Brasil

     Originário da costa ocidental africana, hoje o mogno africano ganha espaço no cenário mundial, especialmente no Brasil, onde é a principal madeira nobre cultivada. Com interessante valor econômico, o mogno africano tem boa cotação no mercado internacional e excelente uso comercial, devido à raridade e beleza da madeira, que é usada em movelaria, construção naval e em sofisticadas peças ornamentais.

     Além do alto aproveitamento econômico, o plantio do mogno africano torna-se interessante pela capacidade de adaptação em todo território nacional, pela revitalização de áreas degradadas e cultivo em consórcio com demais espécies, tais como banana, café, milho, soja, sorgo e outras, além do cultivo também em sistema de integração lavoura-pecuária-floresta.

     Entre as quatro espécies conhecidas pela denominação genérica de mogno africano, a Khaya ivorensis é a que tem apresentado melhor desenvolvimento, seguida da Khaya antoteca e pela K. grandiflora. Apesar de contar com bom crescimento, a Khaya senegalensis esgalha mais demandando maior cuidado .

     Histórico – Em 1976, cinco exemplares da Khaia ivorensis cultivadas na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém-PA, chamaram a atenção pelo crescimento, altura e diâmetro atingidos. Mas as primeiras sementes do mogno africano só foram produzidas no país em 1989, permitindo que agricultores locais iniciassem a difusão do plantio da espécie.

     Com desenvolvimento mais vigoroso e abundante, a Khaya ivorensis tomou, em alguns casos, áreas onde já havia sido plantado mogno brasileiro no Pará, e de lá a plantação se espalhou também para o centro-sul do país, chegando a Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.

     Vantagens – De tronco retilíneo – característica importante para uma espécie madeireira –, o mogno africano ainda leva vantagem sobre seus pares que pertencem à mesma família, como o próprio mogno brasileiro, o cedro e a andiroba. Também fornecedoras de madeira de qualidade, essas espécies são, no entanto, mais vulneráveis ao ataque da broca-das-ponteiras, o que favorece a emissão de ramos laterais e torna o tronco curto, o que faz com que os exemplares percam valor como produto madeireiro.

     Além disso, é possível plantar mogno africano em sítios, chácaras ou fazendas, mesmo que, por se tratar de árvore de grande porte, não seja recomendado o plantio próximo a casas, galpões e redes elétricas e de telefone. Se for necessário, as sementes podem ser armazenadas por mais de um ano, mas precisam estar secas e envasadas em embalagens à prova de vapor d’água, além de mantidas em câmaras frias ou geladeira, sob temperatura entre 5º e 8 ºC.

     O mogno africano tem bom desenvolvimento em solos de terra firme, preferencialmente em locais com clima tropical úmido, mas também se adapta bem a regiões de clima subtropical. As adubações devem ser feitas com base na análise de solo, mas a espécie responde muito bem à adubação orgânica, sendo que uma planta adubada com esterco tem crescimento 50% superior no primeiro ano.

     Entre 15 e 20 anos, o mogno africano atinge a idade de corte. Com os cuidados necessários, como controle de mato, adubação e verificação de doenças, o tronco deverá estar com 12 a 15 metros de comprimento e diâmetro entre 60 e 80 centímetros.

     Devido ao seu alto valor agregado, a busca pelo mogno africano continua a crescer, o que torna o seu plantio um promissor investimento a médio e longo prazo, especialmente pelo fato de que há um déficit da madeira no panorama internacional, o que a torna cada vez mais requisitada. Além disso, a alta rentabilidade da madeira, quando comparada a outras culturas, ajuda a consolidar o mogno africano como um negócio sustentável e altamente lucrativo.

O mogno africano tem boa cotação no mercado internacional e excelente uso comercial, se tornando uma boa opção de investimento a médio e longo prazo.

Fonte: CREA GO

Autuação foi no assentamento Tamarineiro II, em Corumbá (MS)
Se condenados, assentados podem pegar de um a dois anos de reclusão.

Policiais Militares Ambientais (PMA) autuaram e multaram dois assentados, de 52 e 74 anos, em R$ 2,5 mil por uso ilegal de motosserras e por exploração de aroeira nessa noite de sexta-feira (15) no assentamento Tamarineiro II em Corumbá, a 415 quilômetros de Campo Grande.

Segundo informações da PMA, eles derrubaram as árvores de espécie protegida por lei com as máquinas que não possuem Documento de Porte e Uso (LPU). A LPU é uma licença ambiental obrigatória para o transporte e utilização do equipamento.

As atividades foram interditadas. Os infratores responderão por crime ambiental, e se condenados, podem pegar pena que varia de um a dois anos de reclusão. O corte também é proibido em desmatamentos autorizados.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) proíbe o corte da aroeira e de outras madeiras nobres sem plano de manejo, que também precisa ser aprovado por órgãos ambientais.

