm também altos índices de violência. É o faroeste, é longe, o acesso é difícil. O mundo político precisa ser renovado e o estado precisa chegar.”

A superintendente do Ibama em Mato Grosso, Livia Martins, concorda que a ausência do Estado pode contribuir para desmatamento. “O noroeste é uma área de difícil acesso, então, na prática, o acesso é via helicóptero. A própria presença reduzida do Estado faz com que a ação de desmatamento aumente”, diz Lívia Martins.

Evandro Selva disse que o Ibama de Juína e a operação Onda Verde estão “focados exclusivamente” na questão do desmatamento. “Sempre tem outros crimes aliados a isso, muitos que fogem da competência do Ibama, como trabalho escravo, formação de quadrilha, desvio de recurso público, mas o que a gente enfrenta e que é competência do Ibama é a investigação dos responsáveis pelo desmatamento”, explica.

Apoio do Poder Público local

O chefe do Ibama no noroeste de Mato Grosso, Evandro Selva, disse que o órgão só conta com o apoio logístico de três prefeituras da região para a retirada de bens apreendidos durante as operações, como toras de madeira e tratores. “São os municípios de Juruena, Castanheira e Juína.” Segundo ele, nos demais municípios, não há parceria. “Hoje não temos que tirar equipamentos apreendidos no interior da terra indígena porque as prefeituras não apoiam nosso trabalho na questão logística. Eles não têm obrigação de fazer isso, seria mais uma questão de cooperação. E o Ibama hoje depende desse tipo de apoio, pois não temos contrato de logística.”

Evandro Selva disse que o Ibama tem processos de licitação em andamento para contratos de logística nessas regiões e que, em algumas operações, contam com o apoio do Exército Brasileiro. “Mas são casos isolados. Precisamos ter uma ferramenta que o Ibama possa lançar mão sempre que necessário”, argumenta.

Fonte: Agencia Brasil

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É o que acredita o professor doutor Jorge Malinovski, diretor geral da Malinovski Florestal

O renomado professor doutor aposentado Jorge Malinovski participou do 4º Workshop Internacional do Mogno Africano, proferindo palestra sobre fatores que podem influenciar o plantio florestal. Diretor geral da Malinovski Florestal, ele explicou sobre o histórico da empresa e sua presença em outros países, além dos inúmeros eventos de sucesso, como a Expoforest e a recém-lançada Lignum.

Segundo Jorge Malinovski, o mogno africano tem 15 mil hectares plantados no Brasil. Ele acredita que este número deve aumentar, mas ainda é incipiente quando comparado ao eucalipto e pinus. Para isso, é necessário trazer valor agregado ao produto com os desbastes no momento certo, com espaço adequado, além da poda. Malinovski acredita que o sistema silvipastoril será oportuno para o mogno africano. “É preciso escolher bem o tipo de produto, com um foco para infraestrutura, porque com uma boa estrada evita-se perdas”, explicou.

De acordo com Jorge Malinovski, é necessário definir o negócio, ou seja, se será em chapas, serrarias ou laminação, para que, a partir daí, seja possível enfrentar os desafios e restrições. Para ele, os produtores rurais devem buscar mais informações sobre o plantio, além de procurar conhecer o código florestal, para saber o percentual de reserva legal, além do custo da terra, da mão de obra especializada e das pragas e doenças. “O segmento florestal é o que mais protege o meio ambiente”, destacou Maliinovski.

Ele lembrou que o Brasil é o país ideal para investir em florestas, por ter clima e tecnologia para o setor. Malinovski disse, ainda, que há mercado, mas cada caso precisa ser estudado. Para ele, o mogno africano será um negócio lucrativo e rentável, embora a avaliação preliminar seja boa no sentido de mostrar-se como uma poupança no longo prazo. “É fundamental um planejamento detalhado”, acrescentou Malinovski.

Fonte: Painel Florestal

Área sob responsabilidade dos produtores rurais tem papel fundamental para o sequestro e formação de estoques de carbono

SÃO PAULO – A vegetação nativa dentro das propriedades rurais privadas soma193 milhões de hectares na forma de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal (RLs) e desempenham um papel fundamental no sequestro e formação de estoques de carbono, já que esta extensão territorial corresponde a 53% do total de floresta original protegida do País.

