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Órgãos ambientais fazem panorama dos recursos hídricos em Goiás

A escassez de água é a maior ameaça ambiental no planeta, mas, só recentemente o mundo despertou para a problemática realidade de que, diante dos maus usos da água, o recurso natural está se tornando escasso. Por isso, é preciso anular a falsa ideia de que a água nunca irá acabar.

Os órgãos ambientais responsáveis pelos recursos hídricos de Goiás descartam a possibilidade de racionamento de água, apesar do problema já estar afetando algumas cidades. Há, portanto, o indicativo de adaptação de todo o sistema, segundo o superintendente de recursos hídricos, Bento de Godoy, da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos de Goiás. “Temos que tratar da multiplicidade dos usos da água. Nosso Estado é chamado de berço das águas e a nossa missão é ser proativo. Por isso, estamos traçando planos de gestão de água para os próximos anos. Já prevendo qualquer escassez de água estamos fazendo varias ações de fiscalização”, explica.

A poluição e o uso inadequado da água comprometem o abastecimento em várias regiões. Segundo o geógrafo e especialista em geociências do Meio Ambiente, Luiz Soares Cherem, há fatores que desequilibram fortemente as fontes de água. “Qualquer alteração no equilíbrio do ciclo hidrológico: desde o desmatamento de grandes áreas, que reduzem a infiltração e a quantidade de água disponível para as nascentes, até o rebaixamento do nível freático por grandes projetos de mineração e empreendimentos em áreas urbanas”, afirmou.

O Brasil concentra em torno de 12% da água doce do mundo disponível em rios e abriga o maior rio em volume do planeta, o Amazonas. “O país tem uma característica ambiental muito interessante que nos favorece. Nós temos o nosso grande gerador de água que é a Amazônia, – que abastece as regiões Sudeste e Centro-Oeste do país”, afirma o pesquisador e professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia do Meio Ambiente da Universidade Federal de Goiás (UFG), Nilson Clementino. A Região Centro-Oeste é a segunda mais rica em disponibilidade de recursos hídricos (15,3%), de acordo com relatório da Agência Nacional das Águas (ANA). Mas apesar da abundância de água, os recursos hídricos não são inesgotáveis. Segundo explica Clementino, uma pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) estudou a  Amazônia  e sua relação com o clima e as chuvas no país, e concluiu que o desmatamento dessa região influencia na falta de água em regiões como o Sudeste e o Centro-Oeste brasileiro.

Distribuição de água em Goiânia e Região Metropolitana

O superintendente Bento de Godoy afirma que Goiânia é umas das capitais que fazem melhor distribuição de água do país, mas, apesar disso, o lançamento de esgoto clandestino e poluição dos mananciais têm contribuído para a degradação do recurso. Na capital e Região Metropolitana, os problemas de abastecimento estão diretamente relacionados ao desperdício da água e à urbanização descontrolada das cidades que atinge regiões de mananciais. “A qualidade da água em Goiás, segundo pesquisa, geralmente é boa em algumas regiões e regular em outras. Mas o hábito de degradar o meio ambiente, pode acarretar, no futuro, a escassez de água em Goiás e, principalmente, na região metropolitana de Goiânia onde as cidades vizinhas à capital crescem aceleradamente”, alerta o pesquisador Clementino.

Uma das alternativas apresentadas pelo pesquisador para reduzir o agravamento da seca e dos problemas ambientais no país, é acabar com o desmatamento na Amazônia. A falta de água acontece em decorrência da desigualdade social, da falta de manejo e usos sustentáveis dos recursos naturais. O problema da escassez de água em Goiás vai além dos problemas de saneamento, disponibilidades hídricas, qualidade e quantidade de água, etc. O professor de Ciências Ambientais da Universidade Federal de Goiás Denilson Teixeira afirma que é possível repensar a distribuição de água em Goiânia e, sobretudo, do crescimento da cidade. “A falta d’água depende da quantidade e qualidade de ocupação e crescimento populacional”, informa.

A situação da capital no panorama de escassez hídrica no Brasil é confortável para os próximos anos, mas a população e os municípios precisam estar mais atentos. “O Sistema Produtor Mauro Borges, que compreende a barragem do Ribeirão João Leite, acumula água para abastecer Goiânia até meados de 2040”, afirma o superintendente de recursos hídricos Bento de Godoy.

Em Goiânia, o Rio Meia Ponte sofre com a poluição. Segundo Godoy, o manancial ainda carece de cuidados apesar de ações feitas pelo governo como a própria Estação de Tratamento de Água e Esgoto (ETE), pois todos outros mananciais desembocam no rio. São eles: o Córrego Caveirinha, Marginal Botafogo e Ribeirão João Leite. O Meia Ponte está poluído, mas estamos com ação efetiva com construções de maiores interceptores nas margens dos principais afluentes e uma campanha de educação ambiental para minimizar os impactos da contaminação da água. Mas é necessário que a população abrace a causa”, esclarece.

O Brasil concentra em torno de 12% da água doce do mundo disponível em rios e abriga o maior rio em volume do planeta, o Amazonas.

Na região Sudeste de Goiás, na bacia do Rio Corumbá é bastante utilizada para geração de energia elétrica. Para se ter uma ideia, Goiás corresponde a aproximadamente 10% da energia gerada no Brasil. O Rio Corumbá tem se restabelecido. Mas é preciso ressaltar que “se estivéssemos economizando energia, consequentemente, estaríamos economizando água nesses reservatórios”, afirma Godoy.

No Rio Araguaia, por exemplo, não é recomendável se ter hidrovias, porque ele é raso e de margens frágeis. Sua vocação, portanto, é para o turismo.  O governo estadual não tem uma gestão especifica para este rio, porque ele é de natureza federal. Já o Rio Vermelho, na Cidade de Goiás, tem a bacia hidrografia bem fechada, solo seco e bastante rochoso. “O que chove na cidade escoa basicamente para o rio. Mas temos mapeado ações de recomposição do solo e instalamos réguas de monitoramento de vazão, para que observemos rapidamente o nível da água”, explica Godoy. Porém, apesar desses progressos, ainda persistem disparidades significativas.

Bento de Godoy afirma que a meta da Secretaria Estadual de Meio Ambiente é fazer o reenquadramento dos rios e a despoluição deles. Uma ação de trabalho de conscientização e reflorestamento é importante, pois vai fazer com que as nascentes tenham a vazão conservada. Assim, a qualidade e distribuição da água melhorará.  Os recursos hídricos no Centro-Oeste brasileiro e, sobretudo em Goiás, despertam discussões sobre mudanças climáticas, consumo, investimentos e alternativas de abastecimento.

28/02/2016 ÀS 19:18 PM

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