Sabia que cada R$ 1,00 investido em Mogno Africano pode render até R$ 29,00*

A Floreste tem o prazer de indicar a seus clientes uma das madeiras mais nobres e rentáveis do mercado. Nossa melhor escolha ao indicar alta produtividade e qualidade de madeira está no Mogno Africano, Khaya Ivorensis.

Ela tem um amplo uso comercial devido às características tecnológicas e a beleza da madeira. De elevada durabilidade, fácil manuseio e secagem, o mogno africano se destaca no mercado europeu que é grande importador principalmente da espécie Khaya ivorensis.

O mogno africano pode ser até  47 vezes mais rentável do que o eucalipto. O valor do metro cúbico do mogno africano, segundo cotação de março de 2013, é de 2.500 reais aos 15 anos de idade. Já o Eucalipto tem seu metro cúbico estere vendido a 77,50 reais aos 6 anos de idade.

A demanda de madeira é alta e o Brasil já entrou em um processo de apagão florestal. Isto significa que faltará madeira para a demanda de consumo interno e externo. Este é um ótimo momento para iniciar um investimento em plantio de florestas.

Conheça o próspero investimento em plantio de Mogno africano. O trabalho da Floreste vai além da venda de mudas de Mogno Africano, é dar aos clientes informações para correção, adubação, limpeza, manejo da floresta para otimizar seu crescimento e o resultado financeiro obtido.

Entre em contato por telefone ou conheça melhor o mogno africano navegando no menu direito.

Floreste Mudas – 67 3331.1371 – 99230-8937

 

Fonte: http://mudasnobres.com.br/mogno-africano

Texto da fonte adaptado para Floreste.

 

O governo do presidente em exercício, Michel Temer, deverá implementar, ainda este ano, medidas de estímulo à produção agrícola e à pecuária, disse, nesta terça-feira (12), o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, durante almoço com Temer organizado pela Frente Parlamentar da Agropecuária.

Além de Maggi, participaram de almoço os ministros Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações).

Durante o encontro, Maggi mencionou os desafios de comandar a área que mais contribui com o Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ministro, bastante elogiado pelos parlamentares presentes no encontro, mencionou sua trajetória no setor. “Vivo esse negócio, conheço esse negócio”, frisou Maggi.

Ele mencionou que, caso o processo do impeachment passe pelo Senado, o governo do presidente em exercício, Michel Temer, apresentará medidas direcionadas para estimular o crescimento do agronegócio e melhoria das condições para exportação.

“Nós vamos sugerir algumas iniciativas importantes, mas vamos aguardar nos tornamos um governo definitivo”, disse.

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Ele também mencionou, ainda, que as as medidas não trarão novas imposições legais para o setor, que, na avaliação dele, já sofre com excesso de leis, normativos e decretos regulatórios.

“Ninguém gosta de entrar o ano com uma política e, virando o ano, já ter outra política. Tem uma série de áreas que precisam da atenção política, que precisam de cuidado. Áreas que precisam que o governo olhe para elas, e não que atrapalhe.”

Fonte: Portal Planalto 

 

Associação Brasileira de Produtores de Mogno Africano comanda o Projeto Mogno de Design, que busca familiarizar o público com essa madeira nobre

O Mogno africano é um tipo de madeira nobre com origem na costa ocidental africana. O cultivo da espécie vem ganhando popularidade no Brasil. Além disso, a beleza e raridade da madeira do mogno conferem um grande potencial de uso comercial, sendo assim utilizada em movelaria, construção naval e peças ornamentais.

E é no setor moveleiro que essa madeira recebe considerável atenção no momento, graças ao Projeto Mogno de Design, um dos principais temas da 13ª reunião da Associação Brasileira dos Produtores de Mogno Africano (ABPMA), entidade que comanda o projeto.

Segundo Patrícia Fonseca, diretora executiva da ABPMA, uma das metas ao dar início ao Projeto Mogno de Design era divulgar positivamente o mogno africano para todos aqueles que trabalham com madeira nobre, principalmente, o segmento moveleiro, que utilizaria o mogno africano para aproveitar toda sua beleza e se beneficiar de vantagens como rápido crescimento e fornecimento em larga escala. Considerada uma espécie exótica, que não é nacional, o mogno africano é livre para corte e também pode contribuir para a diminuição do desmatamento das florestas brasileiras.

O Projeto Mogno de Design também visa estar perto de estudantes de Design, Decoração e Arquitetura, pessoas que, futuramente, indicarão o mogno africano para clientes. A ideia é futuramente abrir um concurso de Design com premiação para estudantes espalhados por todo o país.

Ao mesmo tempo, o projeto deve se dedicar a ações sociais em parques e ambientes onde o público possa conhecer e ter contato com a matéria-prima. “A apresentação de peças esculturais criadas pelos nossos designers parceiros fomentará nos potenciais consumidores, arquitetos, designers, marcenarias, indústrias, o desejo pelo mogno africano. Queremos que seja inserida no melhor nível de mercado que uma madeira nobre possa alcançar e que seja usada em larga por todos aqueles que trabalham com essa matéria prima”, revela Patrícia Fonseca.