Ou seja, os produtores rurais são responsáveis por mais da metade do território brasileiro coberto por mata nativa, o que dá ao agricultor e/ou pecuarista o protagonismo positivo no esforço que o Brasil tem a cumprir, sob o guarda-chuva do Acordo da ONU de Paris, de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEEs).

Isso porque a área rural, coberta por vegetação nativa, sob controle do segmento privado, é capaz de sequestrar e formar um estoque de aproximadamente 17 bilhões de toneladas de CO2eq,  o que é crucial para que o Brasil cumpra a meta de redução de emissões de GEEs de 37% até 2025 e de 43% até 2030, com base nos níveis registrados em 2005. O CO2eq [equivalente de dióxido de carbono] é a medida tradicionalmente mais aceita mundialmente nos cálculos de mitigação das emissões de GEEs.

O diagnóstico acima faz parte do estudo “O Acordo de Paris e o futuro do uso da terra no Brasil”, elaborado e recém-lançado pela organização Agroicone, o qual assinala que as contribuições brasileiras para o corte de emissões de GEEs têm íntima relação com a agenda de uso da terra, agropecuária e energias renováveis. De acordo com o documento, as obrigações de corte de emissões de GEEs presentes no Acordo de Paris farão com que o Brasil construa uma nova dinâmica de uso da terra nos próximos 20 anos.

Na avaliação de Rodrigo C. A. Lima, diretor da Agroicone e autor do estudo, as mudanças na utilização do solo no País, dentro deste contexto, envolverão “reduzir o desmatamento, implementar o novo Código Florestal, criar uma economia da restauração, dar escala às práticas de baixo carbono na agricultura, fomentar energias renováveis como biocombustíveis e biomassa, etc..” Segundo Lima, o desenho de novas políticas públicas que permitam aprofundar reduções de emissão e práticas de adaptação no setor de uso da terra e da agropecuária são vitais para o futuro do desenvolvimento sustentável no Brasil.

Novo Código Florestal

O estudo aponta, ainda, que o novo Código Florestal também tem significativo potencial de formação de estoques de carbono por meio da restauração e compensação florestal. Estima-se que o processo de regularização perante a nova lei enseje a restauração de cinco milhões de hectares de APPs e de ao menos 7,5 milhões de hectares de RLs, o que pode promover a formação de estoques de carbono da ordem de 4,5 bilhões de toneladas de CO2eq nos próximos 30 anos.

Fonte: InfoMoney

 

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Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento anunciou a criação de grupo de elite de fiscalização agropecuária com 628 agentes

O governo anunciou a criação de um “exército” para atuar na defesa do agronegócio brasileiro. Chamada de Força Nacional do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (FN-Suasa), a tropa de elite contará com 628 fiscais agropecuários de várias áreas responsáveis pela segurança do setor. O grupo terá a missão de executar medidas de prevenção, vigilância, assistência e controle de situações de risco epidemiológico e de desastres fitossanitários e zoossanitários que ameacem lavouras e rebanhos. A medida foi assinada pela presidente Dilma Rousseff e publicada em Diário Oficial nesta quarta-feira (4).

No total, 270 agentes do grupo são do próprio Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) – que elaborou a medida. O restante do grupo será formado por fiscais estaduais e municipais, entre eles médicos, veterinários e engenheiros agrônomos. A “tropa” contará com metodologia própria e será capaz de agir rapidamente de acordo com protocolos quando forem detectadas ameaças.

Na articulação do projeto estarão, segundo o governo, entidades públicas e privadas, coordenada pela Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). As instituições intermediárias da iniciativa serão as agências estaduais de defesa agropecuária dos estados e do Distrito Federal.

O governo não divulgou uma data de quando o grupo começa a atuar.

Fonte: Gazeta do Povo

Preservar as florestas é essencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa

 

O maior país da América Latina continua a perder áreas de floresta tropical equivalentes a dois campos de futebol por minuto, apesar das tentativas de frear o desmatamento ilegal e aprimorar os direitos territoriais locais, disse um ex-diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro.