Designers com experiência em trabalhos criativos com madeira e com projeção nacional e internacional são os mais propensos a serem convidados para participar do projeto. Mas, só talento não basta. “É fundamental que se encantem com o mogno africano para que possam usar toda a força de sua criatividade. Fornecemos a madeira sem custo algum e sem nenhuma exigência quanto ao objeto a ser criado”, conta Patrícia.

Até o momento, o Projeto Mogno de Design está sendo divulgado somente a nível nacional, porém, um dos passos mais importantes da ABPMA é atingir o mercado importador de madeiras do Brasil, o que deve fazer com que em breve um plano de divulgação internacional seja colocado em prática.

Fonte: www.emobile.com.br

04/07/16 – O Brasil quer 10% do mercado mundial agrícola em cinco anos. Foi com essa meta que o Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, iniciou sua fala no Global Agribusiness Forum (GAF), nesta segunda-feira (4), em São Paulo-SP.

Para isso, o ministro propõe incluir os assentamentos nas estatísticas produtivas brasileiras. Segundo ele, são mais de 47 milhões de hectares de terras pouco produtivas, distribuídas para 640 famílias assentadas. Um estoque de terras e pessoas, de acordo com o ministro, que precisa ser incluído no cenário do agronegócio brasileiro.

E o primeiro passo já foi dado. Diante do presidente interino, Michel Temer – presente na planteia do GAF -, o ministro formalizou o pedido para agilizar o processo de liberação dos títulos das terras sob assentamento. Só assim, segundo o ministro Blairo Maggi, vai ser possível que estes pequenos produtores tenham acesso a crédito e as tecnologias agrícolas. “Ao invés de ficar brigando com esse pessoal, nós vamos incluir e não excluir… Esse movimento, tenho certeza, vai ajudar o Brasil a sair da crise”, declarou.

Além de aumentar a área produtiva com os assentamentos, o ministro pediu atenção para dois outros pontos importantes no processo de ampliação do comércio mundial. O primeiro deles é o Brasil oferecer maior apoio ao trabalho dos diplomatas, que são os responsáveis pelas negociações internacionais. O segundo, é a fiscalização sanitária. Ele demonstrou preocupação com possíveis barreiras no comércio internacional por conta o aparecimento de doenças e pragas. “Nós temos que ter a competência e estrutura para identificar problemas e agir imediatamente”, concluiu.

Fonte: Datagro
Texto extraído do portal Uagro

 

O plantio consorciado de Ricardo Vilela, da Bela Vista Florestal, fica em Campo Belo (MG) e tornou-se um modelo bem sucedido no País

No Seminário Brasileiro sobre Sistemas de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta, o Integra iLPF – promovido pelo Painel Florestal -, que está sendo realizado dentro da Expotrês, em Três Lagoas (MS), um painel que chamou a atenção do público foi o de Ricardo Vilela, que é da Fazenda Bela Vista. Ele foi destaque no programa Globo Rural e tem uma experiência positiva com iLPF, porém, com a integração de café e cedro australiano.

Na fazenda mineira Bela Vista, de 200 hectares, essa integração ocorre e está tendo bastante investimento, sendo que o cedro australiano começou a ser plantado em 2004 e hoje ocupa 70 hectares. “Tem muitos estudos sobre cedro australiano. Temos que investir. Uns acham melhor só na pecuária, outros na floresta e outros arriscam, assim como eu, trabalhando na integração de cedro australiano e café”, afirma Vilela.

Otimista com os resultados alcançados, Ricardo Vilela diz que o cedro australiano é uma madeira de alta qualidade para o setor moveleiro e é destinada também para fins nobres. “É algo muito promissor. Eu trabalho apenas com o mercado interno e acredito muito. Já tive tratativas com outros países, todavia, eles não querem menos que dez containers. A madeira é igual quando matamos boi. Temos que tirar a melhor parte e a pior, além de vender tudo para não termos prejuízo. Tem que ser bem planejado, uma vez que vender tora é difícil devido à questão logística. Muitas vezes não compensa. A madeira serrada não prejudica o negócio e é melhor o retorno pensando em logística”, reforça.

Sobre o processo de plantação do cedro australiano, junto com o café, Ricardo Vilela diz que “tem alguns que fazem três linhas de café e outras de cedros. O ideal é ter 120 plantas de cedro por hectare, pois uma vez que tenho menos árvores por hectare, tenho um produto de maior valor. Com 50 de diâmetro eu já posso tirar e mandar para a serraria”, acrescenta.

Cultivo

Conforme matéria publicada no site da revista Globo Rural, edição de abril, onde a fazenda de Vilela foi destaque, o cedro australiano não é uma árvore rústica como o eucalipto. E para produzir bem exige uma série de cuidados. O primeiro ano de vida é a etapa mais delicada do desenvolvimento da planta. Além de caprichar na adubação, os agricultores precisam evitar o crescimento de mato nas entrelinhas e devem usar produtos pra combater um inimigo bem conhecido: a saúva. Nos primeiros anos de crescimento, um cuidado importante é fazer a poda dos galhos inferiores, que podem criar nós na madeira. Pelas contas da fazenda Bela Vista, considerando todos os gastos até o corte final da árvore, aos quinze anos, o cultivo exige um investimento médio de R$ 26 mil por hectare.

Quando chega aos três anos de vida, o cedro australiano precisa passar por um primeiro desbaste. O objetivo é cortar um quarto das árvores, para aumentar a entrada de luz, reduzir a competição e fazer uma primeira triagem. Com isso, o cultivo, que começou com 820 árvores por hectare vai ficar com cerca de 600. Nessa etapa, como as árvores são jovens, a madeira só pode ser vendida para lenha, o que gera em média, R$ 1 mil por hectare.

Quando chega aos oito anos de vida, o cedro australiano passa por um segundo desbaste. É uma operação de grande escala, que tem o objetivo de cortar metade das árvores de cada talhão. Os cedros retirados nessa etapa têm porte médio e rendem toras que podem ser aproveitadas em serrarias. Com isso, cada hectare que tinha 600 árvores, ficará apenas com 300. As árvores que permanecem na área vão crescer bastante até os quinze anos de vida. Depois é o corte final.

Fonte: Painel Florestal

O primeiro sistema de Integração Lavoura-pecuária-floresta (ILPF) concebido especialmente para agricultura familiar no Pará foi apresentado ao público nesta quinta-feira (16), em Santarém, no dia de campo promovido pela Embrapa Amazônia Oriental, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em área de produtor parceiro da instituição.

O projeto piloto, implantado este ano, inclui componentes de lavoura, pastagem, pecuária e floresta dispostos na mesma área, em cultivo consorciado. “São todas opções tecnológicas disponíveis para adoção imediata, reforçando a ideia de que, na Amazônia, é possível fazer agricultura familiar com tecnologia, de forma competitiva. O desafio é possibilitar o acesso do agricultor familiar à tecnologia”, afirma o pesquisador Eduardo Maklouf, responsável pelo experimento.

Entre as tecnologias empregadas nesse sistema integrado ILPF proposto para agricultura familiar, estão quatro que fazem parte das opções tecnológicas do Plano ABC – Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, do governo federal. Além do ILPF, há também recuperação de áreas degradadas, Sistema Plantio Direto e florestas plantadas, todas com possibilidade de financiamento aos produtores

Área degradada

O ILPF aumenta a produtividade das culturas e permite a recuperação de áreas degradadas, como era o caso de parte da propriedade do agricultor Nelson Ferreira do Nascimento, da comunidade Boa Esperança, nos arredores de Santarém, onde a Embrapa instalou o experimento pioneiro em área considerada totalmente improdutiva.

Segundo o agricultor, a família já estava enfrentando dificuldade com a produção, especialmente a do milho, a ponto de ele e seus filhos quase desistirem de continuar na lida com a terra. “A nossa parceria com a Embrapa surgiu bem nesse momento, de desesperança, mas decidimos apostar na tecnologia e está sendo muito produtivo, até árvores resolvemos plantar pensando no futuro. Onde não dava mais nada agora temos abundância”, avalia o produtor.

O sistema ILPF desenvolve cadeias produtivas para produção de alimentos como carne e grãos e madeira para energia, construção civil e movelaria, em áreas antropizadas (já alteradas pelo homem) consolidadas. Nos três primeiros anos deste modelo desenhado em conjunto com a família do agricultor, planta-se milho entre as faixas de árvores (mogno africano, cumaru e andiroba), seguido de capim para pasto (Brachiaria ruzizienses).

A mandioca também faz parte do sistema, implantada nos dois primeiros anos nas entrelinhas das espécies arbóreas. Os animais entram a partir do segundo ano para serem manejados em pastejo rotacionado intensivo. O experimento contém ainda feijão-caupi, arroz e tomate.

Grãos em Belterra na sexta-feira (17)

Outro evento da Embrapa envolvendo sistema Integração Lavoura-pecuária-floresta no Oeste do Pará ocorre nesta sexta-feira (17), desta vez em Belterra, no campo experimental da instituição. Nesse dia de campo vão ser apresentados os avanços das pesquisas para melhoria de qualidade do solo e produção de grãos (milho, soja e arroz) nas condições do Oeste paraense, cultivados em ILPF e Sistema Plantio Direto.

Os estudos com grãos permitem identificar o potencial de materiais genéticos adaptados às condições locais e em diferentes arranjos, capazes inclusive de possibilitar duas culturas no mesmo ano agrícola em sistema de safra e safrinha. Os pesquisadores buscam também definir espaçamento e densidade de semeadura, controle de plantas invasoras, de insetos e doenças, bem como definição de doses econômicas de adubação.