O índice de desmatamento no Brasil, lar das maiores florestas tropicais do mundo, diminuiu significativamente entre 2004 e 2010, mas voltou a crescer nos últimos anos devido à falta de inovação e planejamento governamental, afirmou Tasso Azevedo à Thomson Reuters Foundation.

Preservar as florestas é essencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e combater a mudança climática, já que as árvores retiram gás carbônico da atmosfera. As florestas também abrigam centenas de milhares de pessoas que dependem delas para sua subsistência.

“Em alguns casos, estamos andando para trás”, alertou Azevedo, citando a pouca cooperação entre departamentos do governo que competem entre si e a sociedade civil brasileira.

“Isto não é um problema de um ministério – é um problema que diz respeito a como o governo tem se estruturado nos últimos dois anos”, disse.

Os órgãos estatais são menos inclinados a aceitar ajuda da sociedade civil, disse, e dentro das agências ambientais governamentais não existe muita abertura para novas ideias e estratégias.

Como parte de seu plano de ação nacional, submetido para o novo acordo de combate à mudança climática, o Brasil se comprometeu a eliminar o desmatamento ilegal e restaurar e replantar 12 milhões de hectares de terras, ambos até 2030.

A taxa de desmatamento na Amazônia brasileira caiu quase 80 por cento entre 2003 e 2013, de acordo com um estudo publicado no ano passado no periódico científico “Global Change Biology”, mas subiu novamente, aumentando 16 por cento no período de 12 meses encerrado em julho de 2015.

Hoje o país está perdendo cerca de 5 mil quilômetros quadrados de floresta amazônica anualmente, um dos maiores declínios em valores absolutos de qualquer nação, disse Azevedo.

Autoridades do governo brasileiro dizem que o país está trabalhando duro para reduzir o desmatamento e a mudança climática.

Cerca de 80 por cento do desmatamento em curso na Amazônia é resultado de atividades ilegais, observou Azevedo, citando estatísticas do próprio governo. As autoridades precisam melhorar suas técnicas de aplicação da lei para freá-las, acrescentou.

Fonte  http://www.forbes.com.br/negocios/2016/04/brasil-perde-area-de-floresta-igual-a-dois-campos-de-futebol-por-minuto/

 

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A intensidade da exposição a este risco dependerá da data de plantio das lavouras de milho nestes Estados

A presença do El Niño no verão garantiu boas condições de umidade para o período do plantio de milho, mas o enfraquecimento do fenômeno climático coincidindo com o outono contribui para que algumas ondas de frio neste ano cheguem mais cedo.

No geral, o enfraquecimento do El Niño ao longo do primeiro semestre terá impactos diferentes sobre as lavouras de milho, conforme a região de produção.

No caso da segunda safra do Paraná e de Mato Grosso do Sul, a principal ameaça neste ano está associada à ocorrência de geadasentre o final de maio e o início de junho. A intensidade da exposição ao risco dependerá da data de plantio das lavouras.

Para os Estados de Mato Grosso e Goiás, bem como para as áreas produtoras do sudeste do Brasil, o risco está relacionado ao fato de omilho ter sido semeado mais tarde, por causa do atraso no plantio e da colheita da safra de verão.

Neste ano, as chuvas de verão devem cortar mais cedo, na segunda quinzena de abril. O mês de maio deve apresentar um padrão seco. Mas o enfraquecimento do El Niño favorece a ocorrência de alguns episódios isolados de chuvas, associados à propagação de frentes frias sobre o sudeste do Brasil.

Esses episódios isolados de chuvas no Sudeste, previstos para maio e início de junho, mesmo que não garantam condições ideais para o desenvolvimento das lavouras, são fundamentais para as fases de floração e enchimento degrão.

EUA

Há probabilidade de estiagem no verão

A mudança do clima no decorrer de 2016 representa aumento do risco para as lavouras de soja e milho dos Estados Unidos.

O enfraquecimento do El Niño contribui para diminuir a possibilidade de excesso de chuva durante a primavera, que, associada à elevação da temperatura, deve favorecer o período de plantio. Em contrapartida, essa condição climática aumenta o risco de estiagens regionalizadas durante o verão.