“A intensificação no uso da terra sem práticas sustentáveis propicia o desequilíbrio e a degradação do solo. Nestas condições, o solo requer sistemas que o conservem e mitiguem impactos, como o Sistema Plantio Direto, possibilitando a formação de palhada”, destaca o pesquisador Carlos Veloso, coordenador técnico do evento em Belterra.

O dia de campo é aberto ao público interessado, a exemplo de produtores rurais, engenheiros agrônomos e florestais, técnicos, extensionistas, professores e estudantes, além de agentes financeiros.

Fonte:rondoniagora

24/05/2016 – Gilson Cavalcante / Governo do Tocantins

  • Fernando Alves/Governo do Tocantins

Técnicos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e das empresas Geoconsult e SCCON estiverem reunidos nesta terça-feira, 24, para discutir sobre o mercado de sequestro e comércio de carbono (CO2), na Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). Ao final da primeira parte da reunião, Virgílio Gibbon, da FGV, apresentou a proposta para a implantação da metodologia para a mensuração das reduções de emissão de carbono por desmatamento, o que se denomina de crédito de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd).

A proposta elaborada pela FGV e a empresa Geoconsult, compreende três eixos: a mensuração por meio da metodologia; a certificação, que é submeter esse trabalho a organizações internacionais que vão validar se esses créditos, de fato existem e se são de boa qualidade; e a terceira, que é a fase de comercialização, cujos créditos são oferecidos ao mercado comprador, principalmente pelos países desenvolvidos.

De acordo com Virgílio Gibbon, é uma operação que promete no futuro ser um mercado bastante expressivo, porque os créditos de Redd são os únicos que apresentam um volume significativo capaz de contribuir para a redução do custo das emissões de carbono dos países desenvolvidos. “Sem os créditos de Redd, os países desenvolvidos não vão conseguir arcar com os custos necessários à redução de emissão que eles terão que fazer”, sustentou.

As duas primeiras etapas do projeto, só para elaboração, demorariam um ano, depois a certificação, que levaria mais um ano. “Mas a comercialização pode começar tão logo seja feita essa mensuração e seja submetida à certificação, uma vez que se pode vir a comercializar a créditos futuros”, observou o técnico da FGV.

No início dos trabalhos, Rodrigo Sabino, da Seplan, apresentou o Inventário Florestal do Estado do Tocantins, documento que servirá de base para a elaboração da metodologia de sequestro e comercialização de carbono. No mês de junho, técnicos do Grupo de Trabalho do Tocantins irão ao Acre conhecer detalhes sobre a experiência implantada naquele estado.

Protocolo de Quioto

Cada tonelada de CO2 não emitida ou retirada da atmosfera por um país em desenvolvimento pode ser negociada no mercado mundial. O mercado de créditos de carbono, que surgiu a partir do Protocolo de Quioto, acordo internacional que estabeleceu que os países desenvolvidos deveriam reduzir, entre 2008 e 2012, suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) 5,2% em média, em relação aos níveis medidos em 1990.

O Acre foi o primeiro estado a receber compensação por resultados na redução de emissões pelo desmatamento. A entrega da certificação REDD+SES (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal com Benefícios Socioambientais) foi feita em Paris, durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 21).

“Só foi possível por todo apoio e cooperação que tivemos na construção desse processo com as organizações e também a participação social, com todos os direitos sociais e ambientais das comunidades salvaguardados”, destacou Virgílio Gibbon, para quem os padrões ou salvaguardas socioambientais formam um conjunto de mecanismos de controle e monitoramento de riscos e de cumprimento de direitos.

Reunião

Participaram da reunião, além da secretária de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Meire Carreira; o subsecretário da pasta, Fábio Lelis; o diretor, Rubens Brito; Maurício Braga, da Geoconsult; Maurício Schavozin, da SCCON; Virgílio Gibbon, da FGV; Luiz Gylvan Meira, do Instituto de Estudos Avançados da USP; e de membros do Grupo de Trabalho (GT) do Governo do Estado, composto por representantes de vários órgãos.

Fonte: Portal Tocantins

O desmatamento ilegal da Floresta Amazônica avança a despeito da importância que a comunidade científica mundial e a sociedade atribuem ao bioma e ao impacto de sua destruição no clima do planeta. Em Mato Grosso, a região noroeste abriga o último maciço da floresta no estado e sofre forte pressão para exploração madeireira e ocupação de novas áreas para a produção agropecuária.

Entre os meses de agosto e dezembro de 2015, 419 quilômetros quadrados de Floresta Amazônica desapareceram do mapa no estado, de acordo com dados do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), operado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) com base em imagens de satélite gerados pela plataforma Google Earth Engine (EE).