No caso da Ásia e da Oceania, o enfraquecimento do El Niño, sem dúvida, é uma boa notícia, tendo em vista que partes do continente asiático e da Austrália já sentem os efeitos da redução das chuvas (seca) provocadas pelo fenômeno. Portanto, o indicativo é mais favorável para o verão de 2016 nesses continentes, com a normalização das chuvas, beneficiando diretamente a produção de cana-de-açúcar da Índia.

Vale a pena lembrar que as condições da atmosfera reagem às diferentes fontes de energia. A principal é o Sol, que, em função do movimento da Terra em torno do mesmo, define o ciclo sazonal, ou seja, as estações do ano.

A segunda fonte de energia são os oceanos, cujo aquecimento ou resfriamento acaba influenciando no comportamento do clima nos continentes.

No caso do Pacífico equatorial, trata-se de um ciclo interanual, embora não bem determinado, mas que influencia diretamente na qualidade das estações do ano em diversas partes do globo.

Isso explica porque o clima pode variar tanto de um ano para outro. Cada vez mais, a ocorrência de fenômenos climáticos desperta interesse e expectativas.

Café, cana e laranja

Indicativo de La Niña favorece colheita

Para as culturas perenes e semiperenes, caso da cana-de-açúcar, café e laranja, cuja produção se concentra na Região sudeste, o El Niño, em grande parte, ajudou na recuperação do déficit hídrico acumulado, especialmente nos últimos dois anos.

As áreas produtoras de cana e laranja de São Paulo há mais de seis meses registram sucessivamente chuvas acima da média. As áreas produtoras de café se beneficiaram mais com as chuvas dos meses de verão.

O Espírito Santo é uma exceção, pois a lavouras de café ainda sofrem as consequências do terceiro ano seguido de precipitações abaixo da média.

O enfraquecimento do El Niño e o indicativo de La Niña para o segundo semestre representam uma condição com temperaturas mais amenas e período seco (inverno) mais longo, o que, em tese, favorece o período de colheita.

Pastagens

Chuvas não repõem o déficit hídrico

O janeiro mais chuvoso e as conhecidas chuvas em março são insuficientes para repor o déficit hídrico acumulado nos últimos anos nas áreas de pastagem do Sudeste e do Centro-Oeste. As pastagens não tiveram condições adequadas de desenvolvimento pleno durante o verão e continuarão expostas ao déficit, pois as chuvas neste ano devem cortar mais cedo.

O cenário para 2016 se agrava em função do indicativo de um período seco (inverno) mais longo, incluindo também as regiões de pastagens do norte e nordeste do Brasil.Já as pastagens da Região Sul e também de Mato Grosso do Sul e de São Paulo, que há mais de um ano se beneficiam com chuvas abundantes, passam a conviver com redução gradual das chuvas de agora em diante, devido ao enfraquecimento do fenômeno. Além disso, há principalmente o risco de ocorrência de geadas no próximo inverno.

Argentina

El Niño confirma a fama de período chuvoso

As principais regiões produtoras de grãos da Argentina terminaram fevereiro apresentando excelentes condições de umidade do solo, graças à presença do El Niño, que provocou chuvas desde a instalação das lavouras.
Vale lembrar que essa não é a condição padrão para a Argentina, que normalmente costuma enfrentar problemas de falta de chuva e períodos de estiagem durante os meses de verão.

É importante observar que, no caso da Argentina, o indicativo de La Niña para o segundo semestre de 2016 representa aumento do risco para a lavoura de 2017.

Considerando as dimensões territoriais da lavoura na Argentina, nem a presença do El Niño este ano foi suficiente para garantir condições de chuvas regulares em todas as províncias.

Para março e abril, ainda permanece o risco de ocorrência de alguns episódios de frentes frias intensas e chuvas fortes.

Porém, o enfraquecimento do El Niño, em parte, ajuda a reduzir a pressão do excesso de chuvas, o que, em tese, favorece o período de colheita.

Essa condição também favorece para que o outono e o inverno sejam um pouco mais frios, embora sem previsão de frio extremo e duradouro.

Fonte: Revista Globo Rural

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O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) avaliaram na quinta-feira, 25 de fevereiro, um novo sistema de aplicação do Índice Municipal de Vulnerabilidade Humana à Mudança do Clima. A ferramenta está em fase de construção por meio de projeto financiado pelo Fundo Clima. Ao todo, R$ 2,8 milhões serão investidos. O objetivo é criar indicadores dos riscos gerados pelo aquecimento global para a população brasileira.

O sistema será usado, de forma inicial, em seis estados. Já foram apresentados os resultados da aplicação dos índices de vulnerabilidade no Espírito Santo e em Pernambuco. Os outros quatros estados são Paraná, Mato Grosso do Sul, Amazonas e Maranhão. De acordo com o diretor-substituto de Licenciamento e Avaliação Ambiental do MMA, Pedro Christ, a estratégia deve ser expandir o uso do sistema futuramente.

A partir da inserção de dados, serão gerados mapas temáticos que permitirão o cálculo de índices como o de vulnerabilidade sociodemográfica, além de mostrar as sensibilidades e os riscos de exposição futura. “A construção desse sistema é uma oportunidade de levar a discussão para os estados e trazer elementos práticos para que sejam desenvolvidas ações em adaptação à mudança do clima”, explicou Pedro Christ.

Ações de adaptação se referem a iniciativas e medidas capazes de reduzir a vulnerabilidade dos sistemas naturais e humanos frente aos efeitos atuais e esperados da mudança do clima. Ou seja, são uma forma de resposta para lidar com possíveis impactos e explorar eventuais oportunidades. A elaboração de uma estratégia de adaptação envolve, entre outras coisas, a identificação da exposição a esses impactos com base em projeções e cenários climáticos.

Fonte: (Por Lucas Tolentino, do Ministério do Meio Ambiente) via ecodesenvolvimento

 

Órgãos ambientais fazem panorama dos recursos hídricos em Goiás

A escassez de água é a maior ameaça ambiental no planeta, mas, só recentemente o mundo despertou para a problemática realidade de que, diante dos maus usos da água, o recurso natural está se tornando escasso. Por isso, é preciso anular a falsa ideia de que a água nunca irá acabar.

Os órgãos ambientais responsáveis pelos recursos hídricos de Goiás descartam a possibilidade de racionamento de água, apesar do problema já estar afetando algumas cidades. Há, portanto, o indicativo de adaptação de todo o sistema, segundo o superintendente de recursos hídricos, Bento de Godoy, da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos de Goiás. “Temos que tratar da multiplicidade dos usos da água. Nosso Estado é chamado de berço das águas e a nossa missão é ser proativo. Por isso, estamos traçando planos de gestão de água para os próximos anos. Já prevendo qualquer escassez de água estamos fazendo varias ações de fiscalização”, explica.

A poluição e o uso inadequado da água comprometem o abastecimento em várias regiões. Segundo o geógrafo e especialista em geociências do Meio Ambiente, Luiz Soares Cherem, há fatores que desequilibram fortemente as fontes de água. “Qualquer alteração no equilíbrio do ciclo hidrológico: desde o desmatamento de grandes áreas, que reduzem a infiltração e a quantidade de água disponível para as nascentes, até o rebaixamento do nível freático por grandes projetos de mineração e empreendimentos em áreas urbanas”, afirmou.

O Brasil concentra em torno de 12% da água doce do mundo disponível em rios e abriga o maior rio em volume do planeta, o Amazonas. “O país tem uma característica ambiental muito interessante que nos favorece. Nós temos o nosso grande gerador de água que é a Amazônia, – que abastece as regiões Sudeste e Centro-Oeste do país”, afirma o pesquisador e professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia do Meio Ambiente da Universidade Federal de Goiás (UFG), Nilson Clementino. A Região Centro-Oeste é a segunda mais rica em disponibilidade de recursos hídricos (15,3%), de acordo com relatório da Agência Nacional das Águas (ANA). Mas apesar da abundância de água, os recursos hídricos não são inesgotáveis. Segundo explica Clementino, uma pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) estudou a  Amazônia  e sua relação com o clima e as chuvas no país, e concluiu que o desmatamento dessa região influencia na falta de água em regiões como o Sudeste e o Centro-Oeste brasileiro.