A derrubada da mata nativa faz de Mato Grosso o único estado da Amazônia Legal a ampliar a área desmatada nos últimos cinco meses de 2015, com aumento de 16% no corte raso da floresta em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do SAD.

Entre janeiro e março de 2016, período de chuvas na região amazônica, as nuvens dificultam a visualização do desmatamento e da degradação florestal. O Boletim de Desmatamento da Amazônia Legal referente a janeiro de 2016, do Imazon, informa que Mato Grosso apresentou 63% de seu território coberto por nuvens, impedindo o cálculo do desmatamento no período.

Análises de imagens de satélite mostram que a tendência de retomada do desmatamento no estado começou em 2013. Segundo a especialista do Instituto Centro de Vida (ICV) de Mato Grosso Alice Thuault, o desmatamento total detectado de agosto a dezembro de 2015 é 670% maior do que o registrado no mesmo período em 2013.

“O padrão do desmate no estado mudou nos últimos 15 anos, provavelmente por causa dos satélites que dificultam que grandes áreas sejam derrubadas. Hoje, temos vários desmates pequenos, enquanto no passado eram mais comuns os grandes”, disse Alice. Segundo ela, o fato indica que novos pequenos proprietários continuam abrindo áreas, especialmente no noroeste do estado.

O chefe da Unidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) do município de Juína, responsável pela fiscalização de toda a região noroeste do estado, Evandro Selva, explica que o potencial econômico da madeira e das terras da região ameaçam o que resta da floresta.

“Há uma certa ganância pelos recursos madeireiros do último maciço florestal de Mato Grosso e que tem colocado em xeque a sobrevivência da floresta na região. O avanço da agricultura nas áreas de pecuária tem empurrado o gado ao norte, e essas florestas já enfraquecidas pela exploração madeireira vão cair, é uma conta matemática”, avalia.

A superintendente do Ibama em Mato Grosso, Livia Passos Martins, defende a mudança do modelo de desenvolvimento da região como o único caminho para pôr um ponto final no desmate ilegal. “Já existem tecnologias que permitem o avanço do agronegócio sem ser sobre áreas remanescentes. Precisamos rediscutir o modelo do estado para tentar entender porque há mais de 20 anos o estado avança no agronegócio mantendo o formato anterior de desmatamento da floresta.”

Livia Martins destaca que a ideia de que o desenvolvimento do agronegócio no estado e a proteção ambiental não podem andar juntas é ultrapassada, e que estudos mostram que se áreas desmatadas e degradadas do estado forem recuperadas não será preciso derrubar mais árvores. “Não dá para repetir os modelos antigos que têm demonstrado fracasso no país. Se os lucros do agronegócio retornassem para o estado com a redução da pobreza, por exemplo, ou o aumento do nível educacional, mas não é isso o que acontece. Infelizmente, a grande renda ainda está concentrada na mão de poucos”, avalia.

A secretária adjunta de Gestão Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Elaine Corsini, disse que o governo de Mato Grosso está cada vez mais preocupado em oferecer alternativas econômicas ao desmatamento no estado, especialmente para os pequenos produtores.

“Dar alternativas para não desmatar, para gerar uma renda, vender madeira como fonte de renda. É preciso fazer com que tenham incentivos para usar territórios que já foram abertos no passado que, em muitas situações, o Código Florestal considera como áreas consolidadas, abertas antes de 2008, mas que ele possa produzir nessas áreas e evitar a abertura de novas áreas. Pensar em alternativas para que essas pessoas possam se estabelecer, produzir e viver da produção em áreas que já foram abertas,” explica.

Na última Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 21), sediada em Paris, em novembro de 2015, o governo federal assumiu o compromisso de acabar com o desmatamento ilegal da Amazônia até 2030. Em Mato Grosso, o governo estadual foi mais ousado e se comprometeu a acabar com o desmatamento ilegal no estado até 2020.

A estratégia apresentada pelo estado para acabar com o desmatamento ilegal foi desenvolvida em parceria entre todas as esferas do governo, especialistas de diversas organizações não governamentais e o setor produtivo.

O projeto prevê a substituição de 6 milhões de hectares de pastagens de baixo rendimento por cultivos de alta produtividade, sendo 3 milhões de hectares para grãos, como soja, milho e algodão, 2,5 milhões de hectares para a pecuária e meio milhão para floresta plantada. O projeto também prevê que 6 milhões de hectares de florestas nativas sejam licenciadas para manejo florestal sustentável, uma alternativa para explorar a madeira sem ameaçar a floresta.

A secretária Elaine Corsini destaca que o desmatamento no estado se concentra em poucos municípios que enfrentam questões fundiárias complexas, “cerca de 10”, o que torna difícil responsabilizar os culpados pelo desmate. “Precisamos fazer um esforço para efetivar a regularização nesses municípios”, disse. “Alguns municípios reclamam muito da questão fundiária. A regularização facilitaria, por exemplo, investimentos e acesso a crédito em muitas áreas.”, explica.