Distribuição de água em Goiânia e Região Metropolitana

O superintendente Bento de Godoy afirma que Goiânia é umas das capitais que fazem melhor distribuição de água do país, mas, apesar disso, o lançamento de esgoto clandestino e poluição dos mananciais têm contribuído para a degradação do recurso. Na capital e Região Metropolitana, os problemas de abastecimento estão diretamente relacionados ao desperdício da água e à urbanização descontrolada das cidades que atinge regiões de mananciais. “A qualidade da água em Goiás, segundo pesquisa, geralmente é boa em algumas regiões e regular em outras. Mas o hábito de degradar o meio ambiente, pode acarretar, no futuro, a escassez de água em Goiás e, principalmente, na região metropolitana de Goiânia onde as cidades vizinhas à capital crescem aceleradamente”, alerta o pesquisador Clementino.

Uma das alternativas apresentadas pelo pesquisador para reduzir o agravamento da seca e dos problemas ambientais no país, é acabar com o desmatamento na Amazônia. A falta de água acontece em decorrência da desigualdade social, da falta de manejo e usos sustentáveis dos recursos naturais. O problema da escassez de água em Goiás vai além dos problemas de saneamento, disponibilidades hídricas, qualidade e quantidade de água, etc. O professor de Ciências Ambientais da Universidade Federal de Goiás Denilson Teixeira afirma que é possível repensar a distribuição de água em Goiânia e, sobretudo, do crescimento da cidade. “A falta d’água depende da quantidade e qualidade de ocupação e crescimento populacional”, informa.

A situação da capital no panorama de escassez hídrica no Brasil é confortável para os próximos anos, mas a população e os municípios precisam estar mais atentos. “O Sistema Produtor Mauro Borges, que compreende a barragem do Ribeirão João Leite, acumula água para abastecer Goiânia até meados de 2040”, afirma o superintendente de recursos hídricos Bento de Godoy.

Em Goiânia, o Rio Meia Ponte sofre com a poluição. Segundo Godoy, o manancial ainda carece de cuidados apesar de ações feitas pelo governo como a própria Estação de Tratamento de Água e Esgoto (ETE), pois todos outros mananciais desembocam no rio. São eles: o Córrego Caveirinha, Marginal Botafogo e Ribeirão João Leite. O Meia Ponte está poluído, mas estamos com ação efetiva com construções de maiores interceptores nas margens dos principais afluentes e uma campanha de educação ambiental para minimizar os impactos da contaminação da água. Mas é necessário que a população abrace a causa”, esclarece.

O Brasil concentra em torno de 12% da água doce do mundo disponível em rios e abriga o maior rio em volume do planeta, o Amazonas.

Na região Sudeste de Goiás, na bacia do Rio Corumbá é bastante utilizada para geração de energia elétrica. Para se ter uma ideia, Goiás corresponde a aproximadamente 10% da energia gerada no Brasil. O Rio Corumbá tem se restabelecido. Mas é preciso ressaltar que “se estivéssemos economizando energia, consequentemente, estaríamos economizando água nesses reservatórios”, afirma Godoy.

No Rio Araguaia, por exemplo, não é recomendável se ter hidrovias, porque ele é raso e de margens frágeis. Sua vocação, portanto, é para o turismo.  O governo estadual não tem uma gestão especifica para este rio, porque ele é de natureza federal. Já o Rio Vermelho, na Cidade de Goiás, tem a bacia hidrografia bem fechada, solo seco e bastante rochoso. “O que chove na cidade escoa basicamente para o rio. Mas temos mapeado ações de recomposição do solo e instalamos réguas de monitoramento de vazão, para que observemos rapidamente o nível da água”, explica Godoy. Porém, apesar desses progressos, ainda persistem disparidades significativas.

Bento de Godoy afirma que a meta da Secretaria Estadual de Meio Ambiente é fazer o reenquadramento dos rios e a despoluição deles. Uma ação de trabalho de conscientização e reflorestamento é importante, pois vai fazer com que as nascentes tenham a vazão conservada. Assim, a qualidade e distribuição da água melhorará.  Os recursos hídricos no Centro-Oeste brasileiro e, sobretudo em Goiás, despertam discussões sobre mudanças climáticas, consumo, investimentos e alternativas de abastecimento.

28/02/2016 ÀS 19:18 PM

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