Elaine disse que as iniciativas para frear o desmatamento no estado estão previstas no Programa Municípios Sustentáveis. “O projeto vai captar recursos do Fundo Amazônia para fazer a regularização fundiária em diversos municípios. Teremos recursos para cadastrar os pequenos e fazer um levantamento de quem está no campo, produzindo o que, o que vai auxiliar no controle e planejamento para essas áreas”, disse Elaine, lembrando que o trabalho de combate ao desmatamento é conjunto e precisa envolver diversos órgãos.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), com o apoio técnico da Universidade de Brasília (UnB), está desenvolvendo um projeto em 126 assentamentos na região norte de Mato Grosso para fazer a regularização ambiental das áreas e um diagnóstico da produção nesses assentamentos. “Com esse diagnóstico, vamos saber mais sobre a realidade atual para sabermos como agir para resolver o problema”, explicou Elaine Corsini.

Regularização ambiental

A bióloga Alice Thuault, diretora adjunta do Instituto Centro de Vida, destaca que, além da problemática fundiária, o Brasil precisa avançar na regularização ambiental das propriedades rurais para combater desmates e queimadas ilegais.

Para Alice, a demora na implementação do Código Florestal Brasileiro gera uma expectativa de que a legislação não será colocada em prática. Além disso, dá a impressão de que novas áreas poderão ser regularizadas e consolidadas para a produção agropecuária e que a recuperação de passivos ambientais não será cobrada de quem está desmatando agora. “A gente está em 2016, o código foi aprovado em 2012, e poucos avanços aconteceram. Estamos numa situação em que todos estão duvidando que a política pública vai pegar e será colocada em prática”, disse.

Entre as regras previstas no Código Florestal está o Cadastro Ambiental Rural de todas as áreas rurais do país, documento em que o proprietário apresenta o mapeamento das propriedades e informa as áreas consolidadas para atividade produtiva, as áreas de reserva legal e os passivos ambientais que devem ser recuperados nos imóveis rurais.

Em seguida, cada estado vai validar os cadastros. A validação do CAR vai permitir ao estadosaber qual é o passivo ambiental de todas as propriedades rurais de acordo com a lei. A partir daí, os proprietários terão que apresentar uma proposta de regularização das áreas. Essa cobrança ainda não começou a ser feita em nenhum estado brasileiro.

Alice Thualth lamenta que a validação desses cadastros avance lentamente e teme a prorrogação do prazo, previsto para encerrar em maio de 2016. “Já deveríamos estar validando o CAR há quatro anos, mas essa atividade nem começou. Por isso tem muitos rumores sobre a prorrogação do prazo do CAR. Somos contra a prorrogação do CAR, mas sabemos que para ser feito o Estado precisa auxiliar os pequenos produtores a se cadastrarem. Esse, para mim, é um dois maiores fatores do desmatamento”, avalia.

No início de maio, o governo federal prorrogou por mais um ano o prazo para que os mais de 1 milhão de proprietários e posseiros de pequenas terras que ainda não fizeram o cadastro não sejam prejudicados no acesso aos benefícios previstos no Código Florestal. A prorrogação do CAR não vale para propriedades superiores a quatro módulos fiscais, o equivalente a 110 hectares. Nesse caso, os proprietários que não cumpriram o prazo vão perder o direito aos benefícios do Programa de Regularização Ambiental (PRA) e também ficarão sujeitos a restrições de crédito agrícola após 2017.

A secretária adjunta de Gestão Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Elaine Corsini, disse que, em Mato Grosso, a validação teve início em setembro e destacou que o estado está à frente dos demais. Segundo ela, a base de cadastros dobrou no último ano, passando de 43 mil para 87 mil propriedades. “Nós migramos os 43 mil cadastros que já tínhamos no sistema do estado para a base de dados do governo federal (Sicar) e em setembro do ano passado começamos a validar os cadastros, com um módulo feito pelo Serviço Florestal Brasileiro”, diz.

A superintendente do Ibama em Mato Grosso, Livia Martins, disse o Código Florestal pode ter influenciado o aumento do desmatamento. “Toda vez que se cria uma expectativa de mudança de legislação, cria-se uma certeza na mentalidade rural de que vai haver alguma facilitação, seja ela qual for. Até virar prátíca, a gente já perdeu uma boa parte da floresta. Então, sempre que há mudança de norma, é preciso haver uma estratégia de comunicação forte para que a gente possa atingir o entendimento daqueles que estão em locais distantes do estado.”

Livia defende que o CAR seja efetivado o quanto antes pois vai viabilizar ao Ibama identificar a regularização e os limites das propriedades onde há, por exemplo, sobreposição com terra indígena, por exemplo, se há reserva legal completa, se há área de preservação permanente conservada.

Ela avalia que, no momento, há uma lacuna entre a legislação estadual e federal, mas alerta os proprietários rurais a cumprirem as regras do código porque, segundo ela, não serãoflexibilizadas. “Até a norma virar prática e os proprietários se habituarem em como os órgãos de controle estão incorporando a legislação nos procedimentos leva um tempo, até que percebam como vai funcionar”, explica. “A ordem é: não vamos desembargar áreas com desmatamento recente. Desmatou recentemente, a área não vai ser desembargada”, afirma.

Problemas fundiários, fiscalização precária e violência são entraves no combate ao desmatamento da Amazônia

Área degradada no município de Colniza, noroeste de Mato Grosso. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Área degradada no município de Colniza, noroeste de Mato Grosso. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)Marcelo Camargo/Agência Brasil

As causas para a derrubada da vegetação nativa no noroeste de Mato Grosso são múltiplas. O desmatamento segue uma fórmula conhecida há décadas no estado, tanto nos assentamentos feitos por iniciativas de colonização privadas e públicas nas décadas de 60 e 80, quanto entre os que ainda chegam na região em busca de uma vida melhor. A madeira de alto valor econômico é extraída e depois se faz o corte raso da área, retirando toda a cobertura vegetal nativa para abrir espaço para pastagens ou plantações, em especial a monocultura da soja.

“A extração florestal, que é a parte inicial do desmate, dá o upgrade financeiro para manter o gado em cima, para fazer o pasto, fazer cercas, casas e estrada. É a madeira que dá esse aporte financeiro”, explica Evandro Selva, chefe da unidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de Juína, a 754 km de Cuiabá, responsável pela fiscalização de 11 municípios do noroeste do Mato Grosso.

A fiscalização ambiental na região é precária. Três fiscais do Ibama trabalham continuamente em campo em uma área de 150 mil km2. “A área é quase o estado do Paraná. Na unidade temos três fiscais ligados à fiscalização em campo. O pessoal da unidade não é suficiente, por isso nós temos o apoio da operação Onda Verde, que traz mensalmente fiscais de outras partes do país”, disse.

Evandro Selva contou que os fiscais ambientais que atuam na região sofrem ameaças com frequência. O helicóptero do órgão não está fazendo sobrevoos em Colniza, município campeão do desmatamento no estado, porque o serviço de fornecimento de combustível para a aeronave foi interrompido depois de que o caminhão-tanque foi impedido de chegar ao local.

“Recentemente nosso caminhão de combustível foi impedido de permanecer na cidade e foi mandado de volta para Juína. Nossa logística para chegar com a aeronave lá depende de apoio policial para escoltar esse caminhão, para que as equipes possam trabalhar com mais eficácia. Isso não impede que o Ibama trabalhe, só dificulta o nosso trabalho e cria uma certa tensão com as pessoas locais e com os fiscais que são de fora, mas não impede o trabalho”, diz.

A bióloga Alice Thuault, do Instituto Centro de Vida (ICV), avalia que alguns desses municípios são terras sem lei. “A maior parte dos desmatadores sabem o que estão fazendo, são quadrilhas organizadas. Os municípios com maior desmatamento têm também altos índices de violência. É o faroeste, é longe, o acesso é difícil. O mundo político precisa ser renovado e o estado precisa chegar.”

A superintendente do Ibama em Mato Grosso, Livia Martins, concorda que a ausência do Estado pode contribuir para desmatamento. “O noroeste é uma área de difícil acesso, então, na prática, o acesso é via helicóptero. A própria presença reduzida do Estado faz com que a ação de desmatamento aumente”, diz Lívia Martins.

Evandro Selva disse que o Ibama de Juína e a operação Onda Verde estão “focados exclusivamente” na questão do desmatamento. “Sempre tem outros crimes aliados a isso, muitos que fogem da competência do Ibama, como trabalho escravo, formação de quadrilha, desvio de recurso público, mas o que a gente enfrenta e que é competência do Ibama é a investigação dos responsáveis pelo desmatamento”, explica.

Apoio do Poder Público local

O chefe do Ibama no noroeste de Mato Grosso, Evandro Selva, disse que o órgão só conta com o apoio logístico de três prefeituras da região para a retirada de bens apreendidos durante as operações, como toras de madeira e tratores. “São os municípios de Juruena, Castanheira e Juína.” Segundo ele, nos demais municípios, não há parceria. “Hoje não temos que tirar equipamentos apreendidos no interior da terra indígena porque as prefeituras não apoiam nosso trabalho na questão logística. Eles não têm obrigação de fazer isso, seria mais uma questão de cooperação. E o Ibama hoje depende desse tipo de apoio, pois não temos contrato de logística.”

Evandro Selva disse que o Ibama tem processos de licitação em andamento para contratos de logística nessas regiões e que, em algumas operações, contam com o apoio do Exército Brasileiro. “Mas são casos isolados. Precisamos ter uma ferramenta que o Ibama possa lançar mão sempre que necessário”, argumenta.

Fonte: Agencia Brasil

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